Coreia do Norte. Pyongyang em confinamento devido a "doença respiratória"

por Joana Raposo Santos - RTP
O executivo de Kim Jong-un refere que a gripe está entre as doenças que estão a espalhar-se neste momento pela capital. Foto: KCNA via Reuters

A Coreia do Norte ordenou esta quarta-feira um confinamento de cinco dias na capital, Pyongyang, devido ao aumento de casos de uma "doença respiratória" não especificada. A informação foi avançada pelo site sul-coreano de notícias NK News, que citou um documento do Governo de Kim Jong-un.

A nota não indica que se trate de covid-19, mas avança que todos os habitantes da cidade têm ordens para permanecer em casa até ao final do dia de domingo, medindo a temperatura corporal várias vezes ao dia.

No texto, o executivo de Kim Jong-un refere que a gripe está entre as doenças que estão a espalhar-se neste momento pela capital.

Não é ainda claro se outras cidades norte-coreanas serão afetados por confinamentos semelhantes.

A Península Coreana está atualmente a ser afetada pelo que os meteorologistas descrevem como uma onda de frio siberiano, com as temperaturas em Pyongyang a alcançarem os -22º.

Já na terça-feira o site NK News tinha avançado que os habitantes pareciam estar a adquirir bens essenciais em maior quantidade, numa antecipação de medidas mais rígidas de contenção.

No mesmo dia, a agência norte-coreana de notícias KCNA avançou que a cidade de Kaesong, junto da fronteira com a Coreia do Sul, tinha intensificado as campanhas de comunicação “para que os cidadãos cumprissem voluntariamente com as regulações pandémicas na sua vida pessoal e no trabalho”.
Um dos piores sistemas de saúde do mundo
A Coreia do Norte passou mais de dois anos a negar a existência de infeções por covid-19 no seu território. Foi só em maio de 2022 que Pyongyang reconheceu a existência de um surto, que pouco tempo depois, em agosto, declarou como dominado.

O regime nunca confirmou quantos casos de covid-19 foram detetados, algo que vários peritos acreditam dever-se ao facto de o país não ter meios suficientes para a realização de testes.

Foram, no entanto, divulgados os números diários de pacientes com febre. No total registaram-se 4,7 milhões destes casos, numa população de 25 milhões. Desde 29 de julho que não se contabilizaram novos casos de febre.

Neste momento, a China - importante parceira comercial e vizinha da Coreia do Norte - enfrenta uma onda de infeções por SARS-CoV-2, depois de ter posto fim à política de "covid zero".

A Coreia do Norte fechou rigorosamente as suas fronteiras desde o início da pandemia, mas continua a permitir determinadas trocas comerciais com a China.

Desde o início da pandemia que a Organização Mundial da Saúde lança dúvidas sobre as estatísticas da covid-19 de Pyongyang. Segundo especialistas, a Coreia do Norte tem um dos piores sistemas de saúde do mundo, com hospitais mal equipados, poucas unidades de cuidados intensivos e nenhum tratamento para a covid-19.

Além disso, Pyongyang não vacinou os seus cerca de 25 milhões de habitantes, apesar de, segundo algumas fontes citadas por agências internacionais, o país ter recebido vacinas da China.

c/ agências
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