Mundo
Chefe das Forças Armadas dos EUA apoia envolvimento do Irão na ofensiva de Tikrit
O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas norte-americanas, considerou possivelmente "positiva" a participação de altos quadros militares iranianos e de milícias xiitas na operação para reconquistar a cidade iraquiana de Tikrit ao Estado Islâmico.
Perante a comissão do Senado para as Forças Armadas, Dempsey sublinhou que a ofensiva assinala o envolvimento iraniano no Iraque "mais evidente" desde 2004, "com artilharia e outros meios".A presença iraniana no comando da ofensiva para recuperar Tikrit, incluindo a de Qassem Suleymani, o comandante da Força Quds, ou forças especiais secretas do corpo de elite da Guarda Republicana, tem sido amplamente noticiada. Os iranianos não só fornecem armas e equipamento às milícias xiitas iraquianas como as comandam no campo de batalha.
Ao longo dos últimos meses, brigadas e companhias de combatentes xiitas e sunitas têm enfrentado lado a lado a ameaça islamita, sobretudo a norte de Bagdade e na província de al-Anbar. Mas a tensão entre os dois grupos é constante.
Os xiitas são acusados de abusos sobre civis sunitas e as tribos que rejeitaram o juramento de fidelidade ao Estado Islâmico queixam-se de não receber armas de Bagdade para se defenderem.
O CEMFA norte-americano admitiu que o risco de violência interconfessional entre as forças xiitas e sunitas é grande e tem de ser controlado. Mas admite que, "se se comportarem de forma credível e devolverem Tikrit aos seus habitantes, então isto terá sido algo de positivo na campanha" para expulsar o grupo Estado Islâmico no Iraque.
"Temos de tomar atenção, à medida que o governo iraquiano reconquista território, que esta campanha seja orientada de forma multi-confessional", avisou.
Batalha por Tikrit
A ofensiva iraquiana iniciou-se com bombardeamentos aéreos no domingo, seguindo-se o avanço terrestre na segunda-feira. Tikrit está cercada mas o ataque final só será lançado quando todas as possíveis rotas de fuga e bastiões do Estado Islâmico em torno da cidade tiverem sido neutralizados.
A ofensiva envolve quase 30 mil combatentes por parte do Iraque mas, apesar de terem já ocorrido combates de artilharia a nordeste e sueste da cidade, não houve ainda luta direta. Os islamitas têm estado a entrincheirar-se nas zonas urbanas, que estarão totalmente armadilhadas.
Bombas de estrada, bombistas suicidas e snipers têm igualmente atrasado o avanço das forças conjuntas iraquianas, tropas regulares e voluntários, de tribos sunitas e de comunidades xiitas.
Há ainda informações não confirmadas de que os extremistas estarão a tentar fugir para as montanhas de Hamreen, uma cordilheira da fronteira entre o Irão e o Iraque.
Alta tensão
As comunidades sunitas e xiitas iraquianas lutam pelo poder e por influência no Iraque há dezenas de anos. Na primeira década do século XXI, a violência entre os dois grupos, acicatada pelos extremistas islâmicos, provocou milhares de mortos.
As milícias xiitas Unidades de Mobilização Popular (conhecidas como Hashaad Shaabi) foram reavivadas com milhares de voluntários para lutar contra o Estado Islâmico, quando este avançou sobre o norte do Iraque em junho de 2014 praticamente sem encontrar resistência armada.
São armadas e comandadas pelo Irão, através do general Qassam Suleymani.

Há relatos de abusos das Hashaad Shaabi sobre a população civil sunita, desde expulsões de casa até execuções sumárias, sem qualquer controlo.
Ações que podem pôr em perigo não só a ofensiva lançada por Bagdade no domingo para reconquistar Tikrit, que envolve milhares de combatentes, mas também a operação para retomar Mossul, a capital do norte iraquiano.
Ao longo dos últimos meses, brigadas e companhias de combatentes xiitas e sunitas têm enfrentado lado a lado a ameaça islamita, sobretudo a norte de Bagdade e na província de al-Anbar. Mas a tensão entre os dois grupos é constante.
Os xiitas são acusados de abusos sobre civis sunitas e as tribos que rejeitaram o juramento de fidelidade ao Estado Islâmico queixam-se de não receber armas de Bagdade para se defenderem.
O CEMFA norte-americano admitiu que o risco de violência interconfessional entre as forças xiitas e sunitas é grande e tem de ser controlado. Mas admite que, "se se comportarem de forma credível e devolverem Tikrit aos seus habitantes, então isto terá sido algo de positivo na campanha" para expulsar o grupo Estado Islâmico no Iraque.
"Temos de tomar atenção, à medida que o governo iraquiano reconquista território, que esta campanha seja orientada de forma multi-confessional", avisou.
Batalha por Tikrit
A ofensiva iraquiana iniciou-se com bombardeamentos aéreos no domingo, seguindo-se o avanço terrestre na segunda-feira. Tikrit está cercada mas o ataque final só será lançado quando todas as possíveis rotas de fuga e bastiões do Estado Islâmico em torno da cidade tiverem sido neutralizados.
A ofensiva envolve quase 30 mil combatentes por parte do Iraque mas, apesar de terem já ocorrido combates de artilharia a nordeste e sueste da cidade, não houve ainda luta direta. Os islamitas têm estado a entrincheirar-se nas zonas urbanas, que estarão totalmente armadilhadas.
Bombas de estrada, bombistas suicidas e snipers têm igualmente atrasado o avanço das forças conjuntas iraquianas, tropas regulares e voluntários, de tribos sunitas e de comunidades xiitas.
Há ainda informações não confirmadas de que os extremistas estarão a tentar fugir para as montanhas de Hamreen, uma cordilheira da fronteira entre o Irão e o Iraque.
Alta tensão
As comunidades sunitas e xiitas iraquianas lutam pelo poder e por influência no Iraque há dezenas de anos. Na primeira década do século XXI, a violência entre os dois grupos, acicatada pelos extremistas islâmicos, provocou milhares de mortos.
As milícias xiitas Unidades de Mobilização Popular (conhecidas como Hashaad Shaabi) foram reavivadas com milhares de voluntários para lutar contra o Estado Islâmico, quando este avançou sobre o norte do Iraque em junho de 2014 praticamente sem encontrar resistência armada.
São armadas e comandadas pelo Irão, através do general Qassam Suleymani.
Há relatos de abusos das Hashaad Shaabi sobre a população civil sunita, desde expulsões de casa até execuções sumárias, sem qualquer controlo.
Ações que podem pôr em perigo não só a ofensiva lançada por Bagdade no domingo para reconquistar Tikrit, que envolve milhares de combatentes, mas também a operação para retomar Mossul, a capital do norte iraquiano.