Cerca de 400 mil pessoas em risco de retirada compulsiva devido a inundações em Moçambique

Pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência, devido ao risco de inundações na província de Gaza, sul de Moçambique, disse hoje uma fonte oficial.

Lusa /
Centenas de habitantes da aldeia de Djuba, 40 quilómetros a sul de Maputo, estão isoladas devido à subida das águas do rio Umbeluzi Luísa Nhantumno - Lusa

"Nós temos uma estimativa de cerca de 400 mil pessoas que vivem nessas áreas [distritos de] Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-xai", disse o diretor nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), Agostinho Vilanculos.

De acordo com a fonte, há um risco iminente da junção dos rios Incomati e Limpopo --- cenário igual ao registado nas cheias de 2000 --- à medida que transbordam, o que poderá aumentar o número de afetados para cerca de meio milhão de pessoas.

"Agora, nós achamos que é o momento de retirada da população de forma compulsiva, porque a situação não é muito boa, mas também pedimos que haja assistência, em termos de meios, para facilitar o processo de travessia da população de uma margem para outra", disse Agostinho Vilanculos.

Em termos de infraestruturas afetadas, segundo a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, há pelo menos 150 escolas e cerca de 80 unidades hospitalares, além de cerca de 10 mil hectares de produção agrícola que podem ser perdidos. 

"Os níveis que estamos a ter agora são relativamente altos. Estamos a aproximar, só para ter uma ideia, de níveis mais ou menos aproximados do ano 2000. Então, essa população tem que ser retirada de imediato", alertou. 

A Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos estima que, até ao fim da presente época chuvosa, cerca de dois milhões de pessoas poderão ser afetadas, com previsão de pelo menos um ou dois ciclones que poderão abater-se sobre a costa moçambicana. 

Moçambique regista chuvas intensas desde a semana passada, com o Instituto Nacional de Meteorologia a emitir avisos vermelhos para a ocorrência de fortes chuvas e trovoadas, que estão a provocar inundações sobretudo nas regiões centro e sul.

Nas cheias de 2000, registaram-se 700 mortos só entre fevereiro e março e milhares de pessoas foram deslocadas e ficaram sem abrigo, além de danos significativos no país.

O país é considerado um dos mais afetados pelas alterações climáticas, registando com frequência cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril. Entre 2019 e 2023, eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos e afetaram cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados oficiais.

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