CNS admite intervenção militar na Síria

Conselho Nacional Sírio admitiu hoje a possibilidade de uma intervenção militar no país, em alternativa a uma "guerra civil prolongada".

Graça Andrade Ramos, RTP /
Homs está a ser continuamente bombardeada desde três de fevereiro actvistas em Homs, EPA

O bombardeamento de Homs dura há 17 dias consecutivos e já fez centenas de mortos incluindo 40 pessoas nas últimas horas, entre as quais três mulheres, três crianças e dois jornalistas ocidentais.

Uma das vítimas mortais será Rami al-Sayed, o autor de um vídeo dos bombardeamentos da cidade, usado por média de todo o mundo. Foi atingido fatalmente, por estilhaços.

A Cruz Vermelha já pediu a Damasco a abertura de corredores humanitários para acudir às populações de Homs onde, além dos mortos, haverá milhares de feridos sem cuidados e onde é impossivel sair à rua em busca de alimentos ou de água. Até agora não obteve resposta.

A França instou esta quarta-feira o regime sírio a suspender os bombardeamentos e a permitir o auxílio. E a Rússia, aliada tradicional de Damasco, afirma que solicitou às Nações Unidas o envio de um mediador que fale com todos os intervenientes na crise síria, para conseguir o envio de auxílio humanitário.
Intervenção militar
Pela primeira vez o Conselho Nacional Sírio (CNS), a organização que agrupa os vários movimentos de oposição a Bashar al-Assad, admitiu esta quarta-feira que a única possibilidade de resolver a crise será a intervenção militar.

"Estamos muito próximo de ver a intervenção militar como a única solução. Há dois males, a intervenção militar ou a guerra civil prolongada", afirmou em Paris Basma Kodmani, um alto responsável do CNS.

Os Estados Unidos afirmaram já que continuam a preferir uma solução política mas esta terça-feira e perante o impasse diplomático, pareceram abrir a porta a alternativas musculadas.

"Não pomos de parte medidas adicionais", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. E a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, afirmou "se não conseguirmos convencer Assad a ceder pela pressão que estamos todos a exercer, poderemos vir a ter de considerar outras medidas".

A crise em Homs e as recentes mortes deverão dominar a reunião dos "Amigos da Síria", marcada para Tunes, capital da Tunísia, na próxima sexta-feira e que irá juntar mais de 70 países e grupos.
Aldeãos caçados e abatidos
A violência está a agravar-se ainda noutras zonas da Síria. Esta terça-feira as tropas leais ao governo de Bashar al-Assad terão capturado e morto 27 homens em várias aldeias do norte da Síria, num novo sinal do agravamento da repressão contra os rebeldes.

"Entraram em várias aldeias e caçaram os habitantes, prenderam-nos e mataram-nos sem hesitar. Concentraram-se nos jovens rapazes e quem não conseguiu fugir, foi morto", afirmou em comunicado a Rede Síria para os Direitos Humanos, organização próxima da fronteira com a Turquia.

Foram três as aldeias visadas, na província de Idlib e, segundo a organização, só sobreviveu um rapaz.
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