China acusa líder de Taiwan de "sabotar a paz" no discurso de Ano Novo

A China acusou hoje o líder de Taiwan, William Lai, de "sabotar a paz", após o seu discurso de Ano Novo, no qual alertou para o aumento da pressão de Pequim e apelou ao reforço da defesa da ilha.

Lusa /
Presidente de Taiwan promete defender a soberania da ilha após exercícios militares chineses. Pequim aponta incitamento ao confronto | Ritchie B. Tongo - EPA

A reação partiu do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, cujo porta-voz, Chen Binhua, classificou a mensagem como "cheia de mentiras, hostilidade e malícia" e acusou Lai de repetir "falácias separatistas" sobre a independência de Taiwan e de "incitar à confrontação entre os dois lados do estreito".

Segundo Pequim, Lai recorreu à retórica de "democracia contra autoritarismo" para "confundir os compatriotas taiwaneses e enganar a opinião pública internacional", demonstrando uma postura "incorrigível" de apoio à independência da ilha.

Chen Binhua foi mais longe ao descrever Lai como um "desestabilizador da paz", "criador de crises" e "instigador da guerra", argumentando que o líder taiwanês "intensificou deliberadamente as tensões" desde que assumiu o cargo e promove uma estratégia de "preparação para a guerra com o objetivo de alcançar a independência".

O mesmo gabinete acusou ainda Lai de, nas suas relações com o exterior, seguir uma política de "procurar apoio e sujeição", em prejuízo dos interesses do povo e das empresas de Taiwan, e de aplicar internamente um estilo de governação "autoritário" que "compromete o Estado de direito e restringe liberdades".

"O fracasso da independência de Taiwan é inevitável", lê-se no comunicado, que reitera que "Taiwan faz parte da China" e apela à população da ilha para "se opor firmemente ao separatismo e à interferência externa".

A resposta surge dias após o discurso de Ano Novo de Lai, em que o líder taiwanês defendeu o reforço da defesa e da resiliência democrática da ilha face ao aumento da pressão de Pequim, num contexto de renovadas tensões políticas e militares no estreito de Taiwan.

A China considera Taiwan uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o recurso à força para concretizar a "reunificação" com o continente, um dos objetivos estratégicos do Presidente chinês, Xi Jinping.

Taiwan, governado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista, de tendência soberanista, afirma que já é um país independente de facto e defende que o seu futuro só pode ser decidido pelos seus 23 milhões de habitantes.

 

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