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Conversações trilaterais. Ucrânia, Rússia e EUA pela primeira vez à mesa das negociações

Conversações trilaterais. Ucrânia, Rússia e EUA pela primeira vez à mesa das negociações

Com o controlo sobre os territórios no leste ucraniano em cima da mesa, Ucrânia, Rússia e Estados Unidos estão em negociações trilaterais em Abu Dhabi. É a primeira vez que os três países se reúnem desde a invasão russa em 2022.

Inês Moreira Santos - RTP /
Ludovic Marin - Pool via Reuters

O encontro foi confirmado na madrugada desta sexta-feira, após conversas no Kremlin entre o presidente russo, Vladimir Putin, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Donald Trump, Jared Kushner.

Conversações que, segundo o conselheiro diplomático russo, Yuri Ushakov, foram “úteis em todos os aspetos”, acrescentando que “ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança acontecerá hoje em Abu Dhabi”.


Não foram divulgados os detalhes destas negociações trilaterais, nem se as autoridades russas e ucranianas se vão encontrar pessoalmente, mas sabe-se que serão abordadas algumas questões pendentes, nomeadamente a controversa sobre as concessões territoriais exigidas por Moscovo.

Ushakov alertou que “sem resolver a questão territorial não se deve contar com um acordo de longo prazo”, e acrescentou que a Rússia continuará a insistir nos próprios objetivos “no campo de batalha, onde as Forças Armadas Russas detêm a iniciativa estratégica”, até que seja alcançado um acordo.

O presidente da Ucrânia confirmou que a questão fundamental do controlo sobre os territórios no leste ucraniano vai ser abordada pelas delegações ucraniana, russa e norte-americana. "A questão do Donbass (território no leste da Ucrânia, incluindo as regiões de Donetsk e Lugansk) é fundamental", declarou Volodymyr Zelensky durante uma conferência de imprensa, acrescentando que o assunto vai ser discutido em Abu Dhabi, esta sexta-feira e sábado.

 O líder ucraniano reiterou que o tão aguardado acordo com os Estados Unidos sobre garantias de segurança está praticamente pronto para ser assinado e que está apenas à espera que Donald Trump defina a data e o local para a assinatura dos documentos. Na mesma conferência, Zelensky afirmou que os dois discutiram defesa aérea e cooperação económica para a recuperação pós-guerra. 

A equipa russa, liderada pelo general Igor Kostyukov, um alto funcionário do Estado-Maior, vai deslocar-se para Abu Dhabi nas próximas horas. O Kremlin divulgou, entretanto, mais informações sobre a reunião trilateral nos Emirados Árabes Unidos, revelando que a equipa russa de negociação será composta apenas por representantes do Ministério da Defesa da Rússia e que essa delegação partiu já para as conversações.

A Ucrânia vai ser representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe de gabinete Kyrylo Budanov e pelo vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia. A delegação ucraniana é composta ainda pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andriy Gnatov.


Na quinta-feira, em Davos, Zelensky criticou os aliados europeus afirmando que viu uma Europa "fragmentada" e "perdida" no que diz respeito à influência sobre as posições do Presidente dos Estados Unidos e à falta de "vontade política" do chefe de Estado russo, Vladimir Putin.

As críticas em relação aos principais apoiantes políticos e financeiros de Kiev ocorreram após um encontro com Donald Trump em Davos, Suíça, que, segundo Zelensky, resultou num acordo sobre garantias de segurança para a Ucrânia.

O diálogo com o homólogo norte-americano "não foi simples", admitiu o líder ucraniano, embora tenha descrito o encontro como "positivo".
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