Democratas ultrapassaram republicanos em mais de 12 milhões de votos para o Senado

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No rescaldo das eleições intercalares, as lideranças partidárias e os especialistas debruçam-se sobre os resultados que ditaram a vitória dos Republicanos no Senado e a reconquista da maioria Democrata na Câmara dos Representantes. Há quem alerte para a enorme discrepância entre os votos dos principais partidos que acabou por não se refletir numa alteração de forças. Os constitucionalistas alertam para os potenciais efeitos do gerrymandering, ou seja, da divisão dos distritos para benefícios eleitorais.

O resultado das eleições intercalares de terça-feira ditou mudanças significativas no Congresso norte-americano, com a vitória democrata na Câmara dos Representantes e o reforço da maioria republicana no Senado.  


No entanto, avaliadas as principais vitórias e derrotas por ambos os aparelhos partidários, destaca-se o número bastante superior de votos dos Democratas na contabilização final para o Senado – mais 12 milhões que os Republicanos – o que não impediu que o Grand Old Party tenha conseguido fortalecer a maioria nesta câmara.

“A ascensão das minorias na América é agora inequívoca. Especialmente quando temos um Presidente que foi eleito com uma maioria no colégio eleitoral, ainda que tenha recebido menos três milhões de votos que a sua adversária, e um Supremo Tribunal em que cinco dos nove juízes foram nomeados por presidentes republicanos, que receberam menos votos populares que os seus opositores democratas e foram confirmados por um Senado similarmente enviesado”, considera Laurence Tribe, um professor de Direito Constitucional na Universidade de Harvard, em declarações ao jornal The Guardian.  

Na explicação dos analistas, a desvantagem republicana nestas eleições evitou uma maioria ainda mais significativa na Câmara dos Representantes, bem como uma eventual vitória também no Senado. A “onda azul”, dizem, foi evitada por uma junção de fatores, nomeadamente por táticas de gerrymandering e de anulação de votos.

Para Laurence Tribe, este “ajuste deliberado das fronteiras de distrito” garantiu ainda que a vitória dos Democratas na Câmara dos Representantes não fosse tão avassaladora e que o equilíbrio relativo naquela câmara se mantivesse.  

O processo de gerrymandering designa as mudanças no formato dos distritos federais, desenhados de dez em dez anos com base nos censos, geralmente feitos de forma a obter vantagem no número de representantes políticos conquistados. O desenho atual, REDMAP (Redistricting Majority Project) foi concebido em 2010 por responsáveis republicanos. A próxima redefinição de “fronteiras de distrito” acontece em 2020.  

Outro elemento que poderá ter enviesado os resultados desta eleição, prejudicando sobretudo os Democratas, foi a “supressão” de votos em alguns Estados, como salienta o jornal The Guardian. Foi o caso de Dacota do Norte, onde muitos nativos norte-americanos foram impedidos de votar, ou na Geórgia, onde a Democrata Stacey Abrams esteve próxima de ser eleita como primeira mulher negra congressista.  
Abrams obteve 48,7 por cento dos votos, mas sabe-se que o pedido de registo de mais de 50 mil eleitores ficou suspenso ainda antes da eleição (na sua grande maioria, esta suspensão foi aplicada a eleitores negros).  

Até ao momento, Stacey Abrams recusa-se a reconhecer a derrota e pede que todos os votos sejam contabilizados.  

“Não se enganem. Esta corrida ainda não acabou. Como temos feito desde o primeiro dia, a minha equipa vai continuar a trabalhar, sem parar, para garantir que todos os boletins de voto são contados. Porque votar é o alicerce e a força vital da nossa democracia”, afirmou. 

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