Mundo
Detenções de quatro pessoas não confirmadas após atentado de Berlim
De acordo com o jornal Bild, o procurador geral da Alemanha confirmou a detenção de quatro pessoas que tiveram contacto com Anis Amri, o principal suspeito do atentado contra um mercado de Natal em Berlim, na segunda-feira. No entanto, fontes da Procuradoria negam a notícia.
Na quarta-feira, a policia fez buscas num centro de refugiados em
Emerich, Alemanha de leste, onde Amri esteve há alguns meses, assim como a
dois apartamentos em Berlim.
Acabou alegadamente por deter quatro pessoas com ligações ao suspeito, de acordo com informações avançadas pelo jornal alemão Bild, que não deu contudo mais nenhuma informação sobre o caso.
De acordo com a Agência Reuters, fontes da Procuradoria negaram meia hora depois a notícia avançada pelo Bild.
"Não, não é esse o caso", afirmou um porta-voz da Procuradoria alemã, interrogado sobre o assunto. "Não estamos ao corrente de qualquer detenção".
Ninguém sabe onde está Anis Amri e as autoridades alemães emitiram um mandado de busca europeu oferecendo 100 mil euros por informações que levem à sua captura. Avisam ainda que ele pode ser "violento e estar armado".
Anis Amri é tunisino, tem 24 anos e já estava referenciado pelas autoridades alemãs como tendo ligações ao extremismo islâmico, o que fazia dele uma das 549 pessoas em toda a Alemanha classificadas como Gefährder - algo que pode traduzir-se como "causador de perigo". O seu pedido de asilo tinha sido recusado mas ele continuava na Alemanha, mesmo depois de ter sido apanhado com um passaporte falso.O tunisino, que chegou ao país em julho de 2015, é acusado de, segunda-feira, ter conduzido um camião contra a multidão que enchia um mercado de Natal em Berlim, numa ação muito semelhante à de Nice, em França, meses antes. Morreram 12 pessoas e pelo menos 48 ficaram feridas. Catorze continuam internadas em estado grave. O grupo estado Islâmico afirmou que um dos seus "soldados" realizou o ataque.
Papéis com a sua identidade foram encontrados dentro do camião usado no atentado, segunda-feira, o que desencadeou a caça ao homem em toda a Europa.
Jornais alemães referiram entretanto que foram encontradas as impressões digitais de Anis Amri na porta do camião usado no atentado.
De acordo com o Der Spiegel, Anis Amri estava ligado ao pregador extremista Ahmad Abdulaziz Abdullah A., também conhecido como "Abu Walaa". Tinha também ligações com uma mesquita na cidade alemã de Dortmund, dirigida por um clérigo designado como Boban S., e igualmente integrado na rede de "Abu Walaa".
Em novembro os serviços de contra-terrorismo trocaram informações sobre ele, por suspeitar que estaria a preparar um assalto, para conseguir dinheiro e comprar armas automáticas "possivelmente para realizar um atentado", dizem procuradores de Berlim.
Já Ralf Jaeger, ministro do Interior do estado da Renânia-Vestefália, o mais populoso da Alemanha, afirma que havia suspeitas de que Amri estaria a "preparar um ato grave de violência contra o Estado". As investigações, que duraram de março a setembro, acabaram por ser abandonadas depois de não terem sido coligidas provas de atentado.
Polícias e políticas debaixo de fogo
Circunstâncias que lançam a polémica na Alemanha. As polícias estão debaixo de fogo, já que deveriam ter vigiado Amri com especial atenção para evitar possíveis atentados - o que não sucedeu.
O suspeito foi detido uma única vez, a 30 de julho, num controlo de rotina e quase foi deportado. Por desentendimentos com as autoridades tunisinas acabou por ser libertado ao fim de dois dias.

Quanto ao atentado de segunda-feira, a polícia alemã revelou igualmente fragilidades, ao deter um paquistanês perseguido por um membro do público durante duas horas em contacto permanete com as autoridades. Chegou a ser identificado como suspeito da autoria do atentado mas sempre se afirmou inocente, tendo acabado por ser libertado.
Ao reagir ao atentado, a chanceler Angela Merkel sublinhou a "tristeza" que seria se se confirmasse que o seu autor era um refugiado.
O mercado de Natal de berlim reabriu ao público esta manhã
As políticas de asilo de Merkel voltaram igualmente a estar sob fogo cerrado, mesmo de dentro do seu próprio partido, a CDU.
"Em todo o país, há um grande número de refugiados sobre os quais desconhecemos a origem ou que nome têm. E esse é um enorme risco de segurança", afirmou o ministro do interior do estado de Saarland, Klaus Bouillon, uma das vozes mais ativas contra as políticas liberais da chanceler que deixaram entrar no país em 2015 um milhão de refugiados.
Sabe-se já que Anis Amri usou diversos nomes e viveu em Berlim desde fevereiro, tendo estado recentemente da Renânia do Norte-Vestefália, afirmou Jaeger. O suspeito estava referenciado como tendo "grande mobilidade".
Radicalizado em Itália
O pai de Anis Amri afirmou que ele foi radicalizado durante um período de prsião em Itália. Descreve-o no entanto como problemático e "violento" muito antes de ter emigrado para a Europa na vaga migratória que se seguiu à revolta que depôs o Presidente Zine Abidine Ben Ali.
Em Itália envolveu-se em roubos e casos de fogo-posto, tendo sido detido, tendo-se então radicalizado. "Ele passou quatro anos na prisão em Itália, onde encontrou grupos extremistas que o atrairam", revela o pai do suspeito.
O pai afirma que há muitos meses que não tem contacto com o filho mas a agência reuters refere que ele manteve contacto com alguns dos irmãos.
Um deles, na Tunísia, mostra-se incrédulo com as suspeitas. "Estou em choque e não acredito que tenha sido ele a cometer este crime", afirmou o irmão Abdelkader à agência France Presse. "Se for culpado merece toda a condenação", acrescentou.
"Rejeitamos o terrorismo e os terroristas, não temos nada a ver com terroristas", garantiu.
Milhares de tunisinos abandonaram o país para combater nas fileiras do grupo Estado Islâmico e de outros grupos islamitas na Síria, no Iraque e na Líbia.
Acabou alegadamente por deter quatro pessoas com ligações ao suspeito, de acordo com informações avançadas pelo jornal alemão Bild, que não deu contudo mais nenhuma informação sobre o caso.
De acordo com a Agência Reuters, fontes da Procuradoria negaram meia hora depois a notícia avançada pelo Bild.
"Não, não é esse o caso", afirmou um porta-voz da Procuradoria alemã, interrogado sobre o assunto. "Não estamos ao corrente de qualquer detenção".
#Germany #Berlin - This is Anis #Amri, the suspect of the #BerlinAttack. This pic was sent to all European police agencies. pic.twitter.com/684dr7d629
— Terror Events (@TerrorEvents) 21 de dezembro de 2016
Ninguém sabe onde está Anis Amri e as autoridades alemães emitiram um mandado de busca europeu oferecendo 100 mil euros por informações que levem à sua captura. Avisam ainda que ele pode ser "violento e estar armado".
Anis Amri é tunisino, tem 24 anos e já estava referenciado pelas autoridades alemãs como tendo ligações ao extremismo islâmico, o que fazia dele uma das 549 pessoas em toda a Alemanha classificadas como Gefährder - algo que pode traduzir-se como "causador de perigo". O seu pedido de asilo tinha sido recusado mas ele continuava na Alemanha, mesmo depois de ter sido apanhado com um passaporte falso.O tunisino, que chegou ao país em julho de 2015, é acusado de, segunda-feira, ter conduzido um camião contra a multidão que enchia um mercado de Natal em Berlim, numa ação muito semelhante à de Nice, em França, meses antes. Morreram 12 pessoas e pelo menos 48 ficaram feridas. Catorze continuam internadas em estado grave. O grupo estado Islâmico afirmou que um dos seus "soldados" realizou o ataque.
Papéis com a sua identidade foram encontrados dentro do camião usado no atentado, segunda-feira, o que desencadeou a caça ao homem em toda a Europa.
Jornais alemães referiram entretanto que foram encontradas as impressões digitais de Anis Amri na porta do camião usado no atentado.
De acordo com o Der Spiegel, Anis Amri estava ligado ao pregador extremista Ahmad Abdulaziz Abdullah A., também conhecido como "Abu Walaa". Tinha também ligações com uma mesquita na cidade alemã de Dortmund, dirigida por um clérigo designado como Boban S., e igualmente integrado na rede de "Abu Walaa".
Em novembro os serviços de contra-terrorismo trocaram informações sobre ele, por suspeitar que estaria a preparar um assalto, para conseguir dinheiro e comprar armas automáticas "possivelmente para realizar um atentado", dizem procuradores de Berlim.
Já Ralf Jaeger, ministro do Interior do estado da Renânia-Vestefália, o mais populoso da Alemanha, afirma que havia suspeitas de que Amri estaria a "preparar um ato grave de violência contra o Estado". As investigações, que duraram de março a setembro, acabaram por ser abandonadas depois de não terem sido coligidas provas de atentado.
Polícias e políticas debaixo de fogo
Circunstâncias que lançam a polémica na Alemanha. As polícias estão debaixo de fogo, já que deveriam ter vigiado Amri com especial atenção para evitar possíveis atentados - o que não sucedeu.
O suspeito foi detido uma única vez, a 30 de julho, num controlo de rotina e quase foi deportado. Por desentendimentos com as autoridades tunisinas acabou por ser libertado ao fim de dois dias.
Quanto ao atentado de segunda-feira, a polícia alemã revelou igualmente fragilidades, ao deter um paquistanês perseguido por um membro do público durante duas horas em contacto permanete com as autoridades. Chegou a ser identificado como suspeito da autoria do atentado mas sempre se afirmou inocente, tendo acabado por ser libertado.
Ao reagir ao atentado, a chanceler Angela Merkel sublinhou a "tristeza" que seria se se confirmasse que o seu autor era um refugiado.
O mercado de Natal de berlim reabriu ao público esta manhã
As políticas de asilo de Merkel voltaram igualmente a estar sob fogo cerrado, mesmo de dentro do seu próprio partido, a CDU.
"Em todo o país, há um grande número de refugiados sobre os quais desconhecemos a origem ou que nome têm. E esse é um enorme risco de segurança", afirmou o ministro do interior do estado de Saarland, Klaus Bouillon, uma das vozes mais ativas contra as políticas liberais da chanceler que deixaram entrar no país em 2015 um milhão de refugiados.
Sabe-se já que Anis Amri usou diversos nomes e viveu em Berlim desde fevereiro, tendo estado recentemente da Renânia do Norte-Vestefália, afirmou Jaeger. O suspeito estava referenciado como tendo "grande mobilidade".
Radicalizado em Itália
O pai de Anis Amri afirmou que ele foi radicalizado durante um período de prsião em Itália. Descreve-o no entanto como problemático e "violento" muito antes de ter emigrado para a Europa na vaga migratória que se seguiu à revolta que depôs o Presidente Zine Abidine Ben Ali.
Em Itália envolveu-se em roubos e casos de fogo-posto, tendo sido detido, tendo-se então radicalizado. "Ele passou quatro anos na prisão em Itália, onde encontrou grupos extremistas que o atrairam", revela o pai do suspeito.
O pai afirma que há muitos meses que não tem contacto com o filho mas a agência reuters refere que ele manteve contacto com alguns dos irmãos.
Um deles, na Tunísia, mostra-se incrédulo com as suspeitas. "Estou em choque e não acredito que tenha sido ele a cometer este crime", afirmou o irmão Abdelkader à agência France Presse. "Se for culpado merece toda a condenação", acrescentou.
"Rejeitamos o terrorismo e os terroristas, não temos nada a ver com terroristas", garantiu.
Milhares de tunisinos abandonaram o país para combater nas fileiras do grupo Estado Islâmico e de outros grupos islamitas na Síria, no Iraque e na Líbia.