Entre os países nórdicos, este é mais um sinal de mudança do paradigma de defesa e segurança por força da recente invasão da Ucrânia pela Rússia. Depois de Finlândia e Suécia terem apresentado o pedido de adesão à NATO, colocando um ponto final a décadas de neutralidade, é agora a vez da Dinamarca, que levou a referendo a entrada do país na Política Comum de Segurança e de Defesa (PESC).
Nesta auscultação, que decorreu na quarta-feira, os dinamarqueses demonstraram de forma clara o apoio à aproximação europeia em questões de defesa e segurança. Os resultados finais demonstram que 66,9 por cento aprovou a proposta do Governo para adesão à PESC, enquanto 33,1 por cento votou contra.
A Dinamarca era até agora o único membro da União Europeia que não fazia parte da política de defesa e segurança do bloco. O referendo põe fim ao mecanismo de “opt-out”, que desde 1993 colocava a Dinamarca fora desse domínio das políticas comuns.
Copenhaga passa assim a participar nas decisões de defesa e segurança da União Europeia, podendo a partir de agora integrar eventuais missões militares. Para além das consequências práticas, o referendo assume um forte caráter simbólico, já que sinaliza uma importante deriva europeia num país tradicionalmente crítico das políticas comunitárias.
"A Dinamarca enviou esta noite um sinal importante aos nossos aliados na Europa e na NATO, e a Putin. Estamos a mostrar que quando Putin invade um país livre e ameaça a estabilidade na Europa, os restantes unem-se”, sublinhou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen na primeira reação aos resultados.
Foi a primeira-ministra dinamarquesa quem convocou o referendo logo nas primeiras semanas após a invasão russa da Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro. O Governo de Copenhaga chegou a um acordo com a maioria dos partidos no Parlamento dinamarquês, tendo ainda aprovado um aumento nos gastos de defesa até 2 por cento do PIB, em linha com os requisitos da NATO, a que a Dinamarca também pertence.
“Quando uma ameaça à liberdade bate às portas da Europa e quando há mais uma guerra no nosso continente, não podemos continuar neutros. Apoiamos a Ucrânia e o povo da Ucrânia”, afirmou a chefe de Governo na reação aos resultados de quarta-feira.
“A NATO continua a ser obviamente a nossa principal ferramenta, mas a União Europeia dá-nos outra para garantir a nossa defesa a leste”, disse Mogens Jensen, porta-voz para questões de Defesa do partido no poder.
O líder do principal partido da oposição, Jakob Ellemann-Jensen, do partido Liberal, também esteve ao lado do "sim" neste referendo. "O mundo está a mudar e não no bom sentido. Temos de nos unir e fortalecer a cooperação que reforça a nossa segurança", afirmou.
No Twitter, a presidente da Comissão Europeia saudou a decisão dos dinamarqueses e considerou que o resultado do referendo é “uma forte mensagem de compromisso com a nossa segurança comum”.
“A experiência da Dinamarca em questões de Defesa é de grande valor. Estou convencida de que tanto a Dinamarca como a União Europeia irão beneficiar desta decisão”, acrescentou Ursula von der Leyen.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também congratulou a Dinamarca por uma “decisão histórica”.
“O mundo mudou desde que a Rússia invadiu a Ucrânia”, assinalou o responsável.
Michel considerou também que a decisão irá beneficiar a segurança do povo dinamarquês e da União Europeia.