Costa será capaz de fazer pontes no Conselho Europeu, segundo novo embaixador junto da UE

O novo embaixador português junto da União Europeia (UE) argumenta que o futuro presidente do Conselho Europeu, António Costa, tem as "melhores características" para fazer pontes entre os líderes europeus, esperando que também compreenda as "sensibilidades" portuguesas.

Lusa /

"O doutor António Costa tem as melhores características e as mais do que necessárias para ser um excelente presidente do Conselho Europeu e para, justamente, saber fazer pontes" entre os líderes da UE, afirma Pedro Costa Pereira em entrevista à agência Lusa em Bruxelas.

Há pouco mais de duas semanas no cargo, o embaixador observa que, embora o foco de António Costa passe a ser europeu quando assumir funções a partir de dezembro, "um português é capaz de compreender melhor aquelas que são as sensibilidades e os interesses portugueses", sendo este "um valor acrescentado" para o país.

O responsável lembra, desde logo, que "o Governo português se empenhou fortemente na sua candidatura" pois ter um português à frente de uma instituição europeia como a composta pelos 27 chefes de Governo e de Estado da UE "é um motivo de orgulho nacional", assim como aconteceu com Durão Barroso à frente da Comissão Europeia ou com António Guterres nas Nações Unidas.

"Evidentemente que, para nós, é sempre um valor acrescentado grande ter alguém que compreende as nossas sensibilidades, mas o que é realmente importante para nós é que [...] a União Europeia funcione bem e, para que isso aconteça, é absolutamente essencial o papel do presidente do Conselho Europeu na facilitação de compromissos na tomada de decisão", salienta Pedro Costa Pereira.

O novo líder da missão diplomática portuguesa junto da UE acrescenta que o papel de António Costa será, precisamente, "procurar aquilo que é o bom equilíbrio para a tomada de decisões, para que o interesse europeu seja bem servido".

Em junho passado, o ex-primeiro-ministro português António Costa foi eleito presidente do Conselho Europeu pelos chefes de Estado e de Governo da UE para um mandato de dois anos e meio, que começa a 01 de dezembro de 2024.

António Costa será o primeiro português e o primeiro socialista à frente do Conselho Europeu, sucedendo ao belga Charles Michel, no cargo desde 2019.

Aos 61 anos, Pedro Costa Pereira é, desde final de agosto passado, o novo embaixador português junto da UE.

Sucede no cargo a Pedro Lourtie, que deixou estas funções para se tornar chefe de gabinete do futuro presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Antes de estar à frente da Representação Permanente (Reper) de Portugal junto da União Europeia, Pedro Costa Pereira era o embaixador português junto da NATO, um cargo que ocupava desde 2019.

Antes, passou por funções como a de assessor do primeiro-ministro Durão Barroso para os Assuntos Europeus ou a de representante permanente adjunto na missão diplomática portuguesa junto da UE, entre outras no âmbito dos Negócios Estrangeiros.

Nesta entrevista à Lusa, Pedro Costa Pereira diz ainda querer garantir um "papel ativo" da Reper no combate ao défice da representação portuguesa nas instituições europeias, em comparação com o peso de funcionários de outros países, um problema que tem vindo a agravar-se com as saídas para a reforma de trabalhadores em lugares de topo.

"É uma questão estrutural e os resultados não podem ser esperados a curto prazo", mas é preciso trabalhar para "tentar influenciar a ocupação desses lugares de topo e, ao mesmo tempo e em coordenação com Lisboa, apostar na preparação das pessoas que têm intenção de concorrer ao universo das instituições europeias", adianta o embaixador à Lusa.

Estima-se que o peso dos funcionários portugueses a trabalhar em instituições europeias (como a Comissão) corresponda a 2%, quando a taxa de referência por país é de 3,1%, razão pela qual o país tem vindo a apostar na divulgação dos postos de emprego, na formação e na mobilidade.

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