Deputado brasileiro apela a "pacto global" para preservar Amazónia

O líder da Rede Sustentabilidade na Câmara dos deputados do Brasil apelou a "pacto global" para que a Amazónia e o ambiente sejam preservados, numa altura em que o país acolhe a Cimeira da Amazónia.

Lusa /

"O aquecimento global tem-se acentuado de uma forma absurda", sendo por isso imperativo a revitalização de áreas de preservação e das florestas, afirmou, em entrevista à Lusa, o deputado federal Túlio Gadelha, a poucos dias da Cimeira da Amazónia, que acontecerá na terça-feira e quarta-feira, organizada pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva, e cuja ambição é assinatura de um documento pelos oito presidentes dos países que fazem parte do bioma, numa posição consolidadas e unificada sobre a preservação da floresta tropical para ser apresentada na próxima cimeira mundial do clima, em novembro.

"A Preocupação com a Amazónia é uma preocupação global", frisou o deputado.

"A gente precisa forçar a construção de pacto global para a preservação do meio ambiente", reforçou, enaltecendo o esforço do Presidente brasileiro, que tem "conseguido trazer parceiros para contribuir para o fundo Amazónia".

O encontro, promovido pelo Governo brasileiro, realiza-se na cidade de Belém, estado do Pará e contará com a presença dos oito países que compõem a Amazónia (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), tendo sido convidados a Indonésia, a República Democrática do Congo e a República do Congo, nações que, juntamente com o Brasil, têm as maiores florestas tropicais do mundo, bem como a França, pela Guiana Francesa.

Luiz Inácio Lula da Silva contará ainda com a presença dos presidentes Luis Arce (Bolívia), Gustavo Petro (Colômbia), Dina Boluarte (Peru), Irfaan Ali (Guiana) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Os presidentes do Equador, Guillermo Lasso, e do Suriname, Chan Santokhi, não comparecerão devido a questões políticas internas nos seus países.

Noruega e Alemanha, que financiam o Fundo da Amazónia, também estão na lista das nações chamadas para participar no evento.

"Há um compromisso que esse Governo tem e que o anterior não tinha", disse o parlamentar membro da comissão de Meio ambiente, da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Transição Climática Justa e da Frente Parlamentar Mista Ambientalista.

 "Não só temos que desfazer o que aconteceu nos últimos quatro anos, temos de tentar `zerar` o desmatamento", frisou, referindo-se, por um lado, ao Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e, por outro, ao compromisso de Lula da Silva em acabar com o desmatamento ilegal até 2030.

O deputado enalteceu ainda os números de apreensão e as ações de fiscalização por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA): Nos primeiros sete meses de Lula da Silva enquanto Presidente, as ações contra infração aumentaram 173%, o volume de multas aplicadas cresceu 147%, os embargos cresceram 123% e apreensões (entre barcos e aeronaves) 107%.

"Tem falado repetidamente, como nunca falou antes, das questões climáticas e ambientais", disse, referindo-se ao Presidente brasileiro.

Essas ações, rejubilou Túlio Gadelha, fazem com que se "reduza a quantidade de mercúrio das águas hoje, fazem com que a gente mantenha as florestas".

"Mais importante do que ter um bom trabalho dos órgãos de fiscalização é, a partir de medidas do Congresso, realizar novos concursos para ter mais pessoas ajudando a fiscalizar e combater o crime organizado", disse.

De janeiro a julho, a Amazónia brasileira perdeu 3.149 quilómetros quadrados de vegetação, uma redução de 42,5% em relação ao período homólogo de 2022.

Este valor inverteu a tendência de aumento da devastação registada nos últimos meses do Governo de Bolsonaro, que cresceu 54,1% em termos anuais entre agosto e dezembro de 2022.

O Desafio que o Brasil tem pela frente é grande, porque como sublinhou o Túlio Gadelha o `bolsonarismo` saiu reforçado nas últimas eleições na câmara de deputados, em outubro de 2022.

Apelidando este campo de reacionários, o deputado federal disse o negocismo dos parlamentares eleitos ligados a Jair Bolsonaro "acontece no campo político e no campo climático também"

"Nega-se a que existe desmatamento na Amazónia, mesmo com todos os dados de satélite", disse, afirmando que cerca de um terço da Câmara dos Deputados "relativiza a verdade e nega a ciência".

 

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