Covid-19. Quem poderá ter sido o "paciente zero" em Itália?

A Itália é, neste momento, o segundo maior foco do novo coronavírus a nível mundial, tendo já mais de 12 mil pessoas infetadas e superado as oito centenas de mortos. São várias as teorias sobre quem terá sido o "paciente zero" nesse país, onde os investigadores continuam a tentar perceber a origem do surto para ajudar a evitar que, no futuro, um cenário tão grave se venha a repetir.

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A Itália é o segundo país do mundo com a população mais envelhecida, o que tem levado a um cada vez maior número de mortes entre os contagiados por Covid-19 Foto: Manuel Silvestri - Reuters

Uma das teses mais fortes sobre a origem do novo coronavírus em Itália recai sobre um doente chinês da cidade de Wuhan que, em janeiro ou fevereiro, se deslocou à região italiana da Lombardia para um procedimento cirúrgico.

Em entrevista à RTP, o pneumologista Filipe Froes explicou que “no decurso desse procedimento cirúrgico, parece que este doente chinês tinha queixas nasais e dores de garganta que não foram devidamente valorizadas nem contextualizadas e terá transmitido a doença ao médico que o operou”.
Passado cerca de sete dias, esse médico adoeceu e ficou internado com uma pneumonia "muito grave", submetido a entubação, ou seja “com um tubo para respirar ligado a um ventilador”, elucidou o especialista.

“Nos procedimentos a que ele era submetido diariamente, como ninguém sabia o que estava a acontecer, ocorreu transmissão na via aérea” no ambiente hospitalar, contagiando médicos, enfermeiros e outros doentes.

Filipe Froes explica que esta transmissão terá sido fácil pois “as partículas são mais pequenas, ficam suspensas no ar, ficam mais tempo no ar e vão mais longe”, pelo que “o risco de exposição dos profissionais de saúde e eventualmente de outros doentes” foi muito maior.
Vírus pode ter sido trazido da Alemanha para Itália
Por outro lado, uma equipa de cientistas de Milão acredita que a epidemia chegou a Itália não diretamente da China, mas através da Alemanha. A teoria surge depois de esses investigadores terem ligado a sequência genética do vírus na Itália a um caso que surgiu na Alemanha em janeiro.

“Esta sequência genética (…), que provavelmente precede as outras, veio de uma pessoa infetada em Munique muito provavelmente entre 19 e 22 de janeiro”, explicou à agência Reuters Massimo Galli, líder da equipa de cientistas e do departamento de doenças infeciosas no Hospital Sacco, em Milão. A Itália é o segundo país do mundo com a população mais envelhecida, o que tem levado a um cada vez maior número de mortes entre os contagiados por Covid-19, visto que os idosos são os mais vulneráveis a esta doença.

O investigador acrescentou que esse paciente alemão apanhou o vírus depois de ter estado em contacto com alguém que tinha vindo da cidade chinesa de Xangai. O alemão terá, depois, visitado Itália sem revelar sintomas e sem saber que portava o novo coronavírus.

Se esta teoria estiver correta, o surto em Itália terá começado entre 25 e 26 de janeiro, muito antes de o primeiro paciente em Itália ter sido diagnosticado na cidade de Codogno, na Lombardia, a norte do país.

Inicialmente, os médicos acreditavam que esse paciente de Codogno, que tem 38 anos, tinha sido contagiado por um colega que tinha estado de viagem na China. No entanto, esse colega testou negativo, pelo que a infeção tem de ter chegado de outra forma.
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