Crédito em incumprimento em Moçambique passa de risco moderado para alto

por Lusa

O Banco de Moçambique reconhece um agravamento no crédito em incumprimento (NPL) na banca nacional no primeiro semestre, que passou de risco moderado para alto, segundo boletim divulgado hoje.

No Boletim de Estabilidade Financeira, relativo ao primeiro semestre, o Banco de Moçambique refere que em junho "o risco de crédito permaneceu no nível moderado, não obstante o agravamento do NPL no semestre, o qual transitou do nível de risco moderado em dezembro de 2022, para alto".

"A manutenção do risco de crédito no nível moderado foi favorecida pela permanência do hiato do rácio crédito à economia/PIB em níveis negativos, mostrando que este rácio continua abaixo da sua tendência de longo prazo, e pelo fraco crescimento do crédito à economia que se fixou em 7,83% em junho de 2023, correspondente ao nível de risco baixo", lê-se.

Segundo o Banco de Moçambique, o rácio de NPL entre o total de crédito concedido subiu no final do primeiro semestre para 10,58%, face aos 8,97% em dezembro. Em junho de 2022 o rácio de NPL era de 10,02% e um ano antes de 9,92%.

Em junho passado, o rácio de cobertura de NPL pelos bancos era de 70,61%, contra os 71,84% em dezembro de 2022, mas acima dos 67,99% há um ano.

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Lucas Zandamela, afirmou em novembro que o setor bancário nacional está "sólido e bem capitalizado", mas alertou que o crédito em incumprimento permanece em níveis elevados.

"O rácio de crédito em incumprimento continua em níveis relativamente elevados", descreveu.

"O setor bancário nacional continua sólido e bem capitalizado, tendo o rácio de solvabilidade se fixado em 24% em setembro do corrente ano, correspondente a 12 pontos percentuais acima do mínimo regulamentar", destacou Zandamela.

Segundo dados do banco central, funcionam em Moçambique 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.

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