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Colisão de comboios de alta velocidade em Espanha faz mais de 60 mortos

Colisão de comboios de alta velocidade em Espanha faz mais de 60 mortos

São já 68 os mortos no acidente ferroviário ocorrido na manhã desta quarta-feira, perto da estação de Urda, em Toledo. Governo espanhol decreta três dias de luto. Portugal já se disponibilizou para colaborar com as autoridades espanholas no contexto do acidente.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
As autoridades confirmam, para já, a existência de 80 pessoas feridas, 50 delas estão em estado grave. Oscar Del Pozo via AFP

(em atualização)

O Primeiro-ministro espanhol confirmou a existência de 68 mortos na sequência do acidente ferroviário em Toledo. O anúncio foi feito numa conferência de imprensa por Pedro Sánchez, após ter estado no local do acidente.


"Se houve negligência, será conhecida", fez questão de anunciar. "Toda a Espanha está de luto", adiantou

"Não é aceitável que um país como Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano", sublinhou, referindo-se ao acidente ferroviário de Adamuz, na Andaluzia, que matou 46 pessoas em janeiro.

"Não é aceitável que um país como Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano", sublinhou, referindo-se ao acidente ferroviário de Adamuz, na Andaluzia, que matou 46 pessoas em janeiro.

O primeiro-ministro anunciou que o Governo vai decretar três dias de luto nacional.

A colisão entre dois comboios de alta velocidade, pouco antes das 09:00 locais (menos uma hora em Lisboa), causou para já 68 mortos. Fontes citadas pela imprensa espanhola informaram que há 108 feridos, 58 deles em estado grave.



O desastre deu-se pelas 8h54, segundo fontes dos serviços espanhóis de emergência ouvidas pela imprensa local.

A correspondente da RTP em Espanha, Ana Romeu traz os pormenores do resgate das vítimas do acidente.

Na manhã desta quarta-feira, um comboio abalroou uma outra composição, perto da estação ferroviária de Urda, localidade da província de Toledo, no centro de Espanha. 

À medida que o tempo avança, conhecem-se os rostos das pessoas desaparecidas.

A Confederação Espanhola de Organizações Patronais (CEOE) confirmou que Fátima Báñez, antiga Ministra do Trabalho e da Segurança Social, entre 2011 a 2018, está desaparecida. 

Também o presidente do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo disse, numa declaração publicada na rede social X que não tinham ainda informações sobre o paradeiro da antiga ministra do Trabalho.Viajava no vagão 1 do comboio Iryo e seguia para Sevilha para participar num evento de negócios. 

O comboio AVE 2080, que fazia o percurso entre Madrid e Sevilha com 397 passageiros a bordo, terá colidido na traseira do comboio Iryo 6076, que também viajava entre Madrid e Sevilha, transportando 146 passageiros, e ficou terá ficado parado na via.

Este acidente aconteceu poucos meses depois do acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), que deixou 46 mortos após um comboio da linha Iryo (Málaga-Madrid) descarrilar e invadir a linha adjacente e colidir com um trem da linha Alvia (Madrid-Huelva).
Seguro solidário adia comemorações dos 170 anos dos caminhos de ferro
O Presidente da República, António José Seguro, adiou o evento comemorativo dos 170 anos da inauguração dos caminhos de ferro em Portugal, previsto para esta terça-feira à tarde, em solidariedade com as vítimas do grave acidente ferroviário ocorrido na província de Toledo, em Espanha.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, a 28 de outubro, o chefe de Estado anunciou que a iniciativa foi adiada para data a designar, justificando a decisão com a necessidade de manifestar "solidariedade e respeito" pelas vítimas e pelo povo espanhol.

António José Seguro enviou também uma mensagem de pesar ao rei de Espanha, Felipe VI, na sequência do acidente ferroviário, que provocou dezenas de mortos e numerosos feridos.

Na mensagem, o Presidente da República manifestou "profunda consternação" perante a tragédia e apresentou, em nome pessoal e em nome do povo português, "sentidas condolências às famílias enlutadas e a todo o povo espanhol".

Ao início da tarde desta quarta-feira, o primeiro-ministro disse que já transmitiu ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, as condolências e solidariedade de Portugal.

Montenegro também demonstrou disponibilidade para colaborar com as autoridades espanholas no contexto do acidente ferroviário em Toledo.

Luís Montenegro falava no Parlamento, na pausa para almoço do segundo dia do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2027.

Questionado pelos jornalistas se já tinha informação sobre a existência de vítimas portuguesas entre os mais de 60 mortos confirmados, Montenegro disse não ter ainda detalhes.


Ordem "inexplicável" a maquinista provocou colisãoEm conferência de imprensa que aconteceu ao início da tarde desta quarta-feira em Madrid, o ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente, disse ter havido por volta das 08h30 locais (07h30 em Lisboa), uma falha no sistema automático de segurança, por causa de falhas nas redes de comunicação, o que obrigou a parar de forma automática todos os comboios que circulavam num troço de 63 quilómetros.

Devido à falha informática, o controlo da circulação passou a ser assumida por um centro de controlo que funciona em Madrid.

De acordo com a explicações do ministro, às 08h36, um dos comboios (um AVE, da empresa pública Renfe) recebeu uma ordem ou foi autorizado a "retomar a marcha com normalidade" e chocou com um outro comboio, da empresa privada Iryo, que continuava parado à entrada da estação de Urda.

Oscar Puente informa que nessa altura, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nesse troço de 63 quilómetros, "tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha", havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir.

O ministro explicou que o comboio da Renfe percorreu ainda 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes de chocar com o Iryo, num tramo de via em que estas composições podem alcançar os 200 quilómetros por hora.

"Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil" e a indicação dada pelo centro de controlo é "inexplicável", considerou o ministro.

Em declarações à RTP, Pedro Meda Magalhães, da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro, considerou prematuro atribuir o acidente ferroviário em Espanha a erro humano, defendendo que é necessário apurar as circunstâncias da colisão.

"É surpreendente que logo à primeira hora se tenha apontado o erro humano como causa do acidente"
, afirmou à RTP, questionando ser necessário aferir "Qual erro humano? De quem?"

O especialista apontou a necessidade de investigar uma eventual falha de sinalização e perceber por que razão um dos comboios estava parado. 

"Podemos estar perante a ocorrência de vários erros humanos, em conjunto com erros de natureza técnica", afirmou.

Sobre a violência do embate, referiu que os danos nas carruagens apontam para um impacto que "deverá ter acontecido acima de 100 quilómetros por hora".



Pouco tempo depois do acidente, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou-se "profundamente consternado" com o acidente, expressando "solidariedade e apoio às vítimas e aos seus familiares", numa mensagem publicada na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.

O Congresso dos Deputados espanhol anunciou o cancelamento de todos os eventos previstos para esta quarta-feira, na sequência do acidente.

Em Madrid, está também a ser preparada uma sala na estação ferroviária de Atocha para prestar apoio aos familiares de possíveis vítimas e feridos. 

Segundo a vice-presidente da Câmara Municipal de Madrid, Inmaculada Sanz, várias equipas do Serviço de Assistência Municipal de Urgência e Resgate (SAMUR) deslocaram-se à estação para organizar o dispositivo de apoio.
Reações via rede social XAs reações ao acidente ferroviário em Toledo multiplicaram-se nas redes sociais, com líderes políticos europeus e a Casa Real espanhola a manifestarem pesar pelas vítimas e solidariedade com as famílias.


O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, apresentou "as condolências e profunda solidariedade às famílias das vítimas". A Casa Real espanhola afirmou estar "comovida e preocupada" com o acidente, partilhando "a dor das famílias e entes queridos dos falecidos". Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou "profunda consternação" e apresentou condolências aos familiares das vítimas. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou: "Hoje, a Europa está de luto com vocês".
Jornalista faz o relato da tragédiaO jornalista do El País Manuel Viejo, que seguia num dos comboios envolvidos no acidente ferroviário em Toledo, descreve um cenário de pânico e confusão nos momentos que se seguiram à colisão. 

No interior das carruagens, vários passageiros gritavam e eram projetados contra os assentos. Entre os feridos, havia pessoas com traumatismos cranianos e fraturas.
Jesús Jerónimo, de 54 anos, que viajava no segundo vagão do comboio de alta velocidade com destino a Sevilha, recorda o impacto: "Estava a trabalhar no meu computador quando senti uma aceleração muito forte e fui projetado contra o banco da frente". O passageiro relatou ainda que "as pessoas foram projetadas para fora do comboio. Pensámos que tínhamos descarrilado".

Já no exterior, os sobreviventes depararam-se com vários feridos e passageiros em estado de choque. "Havia muitos feridos e muitas pessoas estavam abaladas", contou Jerónimo, acrescentando que alguns passageiros procuravam ajudar as equipas de emergência, segurando "sacos de soro com as mãos".

Também alguns trabalhadores que se encontravam numa propriedade próxima acorreram ao local. "As pessoas estavam a tentar sair pelas janelas", relatou David Gómez, que, juntamente com os colegas, ajudou a libertar a área e a prestar os primeiros socorros.
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