Discurso do Papa no Memorial do Holocausto desilude comunidade judaica
O Papa visitou nas últimas horas, em Jerusalém, locais sagrados para muçulmanos, judeus e cristãos. Foi o primeiro Sumo Pontífice da Igreja Católica a entrar na Mesquita do Rochedo, um dos mais importantes lugares sagrados do Islão. A missão papal fica para já marcada pelas críticas da comunidade religiosa judaica, que esperava um discurso mais incisivo de condenação do anti-semitismo.
As declarações de Bento XVI no Memorial do Holocausto não satisfizeram totalmente a comunidade religiosa judaica. O discurso foi considerado pelo director do Memorial, Avner Shalev, "importante, mas frio e abstracto". No Memorial, Bento XVI apelou: "Que os nomes destas vítimas não pereçam jamais! Que o seu sofrimento jamais seja negado, desacreditado ou esquecido".
O facto de Bento XVI não ter especificado o número de mortos não correspondeu às expectativas dos líderes judeus, que se referiram ao discurso do Papa como "fracasso". "Durante o Holocausto, seis milhões de santos foram assassinados e não mortos", sublinhou o ministro israelita do Interior.
"O Papa omitiu que os alemães ou os nazis participaram no massacre e não teve uma palavra para pedir perdão ou pelo menos exprimir remorso pelo ou compaixão pelas vítimas", afirmou o director do Memorial Yad Vashem.
O presidente do Knesset explicou, em entrevista à rádio pública israelita, que evita a presença de um antigo membro da Juventude Hitleriana.
Porta-voz do Vaticano defende Bento XVI
O porta-voz do Vaticano sentiu necessidade de defender Bento XVI, garantindo que este "nunca, nunca, nunca, pertenceu à Juventude Hitleriana". O facto de, enquanto seminarista, ter integrado um grupo de defesa anti-aérea da localidade onde estudava, não faz do jovem Ratzinger um membro da Juventude Hitleriana, cuja adesão era voluntária, sublinhou o porta-voz. Isto "não tem nada a ver com o nazismo e com a sua ideologia", acrescentou.
A visita do Papa destinou-se a honrar a memória, que é o objecto do monumento, explicou aos jornalistas o padre Federico Lombardi, sublinhando que o Papa falou "por diversas vezes" do Holocausto e do facto de ser alemão.