Coronavírus. Tripulante do Diamond Princess é primeiro português infetado

por Carlos Santos Neves - RTP
Adriano Maranhão tem 41 anos e trabalha como canalizador no navio de cruzeiro japonês "Diamond Princess", ancorado no porto de Yokohama, a sul de Tóquio Kim Kyung-Hoon - Reuters

Foi noticiado este sábado o primeiro caso de um cidadão português infetado com o novo coronavírus. Trata-se de um homem de 41 anos, natural da Nazaré, que trabalha a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess, ancorado desde 3 de fevereiro no porto japonês de Yokohama.

Adriano Luís Maranhão está isolado numa cabine do navio de cruzeiro ancorado em Yokohama, a sul da capital japonesa. As análises a que foi submetido deram este sábado - ao início da tarde no Japão - resultado positivo para a infeção pelo Covid-19.A RTP contactou a Direção-Geral da Saúde, que diz só poder confirmar oficialmente este caso no domingo.


Embarcado desde 13 de dezembro, o português exerce funções como primeiro canalizador há cinco anos.

Foi a mulher do tripulante, Emmanuelle Maranhão, quem deu conta do resultado das análises
. O português não terá ainda sintomas da infeção, sentindo, no entanto, cansaço inerente ao trabalho que desempenha no navio.

“O meu marido indicou-me claramente que está confirmado com coronavírus. Aliás, falei com ele há cinco minutos e ele continua na cabine e está-me a dizer que ninguém vai fazer nada até de manhã. O que eu acho inaceitável é que continuem com ele lá e não vão ajudá-lo e ninguém o vai tirar. Confirmaram às duas da tarde, hora do Japão, e ele continua lá às quatro da manhã”, descreveu Emmanuelle Maranhão, ao telefone com a RTP3.
Mais tarde, em direto para o Telejornal, a mulher do tripulante reafirmou que a sua principal preocupação é ver o marido transferido para uma unidade hospitalar.

"Na minha opinião, o trabalho deveria ter sido feito de outra forma. Acredito que as autoridades japonesas fizeram o melhor que podiam, mas não chegaram a todos", disse.
A bordo do navio de cruzeiro permanecem mais de 600 pessoas infetadas com o coronavírus - há dez dias eram 174. Duas destas pessoas morreram. Há outros sete cidadãos portugueses a bordo.

Desde que foi detetado, no final de 2019, em território chinês, o coronavírus (Covid-19) fez mais de 2345 vítimas mortais e infetou mais de 76 mil pessoas à escala internacional.

A maioria dos casos foi diagnosticada na China, designadamente na província de Hubei, no centro do país.
“Grande consternação”
Ouvido pela RTP3, o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Walter Chicharro, disse ter informações de que há dois nazarenos a bordo do navio. Foi também através da mulher de Adriano Luís Maranhão que o autarca ficou a saber do resultado positivo para a infeção por coronavírus.

“Tenho estado em contacto constante com a Secretaria de Estado da Saúde (…) transmitindo e clarificando se havia algum report ao Governo de casos positivos de portugueses e, em particular, destes nazarenos. Sei que têm vindo relatórios onde isso não é confirmado, mas já passei essa informação de que está, pela indicação dada pela esposa, um nazareno infetado no navio”, adiantou Walter Chicharro.
“O infetado tem dores no corpo, estará razoavelmente cansado e com uma grande consternação. Sei que as famílias já estão debaixo de atenção do Governo, mas não conseguem chegar à fala com a companhia para a qual os familiares trabalham”, acrescentou.
“É plausível”
Também contactada pela RTP3, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que a entidade que lidera “soube ontem que, desde o dia 20, estavam a ser testadas todas as pessoas a bordo, algumas até testadas pela segunda vez”.

“Aguardamos pelas vias oficiais, que para o Ministério da Saúde é o Regulamento Sanitário Internacional, que é uma rede mundial de informação gerida pela Organização Mundial de Saúde, a confirmação deste caso. Também aguardamos a confirmação deste caso através dos canais próprios do Ministério dos Negócios Estrangeiros e dos nossos serviços consulares”, frisou Graça Freitas.
“Nós, informação confirmada pelas vias oficiais, não temos de momento. No entanto, é plausível que exista um tripulante português infetado a bordo, uma vez que neste navio mais de 600 pessoas já tiveram testes positivos, mesmo pessoas que estão assintomáticas”, prosseguiu a diretora-geral da Saúde.

“Temos que aguardar confirmação oficial, pela via da saúde e pela via do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para termos a certeza de que os testes foram positivos, que tipo de testes é que foram feitos e para termos também a certeza do estado de saúde do nosso concidadão”, completou, apelando depois à serenidade.
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