Coreia do Norte. Trump promete parar exercícios militares “provocatórios” mas mantém sanções

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Os dois líderes prometeram trabalhar na "desnuclearização completa" da Península Coreana
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Em conferência de imprensa após a cimeira de Singapura, o Presidente norte-americano asseverou que os Estados Unidos vão colocar um ponto final aos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, que considerou serem “caros” e “provocatórios”. Apesar dos apelos da China, Donald Trump pretende manter as sanções económicas em vigor, pelo menos para já.

Pela primeira vez, os líderes dos Estados Unidos e Coreia do Norte estiveram sentados à mesma mesa. Um aperto de mão inédito que fica na história e um documento final, assinado por Donald Trump e Kim Jong-un, que representa uma declaração de intenções e deixa tudo em aberto sobre o processo de desnuclearização e o futuro da relação entre os dois países. 

Em declarações aos jornalistas depois do encontro de Singapura, o Presidente norte-americano revelou alguns detalhes que não constam nos quatro pontos delineados pelo documento final, assinado no final da cimeira e que inclui, entre outros compromissos, o de “completa desnuclearização” da Península Coreana.  

Uma das principais novidades é o fim dos exercícios militares conjuntos de Washington e Seul ao largo da Península Coreana, ainda que as tropas norte-americanas se mantenham no território do país aliado com cerca de 32 mil homens.


“Estes jogos de guerra são muito caros, pagamos por grande parte deles”, considerou o Presidente norte-americano. Afirmou ainda que esse tipo de ações “provocatórias” são “inapropriadas”, tendo em conta as negociações que decorrem entre os países.  

Sobre a desnuclearização, o Presidente norte-americano espera que o processo – cujos pormenores não são especificados pelo documento de Singapura – comece “muito, muito rapidamente” e que será “verificado”, sem especificar a quem caberá essa verificação.  

Na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, confirmou que a organização está disponível para monitorizar o processo se as partes assim o pretenderem. Ao início da tarde, a Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA na sigla em inglês) congratulou-se com o princípio de acordo assinado entre os dois líderes e garantiu disponibilidade total para ajudar na verificação do processo de desnuclearização na Coreia do Norte, caso seja requisitada para o fazer.

Na conferência de imprensa no final da cimeira, o Presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que o líder da Coreia do Norte lhe garantiu pessoalmente a destruição de uma base para o lançamento de mísseis.  

Ainda assim, as sanções económicas impostas a Pyongyang a nível internacional não serão para já levantadas. “Entretanto, as sanções continuarão em vigor”, confirmou o Presidente, que esclareceu ainda que “alguns pontos acordados não constam no acordo” assinado pelos dois líderes.  
“O diabo está nos detalhes”

O documento assinado por Donald Trump e Kim Jong-un foi acolhido com palavras positivas mas também com ceticismo, apontado como um acordo vago e de caráter sobretudo simbólico, uma vez que se tratou do primeiro encontro da história entre os líderes dos dois países.  

Pequim, principal aliada ao nível diplomático e económico da Coreia do Norte, já veio defender o alívio das sanções no contexto da desnuclearização. Geng Shuang, porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, defendeu a suspensão ou levantamento de algumas sanções multilaterais, nomeadamente no contexto das Nações Unidas. 

“A China defendeu constantemente que as sanções não são um fim em si mesmas. As ações do Conselho de Segurança devem apoiar e ter em conta os esforços das atuais conversações diplomáticas, que vão na direção da desnuclearização da Península Coreana”, afirmou.  

O responsável enfatizou que Pequim é “uma parte importante envolvida na matéria” e tem “responsabilidade e a obrigação” de contribuir para o futuro da península sem armas nucleares.
"Um primeiro passo"

A Coreia do Sul já veio dizer que “precisa de analisar” as intenções reveladas pelo Presidente norte-americano. Um porta-voz da Presidência em Seul referiu apenas que a Coreia do Sul “precisa nesta altura de compreender o significado concreto das intenções reveladas pelo comentário de Donald Trump”.  

Por sua vez, o Japão vê nesta cimeira “um primeiro passo” rumo à desnuclearização. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, enfatizou que quer ver uma desnuclearização “verificável, completa e irreversível” da Coreia do Norte.  

Já a Rússia mostrou-se disposta a ajudar na implementação do acordo e elogiou “o passo em frente” que foi dado nesta cimeira. Sergei Ryabkov, responsável do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, sugeriu um formato de negociações no futuro que envolva as duas Coreias, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão e a China.

No entanto, o Kremlin reconhece que os avanços desta terça-feira ainda são insuficientes. “O diabo está nos detalhes, e ainda temos de aprofundar os detalhes. Mas o primeiro impulso foi dado”, afirmou.

A União Europeia já veio entretanto saudar a cimeira de terça-feira em Singapura como "uma etapa capital e necessária" rumo à desnuclearização.

"O objetivo último, partilhado por toda a comunidade internacional e expressa pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, continua a ser o da desnuclearização completa, verificável e irreversível da península Coreana", refere em comunicado a alta-representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini. 

"A declaração comum assinada pelos dirigentes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte indica claramente que esse objetivo pode ser alcançado", acrescentou.

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