Mundo
Cuba a colapsar? "Não há petróleo, não há dinheiro, não há nada"
Sob ameaça de derrube do Governo, a ilha enfrenta um dos momentos mais críticos da sua história, mergulhada numa crise económica que ameaça paralisá-la.
“Não há petróleo, não há dinheiro, não há nada”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao justificar a pressão exercida por Washington. A Administração norte-americana incumbiu o secretário de Estado, Marco Rubio, de liderar negociações com as autoridades cubanas.
Cuba está a ser afetada por uma recessão económica, agravada pela hiperinflação e pela emigração de quase 20 por cento da população, retrato traçado pelo jornal britânico The Guardian.O Governo comunista, no poder há 67 anos, encontra-se num dos momentos - senão o momento- de maior fragilidade.
A escassez de combustível, provocada pela interrupção do fluxo de petróleo para a ilha, tem efeitos devastadores, segundo uma reportagem da estação norte-americana CNN divulgada esta quarta-feira.
Sem energia suficiente, escolas suspenderam aulas, trabalhadores foram colocados em licença não remunerada e hotéis quase vazios tiveram de fechar portas.
Voos vindos da Rússia e do Canadá foram cancelados por falta de combustível de aviação, enquanto o Reino Unido e o Canadá aconselham os seus cidadãos a evitarem viagens não essenciais a Cuba. Telejornal | 18 de fevereiro de 2026
A crise energética soma-se à queda abrupta do turismo, agravando ainda mais a situação económica.
A Administração Trump afirma que o Governo cubano precisa finalmente abrir a economia centralizada da ilha antes de esta entrar em colapso.
Mandy Pruna é motorista de um Chevrolet vermelho de 1957 em Cuba, e recordou à CNN o período após a reaproximação diplomática promovida por Barack Obama em 2015. “Todos os setores da sociedade beneficiaram disso”, afirmou, descrevendo aquela fase como “a melhor época para o turismo em Cuba”.O seu carro clássico chegou a integrar o cenário da cerimónia de hasteamento da bandeira na Embaixada dos EUA em Havana, simbolizando a restauração oficial das relações.
Atualmente, a realidade é outra. “Preciso de gasolina para poder trabalhar, preciso de turistas para poder trabalhar”, lamenta Pruna, que suspendeu a licença de motorista e pondera emigrar para Espanha com a família. “Tudo está incerto neste momento”.
A falta de combustível afeta hospitais, que reduziram serviços, e impede a recolha regular de lixo, acumulando resíduos em bairros inteiros. Em Havana, os cortes de energia tornaram-se rotina, deixando grande parte da cidade às escuras durante a noite.
O impacto económico atinge também setores estratégicos. O festival anual de charutos Habanos foi cancelado, privando o país de milhões de euros em receitas.
Empresas privadas que importam alimentos dos EUA interromperam atividades, alegando impossibilidade de manter produtos frescos durante os apagões.Após a operação militar de Washington contra a Venezuela, aliada de Cuba, no início de janeiro, o governo americano procura ativamente uma mudança de regime.
Marco Rubio, cubano-americano e crítico crónico do regime, afirmou que o Governo comunista sobreviveu durante décadas graças a subsídios externos, primeiro da União Soviética e depois do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.
“Pela primeira vez, não recebe subsídios de ninguém, e o modelo foi exposto”, disse durante a Conferência de Segurança de Munique.Segundo Rubio, a única questão a discutir com a liderança cubana é quando esta deixará o poder.
Enquanto isso, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel apelou à população para “resistir de forma criativa” e adotar uma mentalidade de tempos de guerra. “Comeremos o que pudermos produzir em cada lugar”, afirmou em janeiro, reconhecendo que, sem combustível, os alimentos não conseguem ser transportados entre municípios.Grande parte da comida consumida em Cuba é importada, resultado de décadas de políticas agrícolas ineficazes. Agora, essa “frágil” linha de abastecimento está ameaçada, com políticos cubano-americanos a defenderem o corte total de ajuda.
A deputada republicana norte-americana Maria Elvira Salazar, é filha de exilados cubanos que fugiram de Cuba, e declarou através dum vídeo, partilhada na rede social Facebook na passada quarta-feira, que “é tempo de parar com as migalhas” ao povo cubano, acrescentando que os cubanos “merecem liberdade” e condições para prosperar.
"Chegou a hora da liberdade", referiu Elvira Salazar, afirmando que, com o presidente Trump e o secretário Rubio "firmes e sem concessões", a liberdade de Cuba está mais próxima do que nunca. Acrescentou ainda que “chega de mecanismos que continuam financiando e sustentando a ditadura”.
Nos mercados agrícolas de Havana, os vendedores alertam para preços cada vez mais inflacionados e prateleiras vazias. “Não há comida. O impacto será terrível. Não teremos nada”, referiu uma comerciante à CNN.
Após anos a viver no limiar do colapso, Cuba pode agora enfrentar uma crise humanitária sem precedentes. Sem petróleo, sem turistas e sem reservas financeiras, a ilha aproxima-se de um ponto de rutura cuja dimensão ainda é impossível prever.
Cuba está a ser afetada por uma recessão económica, agravada pela hiperinflação e pela emigração de quase 20 por cento da população, retrato traçado pelo jornal britânico The Guardian.O Governo comunista, no poder há 67 anos, encontra-se num dos momentos - senão o momento- de maior fragilidade.
A escassez de combustível, provocada pela interrupção do fluxo de petróleo para a ilha, tem efeitos devastadores, segundo uma reportagem da estação norte-americana CNN divulgada esta quarta-feira.
Sem energia suficiente, escolas suspenderam aulas, trabalhadores foram colocados em licença não remunerada e hotéis quase vazios tiveram de fechar portas.
Voos vindos da Rússia e do Canadá foram cancelados por falta de combustível de aviação, enquanto o Reino Unido e o Canadá aconselham os seus cidadãos a evitarem viagens não essenciais a Cuba. Telejornal | 18 de fevereiro de 2026
A crise energética soma-se à queda abrupta do turismo, agravando ainda mais a situação económica.
A Administração Trump afirma que o Governo cubano precisa finalmente abrir a economia centralizada da ilha antes de esta entrar em colapso.
Mandy Pruna é motorista de um Chevrolet vermelho de 1957 em Cuba, e recordou à CNN o período após a reaproximação diplomática promovida por Barack Obama em 2015. “Todos os setores da sociedade beneficiaram disso”, afirmou, descrevendo aquela fase como “a melhor época para o turismo em Cuba”.O seu carro clássico chegou a integrar o cenário da cerimónia de hasteamento da bandeira na Embaixada dos EUA em Havana, simbolizando a restauração oficial das relações.
Atualmente, a realidade é outra. “Preciso de gasolina para poder trabalhar, preciso de turistas para poder trabalhar”, lamenta Pruna, que suspendeu a licença de motorista e pondera emigrar para Espanha com a família. “Tudo está incerto neste momento”.
A falta de combustível afeta hospitais, que reduziram serviços, e impede a recolha regular de lixo, acumulando resíduos em bairros inteiros. Em Havana, os cortes de energia tornaram-se rotina, deixando grande parte da cidade às escuras durante a noite.
O impacto económico atinge também setores estratégicos. O festival anual de charutos Habanos foi cancelado, privando o país de milhões de euros em receitas.
Empresas privadas que importam alimentos dos EUA interromperam atividades, alegando impossibilidade de manter produtos frescos durante os apagões.Após a operação militar de Washington contra a Venezuela, aliada de Cuba, no início de janeiro, o governo americano procura ativamente uma mudança de regime.
Marco Rubio, cubano-americano e crítico crónico do regime, afirmou que o Governo comunista sobreviveu durante décadas graças a subsídios externos, primeiro da União Soviética e depois do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.
“Pela primeira vez, não recebe subsídios de ninguém, e o modelo foi exposto”, disse durante a Conferência de Segurança de Munique.Segundo Rubio, a única questão a discutir com a liderança cubana é quando esta deixará o poder.
Enquanto isso, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel apelou à população para “resistir de forma criativa” e adotar uma mentalidade de tempos de guerra. “Comeremos o que pudermos produzir em cada lugar”, afirmou em janeiro, reconhecendo que, sem combustível, os alimentos não conseguem ser transportados entre municípios.Grande parte da comida consumida em Cuba é importada, resultado de décadas de políticas agrícolas ineficazes. Agora, essa “frágil” linha de abastecimento está ameaçada, com políticos cubano-americanos a defenderem o corte total de ajuda.
A deputada republicana norte-americana Maria Elvira Salazar, é filha de exilados cubanos que fugiram de Cuba, e declarou através dum vídeo, partilhada na rede social Facebook na passada quarta-feira, que “é tempo de parar com as migalhas” ao povo cubano, acrescentando que os cubanos “merecem liberdade” e condições para prosperar.
"Chegou a hora da liberdade", referiu Elvira Salazar, afirmando que, com o presidente Trump e o secretário Rubio "firmes e sem concessões", a liberdade de Cuba está mais próxima do que nunca. Acrescentou ainda que “chega de mecanismos que continuam financiando e sustentando a ditadura”.
Nos mercados agrícolas de Havana, os vendedores alertam para preços cada vez mais inflacionados e prateleiras vazias. “Não há comida. O impacto será terrível. Não teremos nada”, referiu uma comerciante à CNN.
Após anos a viver no limiar do colapso, Cuba pode agora enfrentar uma crise humanitária sem precedentes. Sem petróleo, sem turistas e sem reservas financeiras, a ilha aproxima-se de um ponto de rutura cuja dimensão ainda é impossível prever.