Defesa de Rendeiro pede transferência de prisão após ameaças de morte

A equipa de defesa do antigo banqueiro vai pedir a transferência de João Rendeiro para outra prisão. A advogada June Marks confirmou que o ex-presidente do BPP recebeu ameaças de morte na sequência das "notícias" sobre a sua detenção. O interrogatório em tribunal decorre esta terça-feira a partir das 12h00 (hora em Lisboa).

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João Rendeiro chegou cedo ao tribunal de Verulam Magistrates, em Durban, num carro celular coletivo, juntamente com outros reclusos. Luís Miguel Fonseca - Lusa

Em direto a partir de Durban, o enviado especial da RTP, Pedro Martins, confirmou o novo adiamento por algumas horas a pedido da defesa.
Ainda não se sabem detalhes sobre as condições em que João Rendeiro está detido na prisão de Westville. Mas em declarações à imprensa, a advogada June Marks confirma que haverá um pedido de transferência de prisão após João Rendeiro ter recebido ameaças de morte.

Outros reclusos da mesma ala terão percebido através de notícias que Rendeiro é ex-banqueiro e tem posses financeiras significativas. 

"Estou a tratar agora mesmo do pedido de transferência para outra prisão. Quero apresentar este pedido ainda antes da audiência. Ele tem recebido ameaças de morte por causa das notícias e é apresentado como alguém que tem muito dinheiro, dinheiro que na verdade ele não tem", refere June Marks.

"Por isso o ambiente é muito ameaçador. Queremos transferi-lo para uma prisão onde isto não aconteça", acrescenta a advogada.
Depois de ter passado duas noites na esquadra de Durban Norte, João Rendeiro está detido desde segunda-feira na prisão de Westville, que é uma das maiores da África do Sul.

A prisão está sobrelotada - alberga pelo menos 40 mil reclusos - e é conhecida pela violência, com relatos de vários motins nos últimos anos.

O tribunal de Verulam Magistrates, em Durban, na África do Sul, ouve esta terça-feira o ex-banqueiro português João Rendeiro após a sessão de segunda-feira ter sido adiada a pedido da defesa.

A audiência estava marcada para as 11h00 (9h00 em Lisboa), mas acabou por ser adiada para as 14h00 locais (12h00 em Lisboa). Esta terça-feira, Rendeiro chegou cedo ao tribunal num carro celular coletivo, juntamente com outros reclusos.

João Rendeiro foi presente no tribunal na segunda-feira, depois de no sábado ter sido detido num hotel de cinco estrelas em Durban, na província sul-africana do KwaZulu-Natal.

A sessão durou pouco mais de dez minutos já que a defesa pediu mais tempo para preparar o processo.
Entretanto, os advogados do ex-banqueiro pediram a sua libertação sob fiança.

O Ministério Público sul-africano vai pedir ao tribunal que o ex-banqueiro fique na cadeia até ser decidida a extradição, enquanto a defesa quer que ele seja libertado com pagamento de fiança.

A eventual extradição de João Rendeiro para Portugal não está ainda em discussão na atual fase do processo, disse a sua advogada de Rendeiro na África do Sul, June Marks. A advogada garantiu ainda que se o pedido de libertação for recusado, pretende recorrer da decisão.

Rendeiro estava fugido à justiça há três meses e as autoridades portuguesas reclamam agora a sua extradição para cumprir pena em Portugal.
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