Deputado israelita muito criticado após declarações sobre colonatos na Cisjordânia
Um vice-ministro israelita foi hoje alvo de duras críticas após designar de "sub-humanos" os residentes de um colonato não autorizado na Cisjordânia ocupada, numa demonstração da fragilidade da atual coligação no poder e a sua diversidade ideológica.
Yair Golan, um ex-alto responsável militar e membro do partido Meretz (esquerda moderada) foi muito censurado por diversos setores pelos seus comentários que aparentemente relacionam a atual situação em Israel com o período da Alemanha nazi.
"Não são pessoas, são sub-humanos. Gente lamentável e que são a desonestidade do povo judeu. Não devem obter qualquer apoio", disse Golan ao canal televisivo do Knesset (parlamento). "Esta abordagem nacionalista radical vai conduzir-nos à catástrofe".
Golan, que ocupa a pasta de vice-ministro da Economia, referia-se aos habitantes de um colonato ilegal na Cisjordânia que foi evacuado no âmbito da retirada de Israel da Faixa de Gaza em 2005, mas onde os colonos decidiram repetidamente reconstruir as estruturas.
Os colonos e seus apoiantes também se envolveram em confrontos com palestinianos de localidades vizinhas. Golan indicou que se referia a colonos suspeitos de terem profanado um cemitério de muçulmanos dessa região, e que relacionou com um "pogrom".
As tensões têm-se avolumado nesta região e em torno do colonato ilegal. Em dezembro, um palestiniano disparou contra um carro que transportava estudantes religiosos judaicos provocando um morto e dois feridos, perto do colonato Homesh, que o Governo israelita considera ilegal.
Numa entrevista paralela à Rádio militar israelita, Golan justificou esta tarde as suas declarações, considerando que a maioria dos colonos judaicos instalados na Cisjordânia ocupada cumprem as leis.
Num `tweet`, o primeiro-ministro Naftali Bennett considerou as declarações de Golan "chocantes e que se aproximam de um libelo de sangue". Os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa do Estado judaico também condenaram as suas declarações.
Já o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, agora chefe da oposição, considerou as declarações de Golan "diretamente extraídas da terminologia nazi contra o povo judeu" e pediu a Bennet para o demitir.
Este incidente voltou a demonstrar as fragilidades e divisões internas entre a coligação no poder, com diversos dos seus protagonistas a emitirem posições muito diversas, em particular sobre os 54 anos de ocupação militar israelita da Cisjordânia e a contínua instalação de colonatos, ambas consideradas ilegais pelas instâncias internacionais.