Colômbia mobiliza 30 mil soldados para a fronteira com Venezuela
A Colômbia vai mobilizar 30 mil soldados ao longo dos 2.219 quilómetros de fronteira com a Venezuela, para garantir a segurança do país, após os Estados Unidos (EUA) terem capturado o Presidente venezuelano.
O anúncio foi feito no sábado pela diretora do Departamento Administrativo da Presidência (Dapre), Angie Rodríguez, numa conferência de imprensa em Cúcuta, capital do departamento de Norte de Santander, após a instalação de um posto de comando unificado (PMU, na sigla em castelhano) para lidar com a situação na fronteira.
"O governo nacional ordenou o destacamento de 30 mil soldados para a fronteira com a Venezuela, priorizando áreas críticas da fronteira, dentro de um plano de resposta abrangente e coordenado que envolve todas as entidades do Estado colombiano", declarou Rodríguez.
Na mesma conferência de imprensa, o ministro da Defesa colombiano indicou que a situação na região fronteiriça é de "alta tensão" devido à presença de vários grupos armados ilegais, como a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), que poderá aproveitar a situação na Venezuela para lançar ataques.
Pedro Sánchez Suárez disse que o destacamento militar permitirá "uma resposta coordenada às ameaças na região (...) principalmente ao cartel de droga ELN e ao gangue Tren de Aragua", ambos incluídos pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas estrangeiras.
"A ameaça à Colômbia não vem de outras nações, mas do crime transnacional que tenta levar este veneno [a droga] aos países consumidores e destabilizar a região", afirmou o ministro.
Horas antes, o Presidente dos Estados Unidos avisou o homólogo da Colômbia, Gustavo Petro, para "tomar cuidado".
Petro "tem laboratórios de cocaína, tem fábricas onde produz cocaína", disse Donald Trump numa conferência de imprensa na Florida, em que avisou o chefe de Estado da Colômbia de que deve "ficar de olho".
Gustavo Petro afirmou, nas redes sociais, não estar "nada preocupado".
Em dezembro, Trump já havia alertado que Petro seria "o próximo" depois de Maduro.
Na mesma conferência de imprensa, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que também o Governo cubano devia "estar preocupado".
Os Estados Unidos lançaram "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
O Governo venezuelano denunciou a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.
A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda de Maduro.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela", alertando que a ação militar dos Estados Unidos poderá ter "implicações preocupantes" para a região.