Combatentes de Cabo Verde pedem "libertação imediata" de Domingos Simões Pereira
A Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP) de Cabo Verde apelou à libertação do opositor Domingos Simões Pereira na Guiné-Bissau e uma "atuação firme" das organizações internacionais para evitar um novo ciclo de instabilidade.
"Os combatentes da liberdade da pátria de Cabo Verde, através da ACOLP, exprimem a sua solidariedade total com o povo guineense, com os presos políticos e com todos os que lutam pacificamente pelo regresso da legalidade democrática, apelando à libertação imediata de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e de todos os presos políticos", lê-se num comunicado enviado na terça-feira, a que a Lusa teve hoje acesso.
A associação defendeu ainda o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais e o "restabelecimento urgente" da ordem constitucional e democrática na Guiné-Bissau, incluindo o respeito pelos resultados eleitorais e pelo funcionamento normal das instituições da República.
A ACOLP instou igualmente as autoridades cabo-verdianas, nomeadamente o chefe de Estado, o presidente da Assembleia Nacional e o primeiro-ministro, a condenarem "inequivocamente" o que se passa na Guiné-Bissau e a desenvolverem esforços continuados para o restabelecimento da ordem constitucional.
No mesmo documento, é dirigido um apelo à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), à União Africana, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e às Nações Unidas para que "atuem de forma firme, coerente e eficaz", para pôr fim à "subversão constitucional e evitar um novo ciclo de instabilidade e sofrimento para o povo guineense".
"Defender a liberdade e a democracia na Guiné-Bissau é honrar a memória dos que, como Amílcar Cabral, deram a vida pela liberdade", referiu a ACOLP, manifestando "condenação e indignação" perante a situação política no país.
Segundo a associação, os combatentes acompanham "com profunda preocupação" os acontecimentos, em particular a "prisão arbitrária" do líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
Para a ACOLP, estes atos atentam contra a dignidade humana e constituem uma violação grave dos princípios do Estado de direito e da Constituição da Guiné-Bissau.
"Rejeitamos com veemência que a Guiné-Bissau volte a mergulhar num ciclo de arbitrariedade, medo e violência política, considerando que o que se passa no país constitui uma traição aos ideais de Amílcar Cabral e aos valores de liberdade, justiça, dignidade e respeito pela vontade dos povos", acrescentou.
Na sexta-feira, o Presidente angolano, João Lourenço, exigiu a "libertação incondicional" do presidente do PAIGC, detido na sequência do golpe militar de 26 de novembro de 2025, ocorrido um dia antes da divulgação dos resultados das eleições de 23 de novembro.
Também o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou à libertação dos presos políticos na Guiné-Bissau, "sobretudo de Domingos Simões Pereira", defendendo o diálogo como via para garantir a democracia.
Os militares guineenses têm respondido, classificando estes apelos como "ingerências externas" nos assuntos internos do país.
Domingos Simões Pereira permanece detido e incomunicável desde o dia do golpe, sem acusação formal conhecida.