Mundo
Cólera de Ferguson alastra pela América
O Grande Júri decidiu ilibar o agente da polícia que em agosto atingiu mortalmente o jovem negro Michael Brown, em Ferguson, no Estado norte-americano do Missouri. O polícia Darren Wilson alega legítima defesa e o Grande Júri considerou não haver motivos para avançar com um processo judicial. A segunda noite depois do anúncio da decisão voltou a ser marcada por protestos violentos. Em diferentes cidades dos Estados Unidos.
Desde a semana passada que os protestos têm levado um rasto de destruição à cidade de Ferguson, com pilhagens de lojas, carros incendiados e confrontos com a polícia.
Na noite desta terça-feira, a situação acalmou em Ferguson. Mas houve protestos noutras cidades norte-americanas.
Uma noite mais calma
Na segunda noite depois de ter sido divulgada a decisão do Grande Júri, Ferguson viveu uma noite mais calma, mas muito longe do que seria normal. Segundo as autoridades, há pelo menos duas viaturas queimadas, uma dúzia de edifícios incendiados e pelo menos 150 disparos.
Os manifestantes atiraram pedras, tijolos e garrafas de urina, tendo ainda sido apreendido um cocktail motolov, indica The Guardian. Foram realizadas 44 detenções e a polícia utilizou gás lacrimogénio para dispersar os manifestantesAs autoridades consideram que esta noite foi “muito melhor” do que a de segunda-feira, depois de ter sido reforçada a presença policial na cidade..
Os protestos em Ferguson começaram já na semana passada, quando o Grande Júri estava reunido, mas intensificaram-se desde o anúncio da decisão.
Os 12 juízes decidiram não avançar com um processo criminal contra Darren Wilson, o agente que abateu um jovem adolescente negro de 18 anos, no passado mês de agosto. (Reportagem de António Mateus)
Depois de ouvir vários testemunhos e de analisar o caso, os jurados consideraram não existir “motivo suficiente” para processar judicialmente o agente, que alega ter agido em legítima defesa.
A família da vítima afirma estar “profundamente desiludida” pelo facto do “assassino do adolescente não ser confrontado com as consequências dos seus atos”. Protestos alastram
De uma ponta a outra dos Estados Unidos, há focos de protestos. Terão ocorrido em mais de 170 cidades, localizadas em 37 Estados, segundo a cadeia CNN. Na sua maioria, foram protestos que pautaram pelo pacifismo e pela denúncia do que consideram ser uma injustiça.
Em Nova Iorque, houve manifestações em Times Square. Em Washington, aconteceram junto à Casa Branca. Pediu-se “justiça por Michael Brown”. Darren Wilson foi acusado nas ruas de ter assassinado o jovem afro-americano.
“Mãos ao ar, não se atira”, gritaram os manifestantes junto à residência oficial do Presidente norte-americano.
(Foto: Joshua Roberts, Reuters)
Alguns protestos seguiam mesmo sem rumo, com os manifestantes a mudarem constantemente de direção de forma a escapar ao controlo policial. Os manifestantes nova-iorquinos chegaram mesmo a bloquear a circulação no Lincoln Tunnel, que faz a ligação entre Manhattan e New Jersey.
Em Los Angeles, Denver, Dallas, Minneapolis e Chicago também há relatos de protestos. Situações mais violentas ocorreram em Boston, no Estado de Massachusetts, e na cidade de Atlanta, na Georgia, que levaram a polícia a agir.
“Não nos deram justiça, não lhes daremos paz”, gritaram em Atlanta.
De uma ponta à outra do país, os manifestantes protestam contra uma decisão e um acto que consideram racista. Uma versão que contrasta com o divulgado por Wilson.
"Consciência Tranquila"
Foi um homem que se afirma de “consciência tranquila” por ter “realizado o seu trabalho segundo as regras” que deu a sua primeira entrevista televisiva à cadeia americana ABC News. A entrevista foi parcialmente emitida esta terça-feira. Darren Wilson considera que agiu da melhor forma possível e afirma que temeu pela sua própria vida, o que o levou a disparar. Wilson alega que o jovem negro lhe bateu quando se encontrava dentro da viatura, com a janela aberta.
“Senti-me como uma criança de cinco anos agarrado a Hulk”, declarou o agente aos doze membros do Grande Júri, realçando a “imensa força” que Brown tinha.
O agente explica que pegou na arma e teve receio que Brown lha tirasse, o que o levou a atirar. O jovem negro acabou por fugir, tendo sido perseguido pelo agente policial. Wilson afirma que Brown parou um pouco mais tarde, e enfrentou o polícia. Terá recusado entregar-se e terá tentado aproximar-se, o que levou o agente a disparar.
A versão do polícia, que se encontra suspenso desde o trágico acontecimento, contrasta com a do amigo de Michael Brown, que o acompanhava naquele dia. Dorian Johnson afirma que o jovem adolescente estava já com as mãos ao ar quando foi abatido.
Obama apela a atitude mais construtiva
Barack Obama dirigiu-se também na terça-feira aos norte-americanos. O Presidente condenou as recentes manifestações violentas e afirmou que “o que aconteceu em Ferguson não serve de desculpa para a violência”. “Não tenho qualquer simpatia por quem destrói as suas próprias comunidades” afirmou mesmo Obama.
O Presidente afirma existirem “formas produtivas de responder e exprimir essas frustrações”, que não incluem “queimar edifícios, incendiar carros, destruir propriedade e colocar pessoas em risco”.
Para além da decisão tomada pelo Grande Júri, há ainda uma investigação federal em curso. O procurador-geral dos Estados Unidos afirma que este é um inquérito “independente da investigação local” e que “assim continuará”.
Na noite desta terça-feira, a situação acalmou em Ferguson. Mas houve protestos noutras cidades norte-americanas.
Uma noite mais calma
Na segunda noite depois de ter sido divulgada a decisão do Grande Júri, Ferguson viveu uma noite mais calma, mas muito longe do que seria normal. Segundo as autoridades, há pelo menos duas viaturas queimadas, uma dúzia de edifícios incendiados e pelo menos 150 disparos.
Os manifestantes atiraram pedras, tijolos e garrafas de urina, tendo ainda sido apreendido um cocktail motolov, indica The Guardian. Foram realizadas 44 detenções e a polícia utilizou gás lacrimogénio para dispersar os manifestantesAs autoridades consideram que esta noite foi “muito melhor” do que a de segunda-feira, depois de ter sido reforçada a presença policial na cidade..
Os protestos em Ferguson começaram já na semana passada, quando o Grande Júri estava reunido, mas intensificaram-se desde o anúncio da decisão.
Os 12 juízes decidiram não avançar com um processo criminal contra Darren Wilson, o agente que abateu um jovem adolescente negro de 18 anos, no passado mês de agosto. (Reportagem de António Mateus)
Depois de ouvir vários testemunhos e de analisar o caso, os jurados consideraram não existir “motivo suficiente” para processar judicialmente o agente, que alega ter agido em legítima defesa.
A família da vítima afirma estar “profundamente desiludida” pelo facto do “assassino do adolescente não ser confrontado com as consequências dos seus atos”. Protestos alastram
De uma ponta a outra dos Estados Unidos, há focos de protestos. Terão ocorrido em mais de 170 cidades, localizadas em 37 Estados, segundo a cadeia CNN. Na sua maioria, foram protestos que pautaram pelo pacifismo e pela denúncia do que consideram ser uma injustiça.
Em Nova Iorque, houve manifestações em Times Square. Em Washington, aconteceram junto à Casa Branca. Pediu-se “justiça por Michael Brown”. Darren Wilson foi acusado nas ruas de ter assassinado o jovem afro-americano.
“Mãos ao ar, não se atira”, gritaram os manifestantes junto à residência oficial do Presidente norte-americano.
Alguns protestos seguiam mesmo sem rumo, com os manifestantes a mudarem constantemente de direção de forma a escapar ao controlo policial. Os manifestantes nova-iorquinos chegaram mesmo a bloquear a circulação no Lincoln Tunnel, que faz a ligação entre Manhattan e New Jersey.
Em Los Angeles, Denver, Dallas, Minneapolis e Chicago também há relatos de protestos. Situações mais violentas ocorreram em Boston, no Estado de Massachusetts, e na cidade de Atlanta, na Georgia, que levaram a polícia a agir.
“Não nos deram justiça, não lhes daremos paz”, gritaram em Atlanta.
De uma ponta à outra do país, os manifestantes protestam contra uma decisão e um acto que consideram racista. Uma versão que contrasta com o divulgado por Wilson.
"Consciência Tranquila"
Foi um homem que se afirma de “consciência tranquila” por ter “realizado o seu trabalho segundo as regras” que deu a sua primeira entrevista televisiva à cadeia americana ABC News. A entrevista foi parcialmente emitida esta terça-feira. Darren Wilson considera que agiu da melhor forma possível e afirma que temeu pela sua própria vida, o que o levou a disparar. Wilson alega que o jovem negro lhe bateu quando se encontrava dentro da viatura, com a janela aberta.
“Senti-me como uma criança de cinco anos agarrado a Hulk”, declarou o agente aos doze membros do Grande Júri, realçando a “imensa força” que Brown tinha.
O agente explica que pegou na arma e teve receio que Brown lha tirasse, o que o levou a atirar. O jovem negro acabou por fugir, tendo sido perseguido pelo agente policial. Wilson afirma que Brown parou um pouco mais tarde, e enfrentou o polícia. Terá recusado entregar-se e terá tentado aproximar-se, o que levou o agente a disparar.
A versão do polícia, que se encontra suspenso desde o trágico acontecimento, contrasta com a do amigo de Michael Brown, que o acompanhava naquele dia. Dorian Johnson afirma que o jovem adolescente estava já com as mãos ao ar quando foi abatido.
Obama apela a atitude mais construtiva
Barack Obama dirigiu-se também na terça-feira aos norte-americanos. O Presidente condenou as recentes manifestações violentas e afirmou que “o que aconteceu em Ferguson não serve de desculpa para a violência”. “Não tenho qualquer simpatia por quem destrói as suas próprias comunidades” afirmou mesmo Obama.
O Presidente afirma existirem “formas produtivas de responder e exprimir essas frustrações”, que não incluem “queimar edifícios, incendiar carros, destruir propriedade e colocar pessoas em risco”.
Para além da decisão tomada pelo Grande Júri, há ainda uma investigação federal em curso. O procurador-geral dos Estados Unidos afirma que este é um inquérito “independente da investigação local” e que “assim continuará”.