Comunidade internacional condena violência contra manifestantes apoiantes de Moussavi
Nicolas Sarkozy e Angela Merkel encabeçaram as críticas internacionais contra as autoridades iranianas na sequência de uma enorme manifestação dos apoiantes de Moussavi, candidato derrotado às eleições presidenciais que, em confrontos com a polícia anti-motim iraniana, resultou em dez mortos e mais de cem feridos.
O Presidente francês pediu que "se fizesse luz" sobre a eleição presidencial iraniana que conduziu à reeleição contestada do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
A líder do governo alemão, Ângela Merkel, exigiu mesmo uma recontagem dos votos.
A exigência do fim da repressão e da violência contra os manifestantes foi o denominador comum das posições assumidas neste final de semana dos líderes de duas das principais potências europeias.
Sarkozy cáustico contra regime iraniano
Nicolas Sarkozy foi cáustico em relação ao poder instalado no Irão afirmando que "o que se passa no Irão é extremamente inquietante e a atitude das autoridades de Teerão face ao desejo legítimo de verdade de uma grande parte da população iraniana é indesculpável".
"Teerão, depois de conduzir o seu povo ao isolamento banindo-se a ela própria do seio da comunidade internacional" por causa do seu programa nuclear com fins militares, "priva-o hoje dos seus direitos democráticos mais elementares", acusa Sarkozy.
Sarkozy vaticina sem hesitações que "é necessário que se faça luz sobre as eleições iranianas. É necessário que a repressão e a violência contra os manifestantes cesse", acrescentando que " é necessário que as liberdades de expressão, de comunicação, que o trabalho dos jornalistas, tanto iranianos como estrangeiros, sejam respeitados".
Merkel exige recontagem dos votosÂngela Merkel não ficou atrás do líder francês nas suas críticas ao regime iraniano. "Apelo firmemente aos dirigentes iranianos (...) que levem a cabo uma nova recontagem dos votos da eleição presidencial", disse Merkel.
A dirigente conservadora alemã reclama que as autoridades alemãs "autorizem as manifestações pacíficas, que não usem a violência contra os manifestantes, que libertem os oposicionistas detidos e autorizem a comunicação social a cobrir livremente os acontecimentos".
"A Alemanha está ao lado daqueles que, no Irão, pretendem fazer uso do seu direito de se exprimir livremente e de se reunir livremente", garante a dirigente alemã acrescentando que "os direitos do homem e do cidadão devem ser integralmente respeitados e isso vale também para o Irão".
União Europeia toma posição comum na Segunda-feira
Itália, pela voz do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, apelou também às autoridades iranianas para que "verifiquem a vontade expressa pelo povo" aquando das eleições que garantiu que não havendo resposta adequada do Governo iraniano o executivo italiano "ponderará uma atitude de extrema firmeza".
O Governo britânico, alvo das críticas das autoridades iranianas, que chegaram a expulsar um correspondente da BBC em Teerão, que acusam o governo de Sua Majestade de "conluio" e de "ingerências nos assuntos internos do Irão", rejeitaram as acusações.
"Rejeito categoricamente a ideia de que os manifestantes no Irão sejam manipulados ou motivados por um país estrangeiro", afirmou o secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, que acrescentou lamentar "a violência incessante contra aqueles que procuram exercer o seu direito de expressão".
Moussavi apela à contenção
O antigo Primeiro-Ministro e candidato derrotado das eleições presidenciais, Hossein Moussavi, declarou entretanto, que "protestar contra a fraude é um direito do povo". Não deixou, no entanto, de deixar um apelo de contenção aos seus apoiantes.
"Em nome das pessoas enlutadas" pelas mortes da manifestação de sábado, "convido o meu querido povo à contenção".
"Protestar contra o engano e a fraude é o vosso direito", prossegue na edição do seu jornal na Internet. "Lutem pelos vossos direitos e não permitam que aqueles que vos querem encolerizar triunfem", declara.
O candidato derrotado e líder das oposições apela aos seus apoiantes que se abstenham de tomar posições violentas durante as manifestações que deverão ser pacíficas, ao mesmo tempo que deseja "que a polícia e o exército não ajam de forma irreparável para com o povo".