Depois da Venezuela, quais são os próximos alvos de Donald Trump?

Após a captura do Presidente Maduro na Venezuela, Donald Trump, encorajado por uma operação militar bem sucedida, anunciou novos objetivos no domingo à noite no seu Air Force One. "A Colômbia também está muito doente. É dirigida por um homem mentalmente doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos. E acreditem em mim, não vai durar", garantiu o Presidente norte-americano aos jornalistas. Até onde pode ir Trump?

Um Olhar Europeu com RTBF /
Jim Watson / AFP

Donald Trump também reiterou o seu desejo de se apoderar da Gronelândia. Mas, onde é que o presidente americano vai parar? Quais são os próximos objetivos?
Colômbia

A Colômbia está, portanto, na mira de Donald Trump. Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos levarem a cabo uma operação militar contra a capital, Bogotá, o Presidente americano respondeu: "Isso parece-me bem".

Uma frase curta e cheia de insinuações que deixou o presidente colombiano Gustavo Petro em alvoroço. Petro rejeita as acusações de Donald Trump de que seja um traficante de droga, tal como o presidente venezuelano que foi capturado no fim de semana.

Será de facto concebível uma operação dos EUA na região? "A Colômbia é uma história completamente diferente da Venezuela. Não é a mesma configuração", sublinha Michel Liégeois, professor de ciência política na Universidade Católica de Lovaina (UCL).

"O atual Presidente da Colômbia foi efetivamente eleito em condições eleitorais justas. Goza de um maior apoio popular. Não há comparação", garante Michel Liégeois.

Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, os dois líderes têm-se confrontado regularmente sobre questões como as tarifas aduaneiras e a política de migração.Gronelândia
Grande ilha ártica com 57. 000 habitantes e território autónomo dinamarquês, a Gronelândia possui importantes recursos minerais, na sua maioria inexplorados, e tem uma posição estratégica. Donald Trump reiterou a sua apetência pela região.

"Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional e a Dinamarca não será capaz de tomar conta", reafirmou Donald Trump aos jornalistas no domingo. Vamos tratar da Gronelândia dentro de dois meses. Vamos falar da Gronelândia daqui a 20 dias".

"Não há qualquer comparação entre a situação na Venezuela e na Gronelândia, face às ações e intenções dos Estados Unidos fora das suas fronteiras", reagiu com firmeza Paula Pinho, porta-voz principal da Comissão Europeia, na segunda-feira.

"A Gronelândia é outra coisa. É um território com um estatuto especial que está sob a soberania dinamarquesa e isso significaria atacar um aliado. Não é totalmente impossível", acrescenta Michel Liégeois, professor de ciência política na UCL.

"A Gronelândia é um aliado dos Estados Unidos, está abrangida pela aliança da NATO, o que é uma diferença muito grande", sublinhou a porta-voz da Comissão Europeia no briefing diário do executivo europeu.
Cuba e México
O Presidente dos EUA intensificou também as suas ameaças de intervenção contra Cuba e o México. Estes países poderiam, portanto, ser os próximos alvos potenciais.

"O México é o país de trânsito de uma parte do fentanil encontrado em grandes quantidades nos Estados Unidos. Mas o México é também um parceiro económico importante. Penso que o México poderá, a dada altura, recear uma ou outra ação americana, mas penso que ainda estamos longe disso, porque em toda a estratégia internacional de Donald Trump, os aspetos económicos são obviamente primordiais", acrescenta Serge Jaumain, professor de história contemporânea na Universidade Livre de Bruxelas (ULB) e especialista em Estados Unidos.Irão
Por último, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que o seu inimigo de 40 anos, o Irão, seria atingido "muito duramente" se fossem mortos manifestantes durante os atuais protestos no país, inicialmente por razões económicas, mas que se alargaram para incluir exigências políticas.

"Estamos a observar isto de muito perto. Se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, penso que vão ser muito duramente atingidos", disse Donald Trump a bordo do seu avião Air Force One.

Em junho passado, os Estados Unidos bombardearam várias instalações nucleares iranianas importantes. Este ataque pôs fim a um processo de negociações bilaterais entre os Estados Unidos e o Irão, com o objetivo de limitar o programa nuclear iraniano.

"Donald Trump quer continuar a pressionar o Irão, que é um ator muito importante na região, e tentar desestabilizar ainda mais o Irão. Mas, apesar do seu enfraquecimento, o Irão ainda seria provavelmente capaz de se defender um pouco melhor do que a Venezuela", conclui Serge Jaumain, professor de história contemporânea na ULB e especialista em Estados Unidos.

Debatis Alice / 6 janeiro 2026 05:36 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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