China pede resposta positiva dos EUA a proposta russa sobre armamento nuclear
A China apelou hoje aos Estados Unidos para que respondam de forma positiva à proposta da Rússia para manter os limites ao armamento estratégico, após o tratado START III ter expirado.
Em conferência de imprensa em Pequim, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou que Pequim tomou nota das "propostas construtivas" anteriormente avançadas por Moscovo para prolongar os limites previstos no tratado e expressou a esperança de que Washington "responda com boa vontade" e contribua para a preservação da estabilidade estratégica internacional.
Confrontado com informações sobre uma eventual intenção do Presidente norte-americano, Donald Trump, de incluir a China em futuras negociações de controlo de armamento, Lin reiterou a rejeição de Pequim em participar nesse tipo de conversações, argumentando que o arsenal nuclear chinês "não é comparável" ao dos Estados Unidos ou da Rússia.
A posição chinesa surge a dois dias da data prevista para o fim da vigência do tratado START III, assinado em 2010 e que limita a 1.550 o número de ogivas nucleares estratégicas que cada uma das partes pode manter.
Algo que deixaria, pela primeira vez em décadas, as duas maiores potências nucleares sem um enquadramento jurídico para a limitação dos respetivos arsenais.
Moscovo manifestou, nos últimos meses, disponibilidade para prolongar por um ano a vigência dos limites estipulados pelo START III. Pequim considera a proposta um contributo relevante para a estabilidade global, desde que receba uma resposta construtiva de Washington.
Lin Jian sublinhou que a responsabilidade principal no controlo de armamento nuclear "é dos Estados Unidos e da Rússia", que detêm os maiores arsenais do mundo, e apelou ao cumprimento das obrigações internacionais em matéria de desarmamento.
O porta-voz reforçou que a posição da China é "clara e coerente" e que exigir a sua participação em negociações de desarmamento em pé de igualdade com as duas maiores potências "não é justo nem razoável", tendo em conta que o arsenal chinês é "muito inferior".
Pequim defende que qualquer progresso rumo a um novo regime de controlo de armamento nuclear deve ter como ponto de partida a manutenção dos atuais acordos entre Washington e Moscovo, respeitando os princípios do multilateralismo e do direito internacional.