China acusa Estados Unidos de tentarem "roubar" TikTok

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Dado Ruvic - Reuters

Os media estatais chineses estão a criticar os EUA pelo seu comportamento “desagradável” em relação à aplicação chinesa TikTok. Pequim acusa Washington de praticar “assédio moral” às tecnológicas chinesas e de estar a tentar “roubar” a aplicação. Esta terça-feira, Donald Trump veio alimentar ainda mais as discussões ao exigir uma “percentagem substancial” dos lucros de uma eventual venda da empresa que detém a aplicação à Microsoft.

A aplicação para telemóveis TikTok foi recentemente transformada numa plataforma de guerra cibernética entre Washington e Pequim. O ponto de partida ocorreu quando Donald Trump ameaçou banir a aplicação nos EUA por representar um risco para a segurança nacional, acusando a China de estar a utilizar a plataforma como ferramenta de espionagem.

A aplicação é propriedade de uma empresa tecnológica chinesa que já veio negar qualquer ligação com o Governo de Pequim, garantindo que os dados são armazenados fora da China e que resistiria a qualquer tentativa de Pequim em obter informações.

A acusação de Trump motivou, porém, uma chuva de críticas por parte dos meios de comunicação estatais chineses, que defendem a ideia de os EUA estarem a “matar as empresas mais competitivas da China”. O jornal estatal Global Times diz mesmo que “a proibição do TikTok reflete a cobardia de Washington”.

Já na segunda-feira, o presidente norte-americano admitiu estar disposto a permitir que uma empresa americana comprasse o TikTok e a Microsoft mostrou-se, de seguida, interessada na compra da filial norte-americana da aplicação. Trump deu o prazo de um mês e meio para a Microsoft chegar a um acordo com a empresa chinesa, garantindo que, caso contrário, irá banir a aplicação a 15 de setembro.

Agora, Donald Trump vem ainda defender que o tesouro norte-americano tem direito a ficar com uma “percentagem substancial” dos lucros da venda, complicando ainda mais as negociações:

“Seja a Microsoft ou qualquer outra, os chineses, seja qual for o preço, os EUA devem ficam com uma grande percentagem desse preço, porque o tornamos possível”.

O jornal China Daily descarta uma eventual venda da aplicação, apelidando-a de uma ação de “esmagar e agarrar” orquestrada pelo Governo dos EUA. “A China não irá aceitar de forma alguma o ‘roubo’ de uma empresa tecnológica chinesa e tem muitas maneiras de responder se a Administração continuar com o seu plano”, sublinha o jornal estatal.

A polémica em torno da aplicação levantou comparações com o comportamento do Governo chinês relativamente a empresas norte-americanas. Como é conhecido, muitos serviços fornecidos por gigantes tecnológicas, como a Google e o Facebook, são bloqueados na China. No entanto, os media estatais rejeitam esta comparação.

“Na realidade, a China não proíbe sites ou softawes americanos, apenas exige que eles ‘sejam chineses’ como operam na China”, escreveu Hu Xijin, editor do Global Times. “O TikTok está em conformidade com as leis dos EUA, mas o Governo norte-americano continua a quer proibi-lo”, acrescenta.
“É uma disputa de poder”
Liu Hong, diretora-adjunta do jornal Globe, afirmou recentemente que a controvérsia em torno da aplicação é “muito desagradável”.

Não é apenas um casamento de espingardas, mas também uma disputa de poder”, disse Hong. “Isto é realmente triste para ByteDance”, acrescentou, referindo-se à empresa chinesa que detém o TikTok.

Numa nota enviada aos funcionários, e CEO e fundador da ByteDance reconheceu que “os últimos meses têm sido desafiadores para todos nós”.

"Iniciamos discussões preliminares com uma empresa de tecnologia para ajudar a abrir caminho para continuarmos a oferecer a aplicação TikTok nos EUA", escreveu Zhang na nota que a tecnológica chinesa forneceu à CNN Business, acrescentando que ainda não conhecem mais detalhes.

“Sinceramente, é pouco provável que o nível de interesse e especulação em torno do TikTok acabe a curto prazo e eu reconheço que isso pode ser muito perturbador”, disse ainda o CEO da ByteDance.
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