Trump demite Sessions e não desarma perante novo Congresso

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Na reação imediata aos resultados das eleições intercalares, que ditaram uma nova distribuição de poderes no Capitólio, o Presidente norte-americano demitiu Jeff Sessions, o procurador-geral que há vários meses ameaçava afastar. Um dia de tensão na Casa Branca, que ficou igualmente marcado pela suspensão da credencial jornalística de Jim Acosta, repórter da CNN, após uma troca acesa de palavras durante uma conferência de imprensa.

Jeff Sessions apresentou a carta de demissão na terça-feira, a pedido do Presidente norte-americano. “Agradecemos ao procurador-geral Jeff Sessions pelo seu serviço e desejo-lhe o melhor!”, escreveu Donald Trump no Twitter.  



“Temos o prazer de anunciar que Matthew G. Whitaker, chefe do gabinete do procurador-geral Jeff Sessions no Departamento de Justiça, se vai tornar no novo procurador-geral dos Estados Unidos”, apontou noutro tweet sobre o responsável interino pelo cargo.

Há vários meses que esta saída se deixava adivinhar, tendo em conta as constantes críticas e ataques pessoais do Presidente contra Sessions, depois de este se ter escusado de participar e a liderar na investigação a Trump. Para os apoiantes do Presidente, foi essa decisão que precipitou a nomeação do procurador especial, Robert Mueller.  

Agora, os democratas veem a demissão de Jeff Sessions, que detinha o cargo de procurador-geral (attorney general, um cargo equivalente ao ministro da Justiça) como uma tentativa por parte da Presidência de minar a investigação à alegada ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 e mesmo de obstrução à Justiça.  

Importa também realçar que esta decisão surge numa altura em que o Partido Democrático recupera a maioria na Câmara dos Representantes, o que permitirá à oposição a abertura de novas investigações à atuação do Presidente e da Casa Branca.  

A própria decisão de afastar Sessions poderá mesmo ditar a primeira destas investigações, quando o novo Congresso assumir funções, a 3 de janeiro de 2019.

"Os americanos têm de ter respostas imediatas sobre o que motivou a demissão de Jeff Sessions do Departamento de Justiça por Donald Trump. Porque é que o Presidente está a fazer esta mudança e quem tem autoridade sobre a investigação do conselheiro especial Mueller? Queremos responsabilizar os culpados", escreveu no Twitter o democrata Jerry Nadler, eleito para a Câmara dos Representantes.


Na reação a esta demissão, Nancy Pelosi, a mais provável líder da maioria Democrata na câmara baixa, considerou que o afastamento de Sessions constitui “uma tentativa flagrante” de enfraquecer a investigação à alegada interferência de Moscovo em conluio com a campanha do atual Presidente.  

Jeff Sessions até foi um dos principais apoiantes de Donald Trump durante a campanha presidencial, mas afastou-se de forma irreversível do Presidente ao ter-se afastado da investigação ao Presidente sobre as suas ações durante a campanha.  

Desde que se iniciou o inquérito liderado por Robert Mueller que Trump recusa qualquer envolvimento russo na vitória de 2016, referindo-se repetidamente às investigações como uma "caça às bruxas”.
Tensão com a imprensa

A decisão de afastar Jeff Sessions surge num momento de viragem na Presidência norte-americana após os resultados das eleições intercalares. No Senado, os republicanos não só mantiveram como também alargaram a sua maioria - uma maioria reforçada deverá facilitar a aprovação de um novo procurador-geral proposto por Trump para substituir Jeff Sessions -, enquanto na Câmara dos Representantes, os democratas recuperaram uma maioria que lhes escapava há oito anos.

Com poder efetivo numa das câmaras do Congresso, a oposição a Donald Trump poderá constituir uma verdadeira força de bloqueio e de escrutínio às propostas legislativas e à atuação da atual Administração, ainda que esta clame vitória "tremenda" nas midterms.

Na conferência de imprensa de 90 minutos onde apresentou a sua leitura dos resultados eleitorais, o Presidente norte-americano avisou que manteria uma "postura de guerra" caso os democratas avancem com uma onda de investigações contra si. 

"Eles podem jogar esse jogo, mas nós conseguimos jogar ainda melhor", alertou Donald Trump. Por outro lado, o Presidente mostrou-se disponível para cooperar com os democratas em assuntos-chave, caso estes não avancem com investigações contra si.  

Mas a postura de guerra alargou-se também à imprensa, quando questionado acerca da retórica usada durante a campanha sobre a "caravana" de migrantes da América Central que se dirigem à fronteira com os Estados Unidos, bem como às investigações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

Donald Trump visou especificamente o repórter Jim Acosta, da CNN, a quem viria a suspender por tempo indefinido a credencial de jornalista junto da Casa Branca, já depois da conferência de imprensa.

"A CNN devia ter vergonha de o ter a trabalhar para eles. É uma pessoa mal educada e terrível", apontou o Presidente norte-americano, obrigando o jornalista a pousar o microfone.

Em comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders considerou o comportamento do repórter "completamente inaceitável", uma vez que este se recusou a entregar o microfone a um membro do staff da Casa Branca.

A cadeia televisiva norte-americana considera que esta medida foi tomada "em retaliação contra as perguntas desafiantes" durante a conferência de imprensa.

"Esta decisão sem precedentes é uma ameaça para a nossa democracia e o país merece melhor", aponta a CNN em comunicado.

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