Colisão de comboios de alta velocidade em Espanha faz mais de 60 mortos
São já 68 os mortos no acidente ferroviário ocorrido na manhã desta quarta-feira, perto da estação de Urda, em Toledo. Governo espanhol decreta três dias de luto. Portugal já se disponibilizou para colaborar com as autoridades espanholas no contexto do acidente.
"Não é aceitável que um país como Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano", sublinhou, referindo-se ao acidente ferroviário de Adamuz, na Andaluzia, que matou 46 pessoas em janeiro.
O primeiro-ministro anunciou que o Governo vai decretar três dias de luto nacional.
A colisão entre dois comboios de alta velocidade, pouco antes das 09:00 locais (menos uma hora em Lisboa), causou para já 68 mortos. Fontes citadas pela imprensa espanhola informaram que há 108 feridos, 58 deles em estado grave.
Também o presidente do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo disse, numa declaração publicada na rede social X que não tinham ainda informações sobre o paradeiro da antiga ministra do Trabalho.Viajava no vagão 1 do comboio Iryo e seguia para Sevilha para participar num evento de negócios.Pendientes de noticias de Fátima Báñez, presidenta de Fundación CEOE, que viajaba en uno de los trenes accidentados en Toledo Los empresarios estamos consternados por el accidente ferroviario y trasladamos nuestras condolencias a las familias y todo el apoyo a los afectados https://t.co/8M0QEryVH4
— CEOE (@CEOE_ES) October 28, 2026
O Presidente da República, António José Seguro, adiou o evento comemorativo dos 170 anos da inauguração dos caminhos de ferro em Portugal, previsto para esta terça-feira à tarde, em solidariedade com as vítimas do grave acidente ferroviário ocorrido na província de Toledo, em Espanha.
Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, a 28 de outubro, o chefe de Estado anunciou que a iniciativa foi adiada para data a designar, justificando a decisão com a necessidade de manifestar "solidariedade e respeito" pelas vítimas e pelo povo espanhol.
António José Seguro enviou também uma mensagem de pesar ao rei de Espanha, Felipe VI, na sequência do acidente ferroviário, que provocou dezenas de mortos e numerosos feridos.
Na mensagem, o Presidente da República manifestou "profunda consternação" perante a tragédia e apresentou, em nome pessoal e em nome do povo português, "sentidas condolências às famílias enlutadas e a todo o povo espanhol".
Montenegro também demonstrou disponibilidade para colaborar com as autoridades espanholas no contexto do acidente ferroviário em Toledo.
Luís Montenegro falava no Parlamento, na pausa para almoço do segundo dia do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2027.
Questionado pelos jornalistas se já tinha informação sobre a existência de vítimas portuguesas entre os mais de 60 mortos confirmados, Montenegro disse não ter ainda detalhes.
Devido à falha informática, o controlo da circulação passou a ser assumida por um centro de controlo que funciona em Madrid.
De acordo com a explicações do ministro, às 08h36, um dos comboios (um AVE, da empresa pública Renfe) recebeu uma ordem ou foi autorizado a "retomar a marcha com normalidade" e chocou com um outro comboio, da empresa privada Iryo, que continuava parado à entrada da estação de Urda.
Oscar Puente informa que nessa altura, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nesse troço de 63 quilómetros, "tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha", havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir.
O ministro explicou que o comboio da Renfe percorreu ainda 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes de chocar com o Iryo, num tramo de via em que estas composições podem alcançar os 200 quilómetros por hora.
"Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil" e a indicação dada pelo centro de controlo é "inexplicável", considerou o ministro.
"É surpreendente que logo à primeira hora se tenha apontado o erro humano como causa do acidente", afirmou à RTP, questionando ser necessário aferir "Qual erro humano? De quem?"
O especialista apontou a necessidade de investigar uma eventual falha de sinalização e perceber por que razão um dos comboios estava parado.
Sobre a violência do embate, referiu que os danos nas carruagens apontam para um impacto que "deverá ter acontecido acima de 100 quilómetros por hora".
O Congresso dos Deputados espanhol anunciou o cancelamento de todos os eventos previstos para esta quarta-feira, na sequência do acidente.Consternado ante el grave accidente de trenes en Toledo. Permanezco en constante contacto con el ministro de Transportes, @oscar_puente_, y con el presidente de Castilla-La Mancha, @garciapage. Los servicios de emergencia están trabajando sobre el terreno para atender a las personas afectadas y garantizar su seguridad, en coordinación con todas las administraciones implicadas. Mi cariño, solidaridad y apoyo a todas las víctimas y sus familias.
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) October 28, 2026
Em Madrid, está também a ser preparada uma sala na estação ferroviária de Atocha para prestar apoio aos familiares de possíveis vítimas e feridos.
Jesús Jerónimo, de 54 anos, que viajava no segundo vagão do comboio de alta velocidade com destino a Sevilha, recorda o impacto: "Estava a trabalhar no meu computador quando senti uma aceleração muito forte e fui projetado contra o banco da frente". O passageiro relatou ainda que "as pessoas foram projetadas para fora do comboio. Pensámos que tínhamos descarrilado".
Já no exterior, os sobreviventes depararam-se com vários feridos e passageiros em estado de choque. "Havia muitos feridos e muitas pessoas estavam abaladas", contou Jerónimo, acrescentando que alguns passageiros procuravam ajudar as equipas de emergência, segurando "sacos de soro com as mãos".
Também alguns trabalhadores que se encontravam numa propriedade próxima acorreram ao local. "As pessoas estavam a tentar sair pelas janelas", relatou David Gómez, que, juntamente com os colegas, ajudou a libertar a área e a prestar os primeiros socorros.