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Covid-19. Prisões são o elo fraco na cadeia do contágio

por RTP
Bobby Yip, Reuters

Os reclusos das prisões dos Estados Unidos e de Hong Hong estão a receber ordens para fazerem máscaras e desinfetantes, na tentativa de dar resposta à escassez de material. Os ativistas alertam que os prisioneiros estão entre os mais vulneráveis ao Covid-19.

De acordo com a Reuters, as mulheres detidas na prisão de Lo Wu, em Hong Kong, foram informadas que teriam de fazer, durante o turno da noite, cerca de 2,5 milhões de máscaras por mês.

“Esta é uma exploração, uma outra forma de escravidão moderna”, afirmou Shiu Kachun, um parlamentar que está em campanha pela defesa dos direitos dos prisioneiros.

Um funcionário da prisão de Lo Wu referiu que cerca de 100 reclusas estão a trabalhar seis dias por semana, em turnos de seis a dez horas. O trabalho das reclusas é partilhado por mais mil polícias que se encontram reformados ou de folga.

Na passada segunda-feira, o governador de Nova Iorque anunciou que o Estado também iria utilizar mão-de-obra prisional para produzir mais de mil frascos de desinfetantes, que deverão ser distribuídos por escolas, prisões, sistemas de transporte e outras agências governamentais.

A decisão foi seriamente contestada por diversos políticos norte-americanos.

A democrata Ayanna Pressley salientou o vínculo "irónico" existente entre o equipamento que os prisioneiros estão a fabricar e a sua própria vulnerabilidade, ao publicar no twitter o seguinte comentário: “Uau. Considerando que muitos homens e mulheres das prisões estão sujeitos a condições desumanas, incluindo nenhum sabonete e os desinfetantes serem proibidos na maioria das prisões, isto é algo especialmente humilhante, irónico e explorador”.

Os ativistas do projeto Prisão Nacional alertam que os presos estão entre as populações mais vulneráveis à propagação do coronavírus.

“Há uma grande possibilidade de o vírus entrar na prisão e voltar a ser transmitido para a sociedade. Depois de uma doença contagiosa entrar, as condições nas instalações prisionais são altamente propícias à sua propagação”, salientaram os ativistas do projeto.

Neste sentido, alguns advogados norte-americanos pediram que as pessoas idosas e vulneráveis fossem libertadas das prisões, como forma de proteção contra o coronavírus.
O perigo das prisões superlotadas
Com a acensão de novos casos de Covid-19 pelo mundo, a superlotação das prisões em vários países tornou-se um perigo iminente para os reclusos que lá se encontram.

O chefe da polícia judiciária do Irão disse que cerca de 70 mil reclusos estavam a ser libertados de forma a combater a disseminação do vírus nas prisões, numa altura em que as autoridades já tinham relatado centenas de novas infeções e dezenas de outras mortes no país.

A saída destes prisioneiros só foi possível mediante a execução de um teste negativo ao covid-19 e após o pagamento de fianças, segundo o porta-voz da polícia judiciária.

“Relatos recentes indicam que o vírus do Covid-19 já se espalhou dentro das prisões iranianas”, referiu Javaid Rehman, relator da ONU para os direitos humanos no Irão.

A situação assemelha-se à de Itália, com a morte de vários reclusos pela contaminação do vírus. As prisões italianas estão entre as mais superlotadas da Europa.

Os especialistas em prisões do Reino Unido já demonstraram estar preocupados com o fato de as cadeias superlotadas poderem ser favoráveis à propagação de doenças.

A Howard League for Penal Reform, uma das principais instituições de caridade do Reino Unido escreveu uma carta ao Ministério da Justiça, a exigir uma declaração sobre as medidas tomadas para proteção de quem se encontra nas prisões e da população em geral.

“Se alguém entrar numa prisão já infetada com o coronavírus, ele irá espalhar-se e multiplicar-se como fogo dentro dos estabelecimentos e na comunidade”, refere na carta.

“Muitas prisões são imundas e repugnantemente anti-higiénicas. Funcionários, visitantes e reclusos não conseguem lavar-se e é difícil obter sabão. Os lavatórios e as pias nas celas estão alagados com anos de excrementos humanos. Raramente existem facilidades para os funcionários ou visitantes lavarem as mãos na entrada ou saída, o oposto do que é aconselhado pelo Governo”, salienta o documento.
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