Dirigente de Hong Kong cancela visita aos EUA quatro horas após anúncio

O secretário para a Inovação, Tecnologia e Indústria de Hong Kong, Sun Dong, cancelou, sem qualquer explicação, uma visita aos Estados Unidos, quatro horas depois da deslocação ter sido anunciada.

Lusa /

Num comunicado divulgado às 12:00 de terça-feira (04:00 em Lisboa), o Governo da região chinesa disse que Sun iria participar na Consumer Electronics Show (CES), uma das maiores feiras de tecnologia e eletrónica de consumo do mundo, que está a decorrer em Las Vegas.

O secretário iria liderar a maior delegação de sempre de Hong Kong à CES, composta por 61 empresas, sublinhou o comunicado.

A deslocação iria incluir uma passagem pela cidade de São Francisco, onde Sun iria visitar e "trocar também experiências com empresas de tecnologia locais e uma universidade na região de Silicon Valley".

No entanto, num outro comunicado, publicado às 16:20 (08:20 em Lisboa), com apenas uma frase, o Governo anunciou que Sun tinha cancelado a visita aos Estados Unidos.

O gabinete do secretário disse à imprensa de Hong Kong que o Governo realiza constantemente "avaliações dinâmicas" sobre a conveniência das viagens internacionais.

"Após uma avaliação, decidiu-se cancelar a viagem", disse um porta-voz do gabinete.

O Governo sublinhou que a delegação empresarial irá participar na feira de Las Vegas, liderada por dirigentes do Conselho para a Promoção do Comércio de Hong Kong.

O cancelamento da visita de Sun Dong aconteceu no mesmo dia em que a China acusou os Estados Unidos de colocarem a sua legislação interna acima do direito internacional, em reação à detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação militar norte-americana.

"A atuação dos EUA viola gravemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais", afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, numa conferência de imprensa em Pequim.

"Nenhum país pode colocar as suas regras internas acima do direito internacional", insistiu Mao, acusando Washington de "ignorar as preocupações da comunidade internacional" e de "pisotear arbitrariamente a soberania, a segurança e os direitos legítimos da Venezuela".

Mao reiterou que Pequim "se opõe firmemente" ao uso da força para resolver disputas internacionais, alertando que "o abuso de meios militares apenas conduz a crises maiores".

"Os grandes países, em particular, não devem agir como se fossem a polícia do mundo. Nenhum Estado tem o direito de se autoproclamar árbitro do direito internacional", acrescentou.

A Venezuela é um dos principais parceiros da China na América Latina, com investimentos chineses em setores-chave como petróleo, telecomunicações e infraestrutura espacial.

Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

 

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