Debaixo de fogo. Macron vai falar aos franceses sobre reforma das pensões

por Cristina Sambado - RTP
Gonzalo Fuentes - Reuters

Emmanuel Macron prepara-se para falar aos franceses na quarta-feira, em entrevista televisiva, uma intervenção aguardada após a aprovação da nova idade da reforma, dos 62 para os 64 anos, que tem provocado muita contestação nas ruas de várias cidades do país.

O presidente francês vai responder, à hora de almoço de quarta-feira, às perguntas dos jornalistas numa entrevista em direto na TF1 e na France 2, revelou o Palácio do Eliseu.Emmanuel Macron está a cumprir o segundo mandato de cinco anos. E menos de um ano após a reeleição está a debater-se com forte contestação popular.

Para esta terça-feira, Macron tem agendados encontros com o seu núcleo duro. Vai receber a primeira-ministra Elisabeth Borne, que escapou por pouco a uma moção de censura na Assembleia Nacional, e também os presidentes da Assembleia e do Senado.
Antena 1

Para a noite está marcada, no Palácio do Eliseu, uma reunião com os deputados dos três partidos que apoiam o presidente.

Esta sucessão de encontros ocorre após a crise política aberta pela reforma das pensões em França, que tem gerado manifestações e greves em vários setores.


A oposição, que na Assembleia Nacional esteve a nove votos de derrubar o Governo, pediu a Macron que abandone o diploma e convoque eleições legislativas.
A primeira-ministra, Elisabeth Borne, já garantiu que vai continuar com o programa de reformas.

Após dois meses de concertação e de uma intensa mobilização sindical e popular contra o projeto de lei, a aprovação pela força por parte do Governo, recorrendo ao Artigo 49.3, foi fortemente criticada pela oposição.


Desde 19 de janeiro, centenas de milhares de cidadãos franceses manifestaram-se em oito ocasiões para dizer não à lei, que consideram injusta, em especial para as mulheres e para os trabalhadores com profissões de elevado desgaste. França é um dos países europeus em que a idade legal da reforma é mais baixa, embora os sistemas de aposentações que sejam totalmente comparáveis.

Na noite de segunda-feira, caixotes de lixo foram derrubados e queimados. E em algumas cidades houve confrontos entre as autoridades policiais e manifestantes.
Durante as manifestações foram detidas 287 pessoas, 234 em Paris.

Em Donges (oeste), a polícia foi obrigada a intervir para desbloquear o terminal petrolífero que estava ocupado, há uma semana, por grevistas.

Esta terça-feira, o Governo anunciou a requisição do depósito petrolífero de Fos-sur-Mer.

c/ agências
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