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Combustíveis não fósseis são insuficientes para descarbonizar aviação

Combustíveis não fósseis são insuficientes para descarbonizar aviação

Os combustíveis não fósseis não serão suficientes para reduzir a pegada de carbono do setor da aviação, dado o crescimento projetado, segundo o `think tank` The Shift Project, que reitera o apelo para a redução do tráfego aéreo.

Lusa /

Os combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF, na sigla em inglês) são a principal alavanca para o setor da aviação, atualmente responsável por até 3% das emissões globais de CO2, avançar para a sua meta de "emissões Net zero" até 2050, um objetivo apoiado tanto pelas companhias aéreas como pelos governos.

Os SAF atualmente disponíveis são derivados de óleo usado ou mesmo de biomassa.

No futuro, o setor conta com combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogénio verde gerado com recurso a eletricidade renovável e captura de carbono.

Mas, de acordo com um relatório do The Shift Project divulgado na terça-feira, que realizou o novo estudo em parceria com a associação Aéro Décarbo, que reúne especialistas aeronáuticos empenhados em reduzir a contribuição do setor para o aquecimento global, estas duas principais famílias de combustíveis sintéticos (biomassa e sintéticos) "estão limitadas por importantes fatores físicos e logísticos".

A agricultura e a silvicultura, de onde é originária a biomassa, também têm impacto no aquecimento global e, além disso, o setor da aviação irá competir com outros setores (transportes, indústria) pelos biocombustíveis.

Quanto aos combustíveis sintéticos, a sua produção é cara e extremamente intensiva em energia e, segundo o The Shift Project, seriam necessários 10.000 terawatts-hora de eletricidade para substituir o consumo global atual de querosene, ou seja, um terço da produção mundial de eletricidade.

Com base nas projeções mais ambiciosas para o desenvolvimento da produção de SAF, o grupo acredita que as emissões da aviação não só não diminuirão até meados do século, como serão, em média, 3% maiores por ano entre 2025 e 2050 do que no ano passado.

Isto deve-se ao crescimento contínuo do setor, que estima que o seu tráfego duplique para 10 mil milhões de passageiros nos próximos 25 anos.

Para o The Shift Project e a Aéro Décarbo, as implicações são claras e "para se manter compatível com um orçamento de carbono que limite o aumento da temperatura média a 1,7°C (...) o tráfego aéreo global teria de diminuir pelo menos 15% em cinco anos, o que corresponderia a um regresso temporário aos níveis observados na década de 2010".

"Após este período de contenção, o tráfego poderá ser retomado gradualmente, à medida que os SAF forem implementados e se os conflitos de utilização (biomassa, eletricidade) forem resolvidos", defenderam os autores do relatório.

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