Distúrbios em França. Lecornu garante que autoridades "não têm instruções para confrontar alunos"

Distúrbios em França. Lecornu garante que autoridades "não têm instruções para confrontar alunos"

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu a atuação dos polícias e gendarmes face à mobilização dos alunos do ensino secundário. As declarações surgem na véspera de um novo dia de mobilização.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Dimitar Dilkoff/Pool via Reuters

O primeiro-ministro francês falou esta quarta-feira ao país na sequência dos cada vez mais violentos protestos estudantis no país, nos quais centenas de pessoas já registaram ferimentos.

“Ao contrário do que alguns dizem e repetem, as forças de segurança não têm instruções para confrontar os alunos do ensino secundário”, assegurou Sébastien Lecornu, reiterando o seu “apoio” às autoridades.

“A sua missão é proteger os bens, mas sobretudo as pessoas, fazer cumprir a lei e permitir o acesso às escolas. Para tal, têm de agir de forma proporcionada, num contexto muitas vezes muito difícil”, acrescentou.

Lecornu reconheceu, porém, que "a raiva dos jovens não surge do nada" e  "ninguém pode ficar indiferente às angústias que expressam".

O chefe de Governo francês afirmou que “os momentos de diálogo iniciados hoje continuarão a partir de amanhã (quinta-feira) em cada escola secundária e até à próxima semana”.
"Primeiras decisões do Governo" apresentadas no final do mês

Segundo o primeiro-ministro, a plataforma de consulta aberta criada na segunda-feira pelo Ministério da Educação já recolheu mais de 40.000 contribuições, nomeadamente sobre as condições dos liceus franceses.

Lecornu anunciou ainda o lançamento de cinco projetos que incidem essencialmente na substituição de professores ausentes, nas condições materiais nas escolas, na organização do horário escolar e na transparência da plataforma de acesso ao Ensino Superior.

O chefe do Executivo voltou a assegurar que "as primeiras decisões do Governo serão apresentadas no final do mês de outubro" para dar resposta à crise.

O primeiro-ministro recordou que o projeto de orçamento para 2027 previa aumentar as dotações para a educação para 64 mil milhões de euros, “ou seja, um aumento de 1,2 mil milhões de euros em relação ao ano anterior”.
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