Chuvas históricas no Japão deixam 26 mil casas sem energia

Chuvas históricas no Japão deixam 26 mil casas sem energia

Chuvas torrenciais no Japão provocaram oito mortos e deixaram 26 mil casas sem energia, além de milhares de viajantes retidos no aeroporto de Narita, em Tóquio.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Issei Kato - Reuters

Durante uma das semanas de férias mais movimentadas do Japão, mais de 360 mm de chuva caíram durante 24 horas em partes da região de Chiba, adjacente a Tóquio, inundando estradas e vias ferroviárias. Foram enviados soldados para ajudar nos esforços de resgate.

Este caso foi uma situação extremamente invulgar, mesmo para os padrões históricos do clima japonês", afirmou o governador de Chiba, Toshihito Kumagai, aos jornalistas. "Já respondi a muitos desastres no passado, mas nunca vivi um caso como este".As autoridades locais emitiram um alerta de emergência de nível 5, o mais elevado, na quinta-feira. O alerta baixou para o nível 4 na manhã de sexta-feira, mas continuam a alertar para riscos de deslizamentos de terra e inundações.

A previsão é que as chuvas se mantenham até ao final do dia de sexta-feira.

As chuvas torrenciais que caíram na noite de quinta-feira provocaram alertas de deslizamentos de terras e cortes de energia a leste da capital. Os meteorologistas emitiram, pela primeira vez, o aviso máximo para chuvas intensas na província de Chiba.

Nas zonas rurais da província, dezenas de carros, alguns cobertos de lama, foram abandonados enquanto as equipas de manutenção trabalhavam durante todo o dia para reparar estradas danificadas ou destruídas.

Entre os oito mortos, está uma pessoa presa num veículo submerso, informou a emissora pública NHK, citando as autoridades e a polícia de Chiba."Estamos a caminhar para um nível sem precedentes de chuvas intensas", alertou um responsável da Agência Meteorológica do Japão (JMA) na noite de quinta-feira, numa conferência de imprensa convocada à pressa.

Cerca de sete mil pessoas ficaram retidas durante a noite em Narita, um dos dois principais aeroportos de Tóquio
, uma vez que muitos comboios de e para o aeroporto foram cancelados até sexta-feira à tarde.

Em Narita, os funcionários do aeroporto distribuíram sacos-cama, água e snacks a centenas de passageiros, muitos dos quais se tinham instalado na quinta-feira depois de interrupções dos voos terem deixado cerca de sete mil pessoas retidas, causando o caos generalizado.

Um porta-voz do aeroporto disse que a maioria dos voos deveria operar normalmente esta sexta-feira. A companhia aérea Japan Airlines informou que alguns dos seus voos podem sofrer atrasos, mas que não espera cancelamentos.

Mais de 26 mil casas ficaram sem energia elétrica nas primeiras horas de sexta-feira, depois de a chuva ter inundado uma subestação, informou a concessionária Tokyo Electric Power, enquanto o fornecimento de gás a quase 13 mil casas foi temporariamente interrompido.

Na cidade de Chiba, um dos locais mais atingidos, centenas de pessoas passaram a noite sob cobertores térmicos em centros de acolhimento improvisados em edifícios governamentais.

Algumas das principais autoestradas de Chiba foram encerradas, obrigando os condutores a utilizar rotas alternativas que congestionavam o trânsito, informou a operadora de autoestradas NEXCO East.

Centenas de pessoas também ficaram retidas na Estação Ferroviária de Chiba na noite de quinta-feira devido à suspensão dos serviços ferroviários.

As autoridades meteorológicas informaram que os 367 mm de chuva registados num período de 24 horas em Chiba superaram o recorde anterior de 309 mm estabelecido em outubro de 2013.


Chiba registou mais de 100 mm de chuva por hora desde a tarde de quinta-feira, segundo as autoridades. Isto representa cerca de três vezes a média de chuva para agosto e o maior volume de precipitação já registado no país.Tempestades consecutivas
O dilúvio ocorre após uma série de tempestades que atingiram o Japão e países vizinhos esta semana, numa temporada de tufões que se prevê ser excecionalmente ativa.

As chuvas registadas no leste do Japão ocorrem num contexto de fortes chuvas, ciclones e consequentes inundações em vários países asiáticos este mês, que provocaram mais de 50 mortos, afetando sobretudo a China, a Índia, as Filipinas e Myanmar (antiga Birmânia).

Os cientistas acreditam que as alterações climáticas provocadas pela atividade humana estão a tornar os eventos climáticos extremos mais frequentes, mais longos e mais intensos.
No início desta semana, o Japão, as Filipinas e a China foram atingidos por tempestades consecutivas – Dolphin, Chan-Hom e Peilou – que atravessaram a região em simultâneo.

Dolphin trouxe chuvas fortes para a ilha japonesa de Okinawa, provocando cortes de energia em dezenas de milhares de edifícios, derrubando árvores e cancelando voos.

Durante o fim de semana, as autoridades chinesas evacuaram mais de um milhão de pessoas das suas casas, enquanto Dolphin, o tufão mais forte a atingir a China este ano, chegava ao leste do país.

c/ agências 
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