"Desalojar agitadores". Polícia israelita invade mesquita de Al-Aqsa
A polícia israelita afirmou, na última madrugada, ter entrado na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental, para "desalojar agitadores", que terão levado "fogo de artifício, paus e pedras" para aquele espaço. Foram detidas 350 pessoas.
O movimento palestiniano Hamas, no poder na Faixa de Gaza, denunciou um "crime sem precedentes" e apelou aos palestinianos da Cisjordânia para "irem em massa e defenderem a mesquita". O mesmo apelo foi feito pelo movimento da Jihad Islâmica.
"Esta noite, quando a polícia trabalhava para permitir que um grande número de muçulmanos pudesse celebrar o mês do Ramadão e chegar à Cidade Velha de Jerusalém e ao Monte do Templo, vários jovens e agitadores levaram para o interior da mesquita (Al-Aqsa) fogo de artifício, paus e pedras", indicou a polícia israelita em comunicado.
"Estes elementos barricaram-se no local, várias horas depois (das últimas orações da noite) para atentar contra a ordem pública e profanar a mesquita", ao mesmo tempo que gritaram "slogans para incitar ao ódio e à violência", acrescentou a mesma nota.
“A polícia israelita prendeu mais de 350 pessoas que se barricaram no Monte do Templo”, acrescentou a polícia, usando o termo judeu para o complexo da Mesquita.
Segundo o comunicado, “após muitas tentativas longas e infrutíferas para os retirar, através do diálogo, a polícia foi forçada e intervir para os retirar a fim de permitir a realização das primeiras orações do amanhecer e evitar distúrbios violentos”.
A polícia israelita publicou uma sequência em vídeo, de mais de 50 segundos, em que é possível ver explosões aparentemente causadas por fogo de artifício no interior da mesquita e silhuetas que parecem preparar-se para lançar pedras.
Temple Mount overnight 🔴:
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) April 5, 2023
Israeli police was forced to enter the Al-Aqsa Mosque compound after masked agitators locked themselves inside the mosque with fireworks, sticks and stones. pic.twitter.com/T9LhbLKsMB
Após a tomada de posse, em dezembro, de um dos governos mais à direita na história de Israel, o conflito israelo-palestiniano entrou numa espiral de violência. Mais de 100 pessoas morreram desde o início do ano.
A liderança palestiniana condenou o ataque e o porta-voz do presidente palestiniano, Mahmud Abbas, Nabil Abu Rudeina, advertiu Israel de que esta situação "excede todas as linhas vermelhas e conduzirá a uma grande explosão".
Al-Aqsa situa-se na Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar santo do Islão em Jerusalém Oriental, setor palestiniano da cidade santa ocupada e anexada por Israel.
A Esplanada foi construída sobre aquilo que os judeus apelidam de Monte do Templo, o lugar mais sagrado do judaísmo.
Os confrontos, que se têm vindo a intensificar desde o início deste ano, registaram-se quando está ainda a decorrer o Ramadão, mês de jejum ritual dos muçulmanos, e quando os judeus se preparam para celebrar, a partir de quarta-feira à noite, a Páscoa judaica, ou Pessach, uma das festas mais importantes do calendário judaico.
c/ agências