Congressistas dos EUA visitam Dinamarca enquanto Trump ameaça anexar Gronelândia
Uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visita Copenhaga ainda esta semana numa tentativa de mostrar unidade entre os Estados Unidos e a Dinamarca, enquanto Donald Trump ameaça apropriar-se da Gronelândia, território semi autónomo daquele país aliado da NATO.
O senador Chris Coons, democrata de Delaware, lidera o grupo de pelo menos nove membros do Congresso, incluindo o senador republicano Thom Tilis, da Carolina do Norte.
O grupo estará em Copenhaga, capital da Dinamarca sexta-feira e sábado, de acordo com um assessor do Congresso ligado ao planeamento da viagem.
Os legisladores irão reunir-se com altos responsáveis dos governos dinamarquês e da Gronelândia, bem como com líderes empresariais, segundo o assessor, que pediu anonimato antes de um anúncio formal.
A viagem ocorre depois de a China ter declarado hoje que os Estados Unidos não deveriam usar outros países como "pretexto" para perseguir os seus interesses na Gronelândia e afirmou que as suas atividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional.
O comentário de um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China surgiu como resposta a uma pergunta numa conferência de imprensa diária regular.
O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump disse que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semi autónoma da Dinamarca, aliada da NATO, para evitar que a Rússia ou a China a tomem.
As tensões entre Washington, Dinamarca e Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam, falando cada mais no assunto, e a Casa Branca considera uma série de opções, incluindo o recurso à força militar, para adquirir a vasta ilha do Ártico.
A Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada americana da Gronelândia marcaria o fim da NATO.
Na sexta-feira, o Primeiro-Ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos do parlamento do território emitiram uma declaração conjunta, reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo e enfatizando o "desejo de que o desprezo dos Estados Unidos pelo país termine."
Trump reiterou no domingo o seu argumento de que os EUA precisam de "tomar a Gronelândia", caso contrário a Rússia ou a China o fariam, a bordo de um Air Force One.
O chefe de Estado norte-americano disse que preferiria "fazer um acordo" pelo território. "Mas de uma forma ou de outra, vamos ter a Groenlândia", acrescentou.
A China declarou-se, em 2018, um "Estado quase Ártico" na tentativa de ganhar mais influência na região. Pequim também anunciou planos para construir uma "Rota da Seda Polar" como parte da sua Iniciativa Belt and Road global, que criava ligações económicas com países de todo o mundo.
Questionada em Pequim hoje sobre as declarações dos EUA de que é necessário que Washington assuma o controlo da Groenlândia para impedir que a China e a Rússia assumam o controlo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, respondeu que "as atividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional."
Aquela responsável não deu mais detalhes sobre essas atividades. "Os direitos e liberdades de todos os países para realizar atividades no Ártico, de acordo com a lei, devem ser totalmente respeitados", afirmou Mao, sem mencionar a Groenlândia diretamente.
"Os EUA não devem perseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto."
Para Mao "o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional."
Espera-se também a chegada de enviados dinamarqueses e groenlandeses a Washington esta semana para negociações.