Desinformação. Google elimina 2500 canais de YouTube ligados à China

por RTP
O relatório da Google chega num momento de tensões elevadas entre China e Estados Unidos. Foto: Dado Ruvic - Reuters

A Google eliminou mais de 2500 canais de YouTube ligados à China no âmbito de uma campanha para banir fontes de desinformação dessa plataforma. A empresa avançou que os canais foram removidos entre abril e junho "como parte da investigação ainda em curso sobre operações coordenadas de influência vinculadas à China".

Os canais eliminados ao longo de três meses publicavam, habitualmente, “conteúdo não-político à base de spam”, mas uma pequena parte dos conteúdos eram políticos, referiu a Google num boletim sobre operações de desinformação, citado pelo Guardian.

A empresa não divulgou quais as contas específicas que foram eliminadas, mas adiantou que os vídeos desses canais possuíam atividade semelhante à verificada anteriormente pela rede social Twitter e à denunciada pela empresa de análise de dados Graphika em abril, numa outra campanha sobre desinformação.

O relatório da Google chega num momento de tensões elevadas entre China e Estados Unidos devido ao aumento do uso de redes sociais e tecnologia por Pequim poucos meses antes das eleições presidenciais norte-americanas.

Na quarta-feira, a Casa Branca disse estar a aumentar os esforços para eliminar a utilização, nos Estados Unidos, de aplicações chinesas para smartphones como o TikTok (uma app de partilha de vídeos curtos) ou o WeChat (app de troca de mensagens). Isto porque, segundo a Administração Trump, ambas são “ameaças significativas”.

O TikTok tem até 15 de setembro para vender as suas operações nos Estados Unidos à Microsoft. Caso não o faça, arrisca ser totalmente banido do país.
China critica EUA: “Um caso de bullying
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, avançou entretanto que uma campanha norte-americana chamada “Clean Network” (“Rede Limpa”) vai passar a incluir medidas que impeçam as aplicações e empresas de telecomunicações chinesas de aceder a informação sensível sobre cidadãos e empresas americanas.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros reagiu na quarta-feira, argumentando que Pompeo está a tentar “impor uma cortina de ferro” e criar novas divisões. Wang Yi considerou ainda que as ações contra o TikTok são “um caso de bullying.

“Qualquer pessoa pode ver claramente que a intenção dos Estados Unidos é proteger a sua posição monopolizadora na tecnologia e roubar a outros países o seu direito de se desenvolverem”, criticou o membro do Governo chinês.

A desinformação semeada por países estrangeiros tem sido uma preocupação crescente para os políticos dos Estados Unidos e para as empresas de tecnologia desde as eleições presidenciais de 2016, quando a Rússia alegadamente infiltrou nas redes sociais milhares de mensagens falsas com o intuito de manipular os resultados eleitorais.

Muitos têm passado os últimos quatro anos a tentar evitar que tal cenário se possa repetir, com empresas como a Google ou o Facebook a lançar regularmente relatórios sobre como estão a combater a propaganda política online.

c/ agências
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