Derek Chauvin. O que se sabe sobre o agente acusado da morte de George Floyd?

por Joana Raposo Santos - RTP
Chauvin, de 44 anos, está acusado do assassinato e homicídio em segundo grau de George Floyd. Foto: Reuters

Derek Chauvin trabalhou para o Departamento de Polícia de Minneapolis, no Estado do Minnesota, durante mais de 18 anos. Bastaram oito minutos e 46 segundos para que a sua carreira fosse dada por terminada, ao decidir imobilizar o afro-americano George Floyd com um joelho sobre o pescoço, causando-lhe a morte. Agora acusado de homicídio em segundo grau, Chauvin teve de passar por três prisões diferentes até que fosse encontrada uma onde a sua própria segurança pudesse ser garantida.

Antes do sucedido a 25 de maio, Derek Chauvin possuía já 18 outras queixas contra si. O teor das mesmas não é conhecido, mas pelo menos duas delas estão relacionadas com questões de “disciplina”, de acordo com o departamento de Assuntos Internos da Polícia de Minneapolis.

Em 2006, o então polícia disparou sobre um homem que supostamente estava armado, tendo este acabado por morrer. Em 2008 fez o mesmo contra um suspeito de violência doméstica. E em 2011 abriu fogo contra um homem que fugia de um tiroteio.

Também o agente Tou Thao, outro dos envolvidos na morte de George Floyd, possuía seis queixas contra si, estando uma delas ainda em aberto. Os dois outros agentes presentes no momento do homicídio, Alexander Kueng e Thomas Lane, não eram alvo de queixas. Chauvin, de 44 anos, está acusado do assassinato e homicídio em segundo grau de George Floyd. O tribunal impôs uma fiança de meio milhão de dólares para que possa sair da prisão até ao julgamento, mas até ao momento ninguém a pagou.

Depois de passar por dois outros estabelecimentos prisionais, Chauvin está agora a ser mantido na prisão estatal de Oak Park Heights, que corresponde ao nível mais alto de segurança do sistema prisional do Minnesota.

A mudança para este local foi realizada devido a uma abundância de precaução para assegurar que [Chauvin] é mantido de forma segura, após preocupações sobre a sobrecarga das prisões devido ao grande número de detenções durante os protestos das últimas noites”, esclareceu o departamento prisional.

Nestas instalações, Derek Chauvin não tem acesso a telefones nem a visitas por videochamada. As visitas presenciais também não são admitidas, devido à pandemia de Covid-19 que continua a assolar os Estados Unidos.

Segundo o responsável pelos centros penitenciários do Minnesota, Chauvin está submetido ao mesmo procedimento de proteção que se aplica a todos os detidos que pertençam a forças policiais ou possuam um perfil criminal elevado e que, por isso, estejam mais sujeitos a que os restantes prisioneiros tentem aplicar-lhes justiça com as próprias mãos.
Mulher de Chauvin pediu divórcio
No dia seguinte à detenção de Derek Chauvin, a mulher do polícia submeteu um pedido de divórcio. “Kellie Chauvin está devastada pela morte do senhor Floyd e a sua maior simpatia está com a sua família, entes queridos e todos os que estão em luto com esta tragédia. Ela pediu o fim do casamento com Derek Chauvin”, anunciou um comunicado dos seus advogados.

“Apesar de não ter filhos deste casamento, Kellie Chauvin pede respeitosamente que seja dada aos seus filhos, aos seus pais idosos e à restante família segurança e privacidade durante este período difícil”, acrescenta.

O afro-americano George Floyd, de 46 anos, foi morto na segunda-feira, depois de ter sido detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) para comprar tabaco num supermercado de Minneapolis, no estado de Minnesota.

Apesar de ter repetido por várias vezes que não conseguia respirar, Floyd foi imobilizado durante mais de oito minutos por Chauvin, que colocou um joelho sobre o pescoço do homem.

Derek Chauvin e George Floyd chegaram a trabalhar no mesmo clube noturno, o El Nuevo Rodeo Club, em Minneapolis. Floyd trabalhava alguns dias por mês como segurança, enquanto Chauvin trabalhava como polícia fora de serviço, função que desempenhou nesse espaço durante quase 17 anos.

“Penso que não se conheciam”, disse à CNN a antiga proprietária do clube. “Trabalhávamos todos juntos em algumas noites, devem ter-se cruzado”.
"Silêncio é cumplicidade"
A polícia de Minneapolis utiliza quase sete vezes mais força contra os cidadãos negros do que contra os brancos, de acordo com dados divulgados pela própria cidade, onde entre 430 mil pessoas apenas 20 por cento são negras.

Perante estes números, o Estado do Minnesota desencadeou uma ação pelos direitos civis contra o Departamento de Polícia de Minneapolis, para o qual trabalhavam os quatro agentes dados como responsáveis pela morte de George Floyd.

“O silêncio é cumplicidade. Os habitantes do Minnesota podem estar seguros de que a nossa Administração utilizará todas as ferramentas que possui para erradicar o racismo sistémico no nosso Estado”, garantiu recentemente o governador Tim Walz.

O Ministério Público norte-americano agravou na quarta-feira para homicídio em segundo grau a acusação do ex-agente, que inicialmente era acusado de homicídio em terceiro grau, e acusou formalmente os três outros polícias que o acompanhavam.
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