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Conferência de Segurança de Munique. Alemanha acusa Rússia de retorno à Guerra Fria
Munique acolhe até domingo a Conferência de Segurança, que contará com as presenças de largas dezenas de líderes internacionais e será dominada pela tensão a leste entre Rússia, Ucrânia e NATO. A poucas horas do início deste evento, a ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, instou Moscovo a dar “passos sérios” para travar a escalada. E acusou mesmo o Kremlin de Vladimir Putin de impor “exigências da Guerra Fria”.
Na antecâmara do arranque, esta sexta-feira, da Conferência de Segurança de Munique, Annalena Baerbock referiu-se à concentração de soldados e material de guerra da Rússia em redor da Ucrânia para acusar Moscovo de estar a “desafiar os princípios fundamentais da ordem de paz europeia”, mediante um “destacamento de tropas sem precedentes” e “exigências” que evocam os anos da Guerra Fria, na sequência da II Guerra Mundial.
A ministra alemã reforçou o apelo a uma solução diplomática, afirmando que “pequenos passos na direção da paz são melhores do que grandes passos na direção da guerra”.
Esta tomada de posição da chefe da diplomacia alemã segue-se a novos avisos, por parte do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para o que Washington considera ser a iminência de uma invasão russa da Ucrânia com base em falsos pretextos. A Administração norte-americana e os aliados ocidentais baseiam-se agora nas imagens, que circularam na quinta-feira, de estruturas destruídas por granadas de morteiro na região oriental da Ucrânia onde operam os separatistas pró-Rússia – designadamente uma creche da localidade de Stanytsia Luhanska. Kiev responsabiliza os separatistas por este bombardeamento, ao passo que os rebeldes apoiados por Moscovo acusam as forças regulares ucranianas de sucessivos ataques de artilharia contra as suas posições.
Vladimir Putin insiste que os exercícios militares levados a cabo, ao longo das últimas semanas, na Bielorrússia e na península da Crimeia não devem ser lidos como precursores de uma ofensiva contra a vizinha Ucrânia e acena com o recuo de parte dos soldados e do equipamento bélico para bases de retaguarda. A NATO reitera que não há sinais claros de qualquer passo atrás no posicionamento de mais de 150 mil efetivos nas linhas de fronteira com a antiga república soviética.
“Prontos para qualquer situação”
Perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, na quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano procurou definir os contornos de uma eventual estratégia russa tendo em vista falsificar uma razão para a guerra. As possibilidades, aventou Antony Blinken, vão desde “um suposto ataque terrorista na Rússia” à “invenção da descoberta de uma vala comum”, um “ataque com um drone contra civis” e “um falso, ou até real, ataque com armas químicas”.
Falta à Administração Biden comprovar tais alegações e o próprio Antonty Blinken admitiu que estas podem ser questionadas. “Mas deixem-me ser claro. Eu estou aqui hoje não para começar uma guerra, mas para a evitar”, contrapôs o secretário de Estado.
O Governo russo remeteu na quinta-feira uma resposta formal às propostas norte-americanas de negociações: disse-se aberto a participar em conversações sobre as capacidades de armamento estratégico de ambas as partes, mas não deixou de enfatizar, uma vez mais, que Washington continua a ignorar as preocupações russas com a política expansionista da Aliança Atlântica.
Moscovo afiançou ainda que, caso as suas inquietações não mereçam a atenção da NATO, serão destacados “meios técnico-militares” russos. Sem mais detalhes.
Por seu turno, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, esforçou-se ontem por demonstrar que “a diplomacia está a funcionar”: “Nunca podemos dizer com segurança o que vai acontecer amanhã, mas hoje damos o máximo”.
“Estamos prontos para qualquer situação”, acentuou, todavia, Kuleba.
Conferência de Segurança de Munique
A Conferência de Segurança acolhida pela Alemanha começa esta sexta-feira e estende-se até domingo. No evento estarão mais de três dezenas de chefes de Estado e de governo, uma centena de ministros e representantes de diferentes organizações internacionais.
A abertura da conferência foi entregue ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. O alcance da delegação dos Estados Unidos sublinha o momento crítico das relações internacionais. Para Munique viajaram a vice-Presidente norte-americana, Kamala Harris, o secretário de Estado Antony Blinken, o enviado especial para o clima, John Kerry, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 agendaram para sábado uma reunião, à margem da conferência na Baviera, para abordarem a crise russo-ucraniana.
c/ agências
A ministra alemã reforçou o apelo a uma solução diplomática, afirmando que “pequenos passos na direção da paz são melhores do que grandes passos na direção da guerra”.
Esta tomada de posição da chefe da diplomacia alemã segue-se a novos avisos, por parte do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para o que Washington considera ser a iminência de uma invasão russa da Ucrânia com base em falsos pretextos. A Administração norte-americana e os aliados ocidentais baseiam-se agora nas imagens, que circularam na quinta-feira, de estruturas destruídas por granadas de morteiro na região oriental da Ucrânia onde operam os separatistas pró-Rússia – designadamente uma creche da localidade de Stanytsia Luhanska. Kiev responsabiliza os separatistas por este bombardeamento, ao passo que os rebeldes apoiados por Moscovo acusam as forças regulares ucranianas de sucessivos ataques de artilharia contra as suas posições.
As acusações mútuas de violação do acordo de cessar-fogo em solo ucraniano prosseguem esta sexta-feira. A Presidência russa não parece disposta a aceitar qualquer das exigências do bloco da Aliança Atlântica, a começar pelo cenário de alargamento a leste. Para o Kremlin, são os Estados Unidos que estão a alimentar as tensões com alegações “sem fundamento”.
Vladimir Putin insiste que os exercícios militares levados a cabo, ao longo das últimas semanas, na Bielorrússia e na península da Crimeia não devem ser lidos como precursores de uma ofensiva contra a vizinha Ucrânia e acena com o recuo de parte dos soldados e do equipamento bélico para bases de retaguarda. A NATO reitera que não há sinais claros de qualquer passo atrás no posicionamento de mais de 150 mil efetivos nas linhas de fronteira com a antiga república soviética.
“Prontos para qualquer situação”
Perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, na quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano procurou definir os contornos de uma eventual estratégia russa tendo em vista falsificar uma razão para a guerra. As possibilidades, aventou Antony Blinken, vão desde “um suposto ataque terrorista na Rússia” à “invenção da descoberta de uma vala comum”, um “ataque com um drone contra civis” e “um falso, ou até real, ataque com armas químicas”.
Falta à Administração Biden comprovar tais alegações e o próprio Antonty Blinken admitiu que estas podem ser questionadas. “Mas deixem-me ser claro. Eu estou aqui hoje não para começar uma guerra, mas para a evitar”, contrapôs o secretário de Estado.
O Governo russo remeteu na quinta-feira uma resposta formal às propostas norte-americanas de negociações: disse-se aberto a participar em conversações sobre as capacidades de armamento estratégico de ambas as partes, mas não deixou de enfatizar, uma vez mais, que Washington continua a ignorar as preocupações russas com a política expansionista da Aliança Atlântica.
Moscovo afiançou ainda que, caso as suas inquietações não mereçam a atenção da NATO, serão destacados “meios técnico-militares” russos. Sem mais detalhes.
Por seu turno, o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, esforçou-se ontem por demonstrar que “a diplomacia está a funcionar”: “Nunca podemos dizer com segurança o que vai acontecer amanhã, mas hoje damos o máximo”.
“Estamos prontos para qualquer situação”, acentuou, todavia, Kuleba.
Conferência de Segurança de Munique
A Conferência de Segurança acolhida pela Alemanha começa esta sexta-feira e estende-se até domingo. No evento estarão mais de três dezenas de chefes de Estado e de governo, uma centena de ministros e representantes de diferentes organizações internacionais.
A abertura da conferência foi entregue ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. O alcance da delegação dos Estados Unidos sublinha o momento crítico das relações internacionais. Para Munique viajaram a vice-Presidente norte-americana, Kamala Harris, o secretário de Estado Antony Blinken, o enviado especial para o clima, John Kerry, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.
No portefólio da Conferência de Segurança de Munique não consta nenhum responsável russo. Na Baviera estarão também dirigentes da NATO e da União Europeia, além do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, e do rosto da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 agendaram para sábado uma reunião, à margem da conferência na Baviera, para abordarem a crise russo-ucraniana.
c/ agências