China quer unir esforços com oposição de Taiwan rumo a "rejuvenescimento" da nação
O Governo da China diz querer "continuar a reforçar os intercâmbios e contactos" com o principal partido da oposição em Taiwan e "unir esforços" para promover em conjunto o "grande rejuvenescimento da nação chinesa".
Na terça-feira, foi realizado em Pequim um fórum de centros de reflexão (think tanks) ligados ao Partido Comunista Chinês (PCC) e ao Kuomintang (KMT), considerado um passo preliminar para uma eventual reunião entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a nova presidente do partido taiwanês, Cheng Li-wun, prevista para a primeira metade deste ano.
O presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e quarto elemento na hierarquia do Estado, Wang Huning, recebeu na quarta-feira o vice-presidente do KMT, Hsiao Hsu-tsen, naquele que foi um dos encontros de mais alto nível entre os dois partidos nos últimos anos.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Chen Binhua, afirmou que o fórum desta semana demonstra o "sentido de responsabilidade" do PCC e do KMT em "procurar a paz no estreito de Taiwan, o bem-estar dos compatriotas e o rejuvenescimento da nação".
Chen acrescentou que a retoma dos intercâmbios institucionais entre os dois partidos, após quase uma década de interrupção, "tem grande importância e já produziu resultados notáveis".
"No futuro, continuaremos a reforçar os intercâmbios e os contactos com o KMT da China com base política comum no `Consenso de 1992` e na oposição à `independência de Taiwan`; manteremos uma interação positiva e promoveremos em conjunto o desenvolvimento pacífico das relações através do Estreito, unindo esforços para impulsionar o grande rejuvenescimento da nação", afirmou.
O `Consenso de 1992` refere-se a um entendimento tácito entre o PCC e o então Governo de Taiwan, liderado pelo KMT, segundo o qual ambas as partes reconheciam a existência de "uma só China", embora com interpretações divergentes sobre o seu significado.
A boa relação entre o PCC e o KMT contrasta com o tom mais hostil das relações entre Pequim e o atual Governo de Taiwan, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista, contrário à chamada `reunificação` com a China.
Após o encontro entre Wang e Hsiao, o Conselho para os Assuntos Continentais de Taiwan - organismo responsável pelas relações com a China continental - rejeitou o `Consenso de 1992`, classificando-o como uma estrutura concebida para "eliminar a República da China [nome oficial de Taiwan] e anexar Taiwan", e sublinhou que a opinião pública taiwanesa rejeita "de forma firme" essa posição.