China pede à Arábia Saudita diálogo e proteção de rotas marítimas
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, apelou às partes envolvidas nos conflitos do Médio Oriente para que retomem o diálogo e garantam a segurança das rotas energéticas, perante uma "encruzilhada entre a guerra e a paz".
Durante uma reunião com o conselheiro de Segurança Nacional saudita, Musaed bin Mohamed al Aiban, Wang afirmou, na segunda-feira, que "o caminho para a paz não é fácil", mas insistiu na necessidade de procurar soluções através de negociações, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia chinesa.
Wang Yi instou as partes a "resolver os diferendos através do diálogo e da negociação, pôr fim aos combates e salvaguardar a segurança energética e das rotas marítimas" da região.
O ministro defendeu ainda que os países do Médio Oriente reconstruam a confiança mútua e estabeleçam uma "nova arquitetura de segurança regional" que responda aos seus interesses a longo prazo, oferecendo a colaboração chinesa para reduzir as tensões.
Durante o encontro em Pequim, Al Aiban, também ministro de Estado saudita, entregou uma carta do príncipe herdeiro e primeiro-ministro, Mohammed bin Salman, dirigida ao Presidente chinês, Xi Jinping, sobre as relações bilaterais e questões de interesse comum.
No mesmo dia, Wang reuniu-se também em Pequim com o secretário-adjunto do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Bagheri Kani, a quem transmitiu que o "diálogo e a negociação" são a "única via" para resolver a crise regional.
Os dois encontros ocorreram numa altura em que decorrem novos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, iniciada em 28 de fevereiro, e desbloquear o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 45% do petróleo importado pela China.
Teerão assegurou, na segunda-feira, que, caso Washington aceite as suas condições, poderá avançar com um plano para reabrir o estreito de Ormuz no prazo de dois dias, enquanto os dois países mantêm contactos indiretos mediados pelo Qatar.
A China mantém relações estreitas com Teerão e Riade, cuja reaproximação diplomática facilitou em 2023, e tem reiterado a oposição à escalada militar e o apoio a uma solução negociada para a guerra.