Colômbia manifesta à Venezuela oposição por encerramento noturno da fronteira

Caracas, 18 set (Lusa) - A Colômbia voltou hoje a questionar a decisão venezuelana de encerrar durante a noite os 2.200 quilómetros de fronteira conjunta e anunciou ter pedido uma reunião bilateral para discutir a questão.

Lusa /

"Já dissemos várias vezes, diplomaticamente, que não concordamos com o encerramento da fronteira", disse aos jornalistas a ministra colombiana de Relações Exteriores.

Maria Ângela Holguín precisou que irá reunir-se na próxima semana em Nova Iorque com o seu homólogo venezuelano, Rafael Ramírez, para tratar da recente decisão do Governo venezuelano de prolongar o encerramento da fronteira.

"É uma reunião que no quadro da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde vou reiterar a nossa oposição ao encerramento da fronteira", disse a ministra.

A 11 de agosto a Venezuela enviou pelo menos 17.000 militares para a fronteira com a Colômbia, no âmbito de uma série de medidas para combater o contrabando de produtos básicos e de combustível que gera elevadas perdas financeiras a ambos países.

O envio dos militares teve lugar horas antes de a Venezuela e a Colômbia encerrarem, pela primeira vez, durante a noite, a fronteira comum, para combater o contrabando.

Desde então a fronteira entre ambos países permanece encerrada entre as 22:00 e as 05:00, horas locais.

Segundo o governo venezuelano, o encerramento da fronteira, foi decidido pelos presidentes dos dois países, o venezuelano Nicolás Maduro e o colombiano Juan Manuel Santos, durante a reunião que mantiveram no passado dia 01 de agosto, na cidade de Cartagena, na Colômbia, e centrada na questão do contrabando.

Dois dias depois a Colômbia acusou a Venezuela de decidir "de maneira unilateral" encerrar os mais de 2.200 quilómetros de fronteira comum, e disse duvidar que a medida contribua para combater o contrabando.

A 11 de setembro o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que iria "prorrogar por mais três meses" a restrição da circulação de carga e pessoas nas zonas fronteiriças.

De acordo com o governo venezuelano, o contrabando, faz sair do país 40% de bens essenciais e 100.000 barris de petróleo por dia, gerando perdas anuais de 3,65 mil milhões de dólares (2,83 mil milhões de euros).

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