Mundo
Coreia do Norte desafia Seul e Washington com reativação de reator nuclear
A Coreia do Norte fez subir esta terça-feira a fasquia da guerra de palavras que alimenta há largas semanas com o Sul e respetivos aliados, ao anunciar a reativação de todas as estruturas da central nuclear de Yongbyon. Entre as quais um reator parado há seis anos que constituía a única fonte de plutónio do programa de armamento atómico do regime. De Seul partiu já uma resposta. A concretizarem-se, reagiu o Ministério sul-coreano dos Negócios Estrangeiros, os intentos de Pyongyang serão “lamentáveis”. A China, derradeira aliada dos norte-coreanos, reedita apelos à “calma” e à “contenção”.
Impulsionar a capacidade nuclear da Coreia do Norte “em qualidade e quantidade” é o objetivo agora proclamado por Pyongyang. O anúncio da reativação do complexo de Yongbyon, o histórico emblema do programa nuclear norte-coreano, surgiu sob a forma de um comunicado atribuído ao Departamento Geral de Energia Atómica.
Em fevereiro do ano passado, o regime de Pyongyang fez passar a ideia de que estaria disposto a travar os seus programas de energia nuclear e de desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais, na sequência de mais um acordo de assistência alimentar firmado com Washington.
O entendimento cairia por terra a 13 de abril de 2012 com o teste de um foguetão norte-coreano, encarado por Estados Unidos e aliados como um míssil disfarçado.
O regime, indicava esta terça-feira a agência oficial KCNA, decidiu “ajustar e alterar as utilizações das instalações nucleares existentes”. O que passará por “reajustar e reativar todas as instalações nucleares de Yongbyon, incluindo a unidade de enriquecimento de urânio e o reator moderado a grafite de cinco megawatts”.
Desativado desde 2007, aquele era o único reator que abastecia com plutónio o programa de armas nucleares desenvolvido pelo regime – Pyongyang terá armazenado material suficiente para a produção de quatro a oito bombas atómicas.
O primeiro ensaio conhecido de armamento nuclear norte-coreano remonta a 2006. No ano seguinte, o regime aceitou suspender o seu programa em troca de assistência alimentar e energética, a par de garantias de segurança. Em julho de 2007, era anunciada a desativação de Yongbyon. Decorridos 11 meses as imagens da demolição da torre de arrefecimento do complexo percorriam o mundo. Todavia, o processo de desarmamento arrastar-se-ia.
A delegação norte-coreana abandonou logo em dezembro de 2008 uma ronda de negociações a seis (Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Japão, Rússia e Estados Unidos) sobre o desmantelamento do seu programa nuclear. Em 2010 acabou por revelar ao cientista norte-americano Siegfried Hecker que havia planos em marcha para a construção de uma unidade de enriquecimento de urânio em Yongbyon, oficialmente com propósitos civis. Perpetuou-se, assim, a desconfiança dos Estados Unidos.
Num relatório publicado após a sua visita ao complexo de Yongbyon, Hecker manifestou a convicção de que a Coreia do Norte estaria em condições de “retomar todas as operações de plutónio dentro de aproximadamente seis meses”, caso o desejasse.
Demonstrações de força
A divulgação dos planos para a reativação de Yongbyon não será alheia às posições assumidas na segunda-feira pela Presidente sul-coreana. Cujo discurso está cada vez mais próximo da tradicional retórica belicista dos vizinhos do Norte.
Sem se desviar do seu habitual posicionamento face à questão norte-coreana, a China expressou “lamento” pelo anúncio do regime, para fazer mais um apelo à “calma” e à “contenção”.
Hong Lei, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, reiterou ainda que “a desnuclearização da Península [Coreana] é a persistente posição da China”.
“Se houver qualquer provocação contra a Coreia do Sul e o seu povo, devemos responder com força em combate inicial sem quaisquer considerações políticas”, avisava ontem Park Geun-hye durante uma reunião com responsáveis da Defesa em Seul.
Esta última escalada de tensão na Península Coreana teve o seu prólogo em dezembro do ano passado com o lançamento de um “foguetão espacial”, na versão de Pyongyang. A que se seguiria um terceiro ensaio nuclear em fevereiro.
No início de março, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovava um novo pacote de sanções contra o regime. Desde então a cúpula norte-coreana rasgou o armistício que pôs termo à guerra de 1950-1953, interrompeu a linha direta de comunicação com Seul e ameaçou atacar alvos norte-americanos no Japão, na Coreia do Sul e até mesmo em território dos Estados Unidos, reagindo dessa forma aos exercícios militares que estão a ser levados a cabo por forças dos dois países aliados.
Até ao momento, a Administração Obama tem optado pela prudência. Sem deixar de patentear na região o seu poderio militar. Depois de ter publicitado a participação de bombardeiros B-52 e B-2 e caças furtivos F-22 nas manobras anuais Foal Eagle, o Pentágono fez saber que despachou para a costa sudoeste da Coreia do Sul um vaso de guerra de classe Aegis - capaz de interceptar mísseis.
Na sua mais recente tomada de posição sobre o dossier norte-coreano, a Presidência norte-americana voltou a sublinhar que, “apesar da áspera retórica de Pyongyang”, ainda não foram detetadas “mudanças na postura militar norte-coreana, tais como mobilizações em larga escala e posicionamento de forças”. O que não impede os Estados Unidos de “monitorizarem a situação coreana com muita diligência”, de acordo com o porta-voz da Casa Branca Jay Carney.
Em fevereiro do ano passado, o regime de Pyongyang fez passar a ideia de que estaria disposto a travar os seus programas de energia nuclear e de desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais, na sequência de mais um acordo de assistência alimentar firmado com Washington.
O entendimento cairia por terra a 13 de abril de 2012 com o teste de um foguetão norte-coreano, encarado por Estados Unidos e aliados como um míssil disfarçado.
O regime, indicava esta terça-feira a agência oficial KCNA, decidiu “ajustar e alterar as utilizações das instalações nucleares existentes”. O que passará por “reajustar e reativar todas as instalações nucleares de Yongbyon, incluindo a unidade de enriquecimento de urânio e o reator moderado a grafite de cinco megawatts”.
Desativado desde 2007, aquele era o único reator que abastecia com plutónio o programa de armas nucleares desenvolvido pelo regime – Pyongyang terá armazenado material suficiente para a produção de quatro a oito bombas atómicas.
O primeiro ensaio conhecido de armamento nuclear norte-coreano remonta a 2006. No ano seguinte, o regime aceitou suspender o seu programa em troca de assistência alimentar e energética, a par de garantias de segurança. Em julho de 2007, era anunciada a desativação de Yongbyon. Decorridos 11 meses as imagens da demolição da torre de arrefecimento do complexo percorriam o mundo. Todavia, o processo de desarmamento arrastar-se-ia.
A delegação norte-coreana abandonou logo em dezembro de 2008 uma ronda de negociações a seis (Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Japão, Rússia e Estados Unidos) sobre o desmantelamento do seu programa nuclear. Em 2010 acabou por revelar ao cientista norte-americano Siegfried Hecker que havia planos em marcha para a construção de uma unidade de enriquecimento de urânio em Yongbyon, oficialmente com propósitos civis. Perpetuou-se, assim, a desconfiança dos Estados Unidos.
Num relatório publicado após a sua visita ao complexo de Yongbyon, Hecker manifestou a convicção de que a Coreia do Norte estaria em condições de “retomar todas as operações de plutónio dentro de aproximadamente seis meses”, caso o desejasse.
Demonstrações de força
A divulgação dos planos para a reativação de Yongbyon não será alheia às posições assumidas na segunda-feira pela Presidente sul-coreana. Cujo discurso está cada vez mais próximo da tradicional retórica belicista dos vizinhos do Norte.
Sem se desviar do seu habitual posicionamento face à questão norte-coreana, a China expressou “lamento” pelo anúncio do regime, para fazer mais um apelo à “calma” e à “contenção”.
Hong Lei, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, reiterou ainda que “a desnuclearização da Península [Coreana] é a persistente posição da China”.
“Se houver qualquer provocação contra a Coreia do Sul e o seu povo, devemos responder com força em combate inicial sem quaisquer considerações políticas”, avisava ontem Park Geun-hye durante uma reunião com responsáveis da Defesa em Seul.
Esta última escalada de tensão na Península Coreana teve o seu prólogo em dezembro do ano passado com o lançamento de um “foguetão espacial”, na versão de Pyongyang. A que se seguiria um terceiro ensaio nuclear em fevereiro.
No início de março, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovava um novo pacote de sanções contra o regime. Desde então a cúpula norte-coreana rasgou o armistício que pôs termo à guerra de 1950-1953, interrompeu a linha direta de comunicação com Seul e ameaçou atacar alvos norte-americanos no Japão, na Coreia do Sul e até mesmo em território dos Estados Unidos, reagindo dessa forma aos exercícios militares que estão a ser levados a cabo por forças dos dois países aliados.
Até ao momento, a Administração Obama tem optado pela prudência. Sem deixar de patentear na região o seu poderio militar. Depois de ter publicitado a participação de bombardeiros B-52 e B-2 e caças furtivos F-22 nas manobras anuais Foal Eagle, o Pentágono fez saber que despachou para a costa sudoeste da Coreia do Sul um vaso de guerra de classe Aegis - capaz de interceptar mísseis.
Na sua mais recente tomada de posição sobre o dossier norte-coreano, a Presidência norte-americana voltou a sublinhar que, “apesar da áspera retórica de Pyongyang”, ainda não foram detetadas “mudanças na postura militar norte-coreana, tais como mobilizações em larga escala e posicionamento de forças”. O que não impede os Estados Unidos de “monitorizarem a situação coreana com muita diligência”, de acordo com o porta-voz da Casa Branca Jay Carney.