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Cuba disposta a “diálogo sem pressões” com os EUA

Cuba disposta a “diálogo sem pressões” com os EUA

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reiterou esta quinta-feira disponibilidade para dialogar com os Estados Unidos da América, desde que as negociações com a administração Trump decorram “sem pressões” e num quadro de “igualdade e de respeito pela soberania e autodeterminação” da ilha.

RTP /
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Foto por HANDOUT / CUBA TV / AFP

As necessidades energéticas de Cuba foram drasticamente afetadas pela deposição do presidente da Venezuela Nicolás Maduro, no princípio deste ano, e pela subsequente apropriação do controlo do setor petrolífero do país latino-americano por parte dos EUA, que parou as exportações do principal fornecedor de energia a Cuba ao longo das últimas décadas.

A escalada de tensão entre os dois países vizinhos teve um novo episódio na semana passada, por via de uma ordem executiva promulgada por Donald Trump que, classificando a ilha das Caraíbas como uma "ameaça invulgar e extraordinária" para a segurança nacional e para a política externa dos Estados Unidos, abriu a porta à imposição de tarifas aduaneiras aos países que vendam petróleo a Cuba.

Estrangulada por fortíssimas sanções económicas estimuladas pelos Estados Unidos desde 1962, Cuba enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade. O recente embargo petrolífero venezuelano amplia uma crise que já era grave.

A presidente do México anunciou a intenção de envolver a Marinha do país numa missão de entrega de auxílio urgente a Cuba, enquanto tenta negociar com os Estados Unidos o fornecimento de petróleo "por razões humanitárias" para a ilha.

"Esta semana, estamos a planear ajuda humanitária a Cuba. A Marinha mexicana fornecerá alimentos e outros mantimentos, enquanto resolvemos diplomaticamente tudo o que está relacionado com os carregamentos de petróleo por razões humanitárias", anunciou Claudia Sheinbaum no domingo.

Infraestruturas em colapso

Desde meados de 2024 que a ilha enfrenta uma grave crise energética, com apagões diários que ultrapassam as 20 horas em todas as localidades.

Em 31 de janeiro, Cuba registou o maior apagão desde que começou a publicar regularmente estatísticas energéticas em 2022, que deixou 63% do país sem energia em simultâneo. 

Hoje, o sistema elétrico nacional de Cuba sofreu um novo apagão parcial, afetando aproximadamente 3,4 milhões de pessoas em quatro províncias do leste da ilha (Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo).

Sete das 16 centrais termoelétricas de Cuba - que representam aproximadamente 40% da geração energética do país - estão fora de serviço devido a avarias ou manutenção, incluindo duas das três maiores.

Os prolongados apagões diários estão a prejudicar a economia, que contraiu mais de 15% desde 2020, segundo dados oficiais, e têm sido o catalisador dos principais protestos dos últimos anos.

Na quarta-feira, o porta-voz do secretário-geral da ONU disse que António Guterres está "extremamente preocupado" com a situação humanitária em Cuba, "que vai piorar, ou mesmo entrar em colapso" se as necessidades petrolíferas do país não forem atendidas.

(Com agências)
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