Cuba desmente Trump sobre conversações com Estados Unidos

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, negou hoje a existência de conversações entre Cuba e os Estados Unidos, depois de o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que estavam em curso negociações com Havana.

Lusa /
Maxim Shemetov - Reuters

"Não existe qualquer discussão com o governo dos Estados Unidos, à exceção de contactos técnicos no domínio migratório", assegurou Díaz-Canel nas redes sociais, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Trump disse no domingo que estavam em curso discussões entre os Estados Unidos e Cuba.

"Estamos a discutir com Cuba", disse Trump, que aumentou nos últimos dias a pressão sobre o regime comunista de Havana, sobretudo depois da operação em 03 de janeiro em Caracas para capturar o ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Trump avisou mesmo que Cuba devia alcançar um acordo antes que fosse demasiado tarde.

"Como a história demonstra, as relações entre os Estados Unidos e Cuba, para que avancem, devem basear-se no Direito Internacional em vez da hostilidade, da ameaça e da coerção económica", escreveu Díaz-Canel, também citado pela agência espanhola EFE.

Díaz-Canel disse que Cuba estava disposta "a manter um diálogo sério e responsável" com a atual administração norte-americana com base na igualdade de soberania e no respeito mútuo.

Também segundo os "princípios de Direito Internacional, benefício recíproco, sem ingerência em assuntos internos e com pleno respeito pela nossa independência", acrescentou.

Trump incluiu o apelo a Cuba para negociar um acordo com Washington numa mensagem nas redes sociais, no domingo, dedicada à ilha das Caraíbas, na qual insistiu que Havana não vai receber "mais petróleo nem dinheiro" da Venezuela.

"Sugiro-lhes [a Cuba] que cheguem a um acordo antes que seja demasiado tarde", advertiu Trump, que desde a captura de Maduro tem vaticinado que o regime cubano cairá em breve.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, afirmou na sexta-feira que Cuba não irá "vender o país nem ceder perante a ameaça e a chantagem" dos Estados Unidos.

Rodríguez falou depois de participar numa homenagem em Caracas aos mortos nos ataques norte-americanos para capturar Maduro, entre os quais se encontravam 32 militares e espiões cubanos.

A Venezuela tem sido o principal fornecedor de petróleo de Cuba a partir de um acordo bilateral, através do qual Caracas recebe em troca serviços profissionais de Havana, principalmente médicos e professores, mas também especialistas em segurança e defesa.

A interceção norte-americana de navios petrolíferos sancionados provenientes do país sul-americano, e o anúncio de Trump de que Washington terá o controlo total sobre a venda do petróleo venezuelano, ameaçam colocar Havana numa situação de tensão máxima.

Cuba sofre uma profunda crise energética desde meados de 2024, devido às frequentes avarias nas obsoletas centrais e à falta de divisas do Estado para adquirir o combustível necessário para as unidades de produção de energia.

A crise provoca cortes elétricos de 20 ou mais horas diárias em amplas zonas do país, segundo a EFE.

Tópicos
PUB