Crise na saúde da Coreia do Sul agudiza-se

por Lusa
Os médicos estagiários continuam em protesto Jeon Heon-Kyun - EPA

O governo da Coreia do Sul quer iniciar negociações com os médicos internos, em greve há 10 dias em protesto contra políticas governamentais, revelou o ministro adjunto da Saúde sul-coreano.

Mais de 10 mil médicos estagiários (cerca de 80% do total no país) apresentaram a demissão e quase nove mil abandonaram efetivamente os empregos desde 20 de fevereiro, após o executivo ter anunciado um plano para aumentar as vagas nas escolas médicas.

A greve afetou profundamente o funcionamento dos principais hospitais da Coreia do Sul, obrigando ao adiamento ou cancelamento de procedimentos não urgentes para garantir a resposta a casos de emergência.

As autoridades alargaram ao máximo o horário de consultas nos hospitais públicos, abriram ao público em geral as urgências dos 12 hospitais militares e deram aos enfermeiros proteção legal para realizarem alguns procedimentos normalmente reservados para médicos.

"Mandei uma mensagem a solicitar uma reunião [com os representantes dos médicos internos] (...) tenho que ir lá hoje para ver quantas pessoas estarão presentes", declarou o ministro adjunto da Saúde, Park Min-soo, numa conferência de imprensa.

Cerca de 44% dos sul-coreanos terão mais de 65 anos em 2050, de acordo com projeções das autoridades.

O governo calcula que faltarão 15 mil médicos para atender às necessidades do país até 2035 se nada for feito.

Mas os médicos opõem-se ao projeto por considerarem que a admissão de mais estudantes nas escolas médicas resultará numa queda no nível profissional dos futuros médicos e que a qualidade dos cuidados será prejudicada.

 

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