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Jornalistas ocidentais mortos em Homs

Marie Colvin, correspondente do Sunday Times e Remi Ochlik, um fotógrafo francês, eram ambos veteranos na cobertura de zonas de guerra. Terão morrido no bombardeamento de um edifício onde se encontravam, no bairro de Baba Amr, em Homs. Várias outras pessoas morreram e três outros jornalistas terão ficado feridos, segundo ativistas no local.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Marie Colbin e Rémi Ochlik tinham ambos grande experiência como repórteres de guerra RTP

As vítimas encontravam-se numa casa usada como centro de imprensa pelos rebeldes. O jardim do edifício foi igualmente bombardeado quando as pessoas tentaram fugir.

Em Paris, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros Alain Juppé, garantiu que as mortes serão investigadas. “É mais uma demonstração da deterioração da situação na Síria e de uma repressão que se torna cada vez mais intolerável”, afirmou.

O secretário britânico para a Cultura lamentou no twitter a morte de Marie Colbin. “Notícias trágicas sobre Marie Colvin, uma mulher corajosa e uma excelente repórter. Penso na família e nos amigos,” escreveu.

O bombardeamento de Homs dura há 17 dias consecutivos e já fez centenas de mortos incluindo 40 pessoas nas últimas horas, entre as quais três mulheres, três crianças e os dois jornalistas ocidentais.

Uma das outras vítimas mortais será Rami al-Sayed, o autor de um vídeo dos bombardeamentos da cidade, usado por média de todo o mundo. Foi atingido fatalmente por estilhaços.
Veteranos de guerra
Marie Colvin nasceu nos Estados Unidos da América mas morava em Londres. Jornalista há mais de 25 anos, recebeu diversos prémios pelo seu trabalho.

Por várias vezes trabalhou em cenários de guerra, como no Kosovo e na Chechénia, além de vários países árabes e, muitas vezes, sozinha. Ficou ferida e perdeu um olho durante uma reportagem na zona rebelde do Sri Lanka.

Colvin corria muitas vezes risco de vida mas dizia que a reportagem em conflitos tinha de continuar. “A nossa missão é relatar estes horrores da guerra com precisão e sem preconceitos”, afirmou em 2011 numa cerimónia de homenagem a jornalistas mortos em conflitos.

“Devemos sempre perguntar-nos se a história compensa o risco,” acrescentou. Na terça-feira, afirmou à BBC ter vistos cenas “repugnantes” em Homs, incluindo a morte de um bebé atingido por estilhaços.

Rémi Ochlik nasceu em 1983 em França e trabalhava desde 2004 como repórter de guerra a partir de Paris, onde fundou com dois outros fotógrafos a empresa IP3 Press.

Cobriu os conflitos no Congo, no Haiti e a Primavera Árabe na Tunísia e no Egipto. Ganhou ainda um primeiro prémio da World Press Photo por uma fotografia de um rebelde na Líbia.
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