Comunidade internacional revoltada. Mulher é morta durante detenção policial no México
Quase um ano depois de o mundo ter assistido às imagens da morte de George Floyd às mãos da polícia norte-americana, é divulgado um vídeo que mostra uma mulher refugiada no México a ser morta durante uma detenção policial, de forma semelhante à do afroamericano. Quatro agentes envolvidos no incidente foram acusados de homicídio depois de a autópsia concluir que Victoria Esperanza Salazar, natural de El Salvador, ficou com o pescoço partido devido à violência policial.
No vídeo é possível ver que a mulher acaba por perder os sentidos e, depois, o corpo imobilizado é colocado nas traseiras de uma carrinha da polícia.
Una mujer murió cuando era sometida en el piso por cuatro elementos de la Dirección Municipal de Seguridad Pública de #Tulum. #Especiales pic.twitter.com/Wq6jNyPAcK
— El Universal (@El_Universal_Mx) March 28, 2021
los últimos segundos de vida de nuestra compatriota Victoria Salazar
— Romeo Auerbach (@romeoauerbach) March 29, 2021
ASESINADA por la Policía de #Tulum en Mexico, luego mueven el cuerpo ya sin vida, sin esperar a Medicina Legal y lo ponen en un pick up como si fuera un simple bulto#JusticiaparaVictoria #Impotencia 😪 pic.twitter.com/PPaYedQeaR
No vídeo, que se tornou viral nas redes sociais com a frase "eles mataram-na", ouve-se Victoria Salazar a expressar um gemido enquanto um dos quatro agentes da Direção Municipal de Segurança Pública de Tulum pressiona o joelho sobre o seu pescoço. Posteriormente, a autópsia veio revelar que o pescoço da mulher foi partido, o que a levou à morte.
"A técnica de restrição de movimentos foi aplicada com força excessiva e desproporcional", indicou, segundo a imprensa local. "Não haverá impunidade para aqueles que participaram na morte da vítima, e todas as forças da justiça serão chamadas a trazer os responsáveis a julgamento".
A morte de Victoria Salazar às mãos da polícia, à semelhança do que aconteceu com George Floyd no ano passado, espoletou tensões e revolta no Estado de Quintana Roo, onde já em novembro de 2020 as forças de autoridade usaram armas de fogo para fazer dispersar uma multidão que protestava por causa da violência contra mulheres.
"Ela não merecia esta morte (...) As autoridades estão aí para proteger o ser humano, com todas as técnicas que têm para tentar dominar alguém. Mas isto foi um abuso de autoridade, por isso peço justiça", acrescentou.
"Ela foi tratada com brutalidade e morta: é um facto que nos enche de tristeza, dor e vergonha", afirmou o presidente do México numa conferência de imprensa. "Aos familiares dela, às mulheres salvadorenhas e mexicanas, às mulheres do mundo, a todos, homens e mulheres, quero dizer que os responsáveis serão punidos".
Também o Governo de El Salvador expressou as condolências aos familiares de Victoria Esperanza Salazar.
"O governo de El Salvador, por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, expressa as suas mais profundas condolências aos familiares da compatriota Victoria Esperanza Salazar Arriaza, que, conforme divulgado pelos media, foi assassinada em Tulum", escreveu o executivo em comunicado.
Também o presidente de El Savador, Nayib Bukele, publicou no Twitter uma mensagem afirmando estar confiante de que "o Governo mexicano aplicará todo o peso da lei aos responsáveis", dando as condolências à família, "especialmente às suas duas filhas, a quem daremos toda a ajuda possível".
Estoy seguro que el Gobierno Mexicano aplicará todo el peso de la ley a los responsables.
— Nayib Bukele 🇸🇻 (@nayibbukele) March 29, 2021
Somos pueblos hermanos, personas malas hay en todos lados, no olvidemos eso.
Mi pésame para la familia de Victoria, sobre todo a sus dos hijas, a quienes les daremos toda la ayuda posible. https://t.co/EaFCUvZG7Z
Bukele fez, no entanto, questão de ressalvar que a população mexicana não deve ser responsabilizada pela situação.
"Vejo milhares de mexicanos chocados, a exigir justiça pela nossa compatriota. Não nos esqueçamos de que não foi o povo mexicano quem cometeu este crime, foram alguns criminosos na polícia de Tulum", declarou.
O caso desta mulher de El Salvador não é o primeiro caso de violência policial contra as mulheres a ser registado em Quintana Roo. Em novembro de 2020, os agentes dispararam contra uma manifestação feminista que protestava contra a impunidade do feminicídio de uma mulher de 20 anos chamada Aléxis.
As manifestações feministas têm, contudo, aumentado no México. Segundo dados da ONU, são mortas no país 10 mulheres por dia.
A Amnistia Internacional já condenou o assassinato de Victoria Salazar e apelou ao México para que garanta que será feita justiça e que assegure a proteção das duas filhas menores da vítima.
"Consideramos inaceitável que abusos policiais, como o feminicídio de Victoria, continuem a ocorrer no México", afirmou a organização num comunicado.