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Contra "repressão em curso". Protestos em Teerão recebem apoio de manifestantes em Lisboa
A comunidade iraniana em Portugal saiu à rua para denunciar "a repressão em curso" na República Islâmica.
Dezenas de pessoas juntaram-se este sábado para uma manifestação nas imediações da Assembleia da República, em Lisboa, com vista a apoiar os iranianos que, em Teerão, contestam desde dezembro do ano passado o custo de vida e defendem o fim do regime dos ayatollahs.
A comunidade de iranianos em Portugal receia um quadro de agravamento da violência, denunciando "a repressão em curso no Irão".
Apela também à rutura diplomática com o regime, ao reconhecimento do príncipe herdeiro Reza Pahlavi como interlocutor num processo de transição e à classificação da Guarda Revolucionária como estrutura terrorista."Isto foi uma conspiração americana"
O ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do regime iraniano, veio também este sábado acusar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ser "responsável pelas vítimas" da vaga de protestos no Irão.
"Não pretendemos levar o país para a guerra, mas não pouparemos os criminosos internos. E pior do que os criminosos internos, os criminosos internacionais, também não os pouparemos", declarou Khamenei diante de uma multidão de apoiantes.
Ali Khamenei acusou ainda Donald Trump de ser "responsável pelos danos e pelas acusações que lançou contra a nação iraniana".
"Isto foi uma conspiração americana", clamou, para acentuar que "o objetivo dos Estados Unidos é engolir o Irão" e colocar o país "novamente sob domínio militar, político e económico".Khamenei afirmou que as autoridades "devem partir as costas aos sediciosos".
Os protestos no Irão tiveram início a 28 de dezembro, quando comerciantes da capital, Teerão, encerraram os negócios devido à queda do rial - a vaga de contestação acabaria por se propagar a todo o país, ecoando palavras de ordem como "morte à República Islâmica" ou mesmo "morte a Khamenei".
Organizações não-governamentais conotadas com a oposição ao regime, sediadas no exílio, como a Iran Human Rights, calculam em 3.428 o número de vítimas mortais da repressão.
c/ agências