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Cerca de 70.000 paquistaneses em fuga por receio de conflito

Cerca de 70.000 paquistaneses em fuga por receio de conflito

Cerca de 70.000 pessoas abandonaram as suas casas no vale de Tirah, noroeste do Paquistão, face ao receio de uma iminente operação do Exército contra grupos rebeldes na fronteira com o Afeganistão, anunciaram hoje fontes oficiais.

Lusa /
Refugiados de Tirah, Paquistão, inscrevem-se para auxílio depois de fugirem de combates Foto: Muhammad Amin Afridi - Reuters

"Até agora, mais de 12.000 famílias saíram do vale de Tirah e registaram-se connosco. Essas 12.000 famílias representam cerca de 70.000 pessoas", disse à agência EFE Talha Rafiq, comissário adjunto da localidade de Bara, que estima que o total de deslocados poderá alcançar 19.000 famílias.

O êxodo, que ocorre sob condições de frio extremo e neve no distrito de Khyber, esvaziou já cerca de 80% do este do enclave.

Esta movimentação no noroeste coincide com os dias mais sangrentos dos últimos anos no Paquistão, na província de Baluchistão (sul), onde o Exército tenta recuperar o controlo após uma ofensiva massiva de separatistas que deixou mais de uma centena de mortos em ataques coordenados.

O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), o principal grupo talibã do país e aliado dos talibãs afegãos, opera no norte, enquanto o BLA, os balúchis separatistas, atua no sul.

Embora os grupos armados sejam distintos, o desafio para Islamabad é uma perda de controlo territorial que obrigou o comando militar a mobilizar tropas nas duas frentes simultâneas.

Enquanto o Governo de Khyber Pakhtunkhwa vincula o movimento a uma ofensiva militar iminente, o executivo central em Islamabad mantém que se trata de uma migração sazonal habitual, devido ao inverno.

A Alianza Política de Bara, que agrupa líderes locais e anciãos, realizou no sábado uma Jirga (assembleia consultiva) para exigir o fim dos ataques em zonas residenciais e denunciou o uso de artilharia, morteiros e `drones` no vale, o que provocou pânico na população civil.

Os líderes locais apresentaram um conjunto de exigências, pelo regresso honrado das vítimas e garantias de uma paz sustentada, numa região que serviu historicamente de refúgio para milícias islamistas.

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